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Date: Monday, 15 Oct 2012 14:07

Atualizem os leitores de feed e favoritos!

Agora estou no http://tiagodoria.com.br/coluna. Lá conto mais detalhes.

Author: "Tiago Dória" Tags: "recados"
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Date: Monday, 03 Sep 2012 08:01

Pessoal,

O blog está entrando numa fase de pré-mudanças.

Enquanto isso, fica numa espécie de “modo de espera”.

O ritmo de atualização diminuirá provisoriamente.

Talvez durante esse período publique um ou outro texto por aqui.

Mas, enfim, volto logo com novidades, os comentários sobre livros, as frases da semana e, claro, a análise diária e pontual sobre tecnologias e mídias emergentes.

Até mais!

Author: "Tiago Dória" Tags: "recados"
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Date: Friday, 17 Aug 2012 16:39

Já comentei isso por aqui, mas vale repetir – 2012 será marcado como um ano em que as interfaces (UI) de aplicações tradicionais da web, como o email e os blogs, passaram por uma revisão.

Desde o começo do ano, diversas startups assumiram a missão de repensar a UI do email, aplicação de internet mais utilizada até hoje.

A Fluent e a Shortmail, por exemplo, propõem desde um novo tipo de design, mais clean, funcional e com base em plataformas de redes sociais, até a limitação no uso de caracteres para evitar mensagens prolixas e redundantes.

Na área de plataformas de blogs, a movimentação não é diferente. O Feathers sugere uma experiência mais simples para leitores e criadores de conteúdo. Sem necessidade de instalar temas e ajustar configurações, a plataforma de blogs já nasce com uma interface integrada ao celular (é, na realidade, um aplicativo).

O Svbtle, por sua vez, defende a ideia de que a UI deve ajudar no próprio processo criativo do autor do blog. O imediatismo do passado fica de lado.

O destaque da vez é o Medium, plataforma de publicação de conteúdo desenvolvida pelos cofundadores do Twitter Biz Stone e Evan Williams, sendo que este último foi criador Blogger, uma das pioneiras ferramentas de blogs.

Da mesma forma que o Feathers e o Svbtle, o Medium se propõe a repensar a forma como as pessoas publicam e interagem com conteúdo na web.

O texto mais votado pelos leitores, e não o mais recente, fica em destaque. O conteúdo é organizado por “coleções” e não por autores ou palavras-chaves. A navegação tem como base imagens e não textos, o que contribui para a movimentação de uma “internet mais visual“.

O interessante é que o Medium é um dos primeiros produtos a levar em conta que existem diversos tipos de participação. Há aquelas pessoas que satisfazem somente com o dar um “curtir” em sites e coisas. E há outras que preferem ser mais ativas, produzindo conteúdo próprio e criando uma audiência na web.

O Medium nasceu levando em conta esses dois graus de participação. Você pode ter desde uma participação mais passiva (votar numa foto que achou bacana) até uma mais ativa (publicar textos longos como uma ferramenta de publicação qualquer, o que, claro, exige mais esforço).

Num primeiro momento, o Medium parece um “frankenstein” – mistura de Tumblr com Pinterest e mais um pouco de Digg.

Ainda é cedo para falar que ele chegará a algum lugar. O serviço tem mais desafios que oportunidades. Primeiro, lidar com os custos de troca de tecnologia que são cada vez maiores. Se tem algo comum no mercado de web, é que cada vez mais as empresas investem em “lock-in“; ou seja, em prenderem as pessoas em seus serviços, dificultando a migração das mesmas para outras plataformas. Por que eu mudaria para o Medium se estou no Tumblr ou WordPress?

Outra questão para o Medium é trabalhar com o “efeito rede” (à medida que mais usuários utilizam um serviço, maior o valor e a diferenciação dele). Plataformas de blogs dependem muito desse “efeito”. Quanto mais pessoas cadastradas numa plataforma de blogs, melhor a sua qualidade e mais atraente ela é para quem está fora e dentro. Se ninguém usa o Medium, você o utilizaria mesmo assim?

O ponto final é como o serviço irá gerar receita. Será mais um site que, apesar de não produzir nenhum conteúdo, quer como uma plataforma de mídia se posicionar num mercado saturado, e, desse modo, gerar receita com publicidade?

Por enquanto, pelo que foi apresentado, o Medium segue o caminho de diversas plataformas que estão repensando o modelo de blogs. Um desejo de simplificar e aperfeiçoar a experiência de produzir e publicar conteúdo na web.

Veja também: Blogs também têm 7 vidas

Author: "Tiago Dória" Tags: "blogging, blogs, Medium, twitter, UI, UX"
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Date: Monday, 13 Aug 2012 22:45

Com o urubu voando baixo em publicações feitas exclusivamente para tablets, como o The Daily, começam os questionamentos sobre se o modelo é viável.

Charlie Warzel, em artigo na Adweek, mostra que diversas publicações feitas exclusivamente para o iPad vêm amargando problemas. O The Daily tem resultados tanto financeiros quanto de leitura abaixo do esperado. O The Project idem. A revista do Huffington Post segue por um caminho distante do sucesso.

Existem diversas explicações para o baixo desempenho. Lançar uma nova marca editorial num mercado cada vez mais saturado não é nada fácil. Ou – num mundo multidispositivo – colocar no mercado um produto para ser consumido tão somente em uma única plataforma não parece fazer muito sentido. Isto é, o modelo de criar publicações exclusivas para tablets seria falho.

Um dos mais recorrentes críticos desse modelo é o futurista e analista de mídia Gerd Leonhard. Para o pesquisador, não é prudente transferir para uma aplicação móvel a lógica de banca de revista de preço/venda por unidade. As pessoas não pagam por conteúdo, mas por contexto, conveniência, comunidade e conectividade. Algo que vai além de “cópias por unidade de conteúdo”.

Para mim, produzir um produto editorial exclusivo para um único dispositivo não faz muito sentido por outros motivos. Simplesmente porque essa estratégia deixa de lado o fato histórico de que a internet é a única plataforma de comunicação e distribuição de conteúdo que, desde o inicio, foi desenvolvida e conceituada para estar embutida e ser acessada de qualquer dispositivo.

A esta altura do campeonato, criar uma publicação exclusiva para iPad é como lançar um programa que pode ser visto somente na TV ou um site que apenas pode ser acessado do desktop (não tem versão móvel).

A edição 2012 do relatório State of News Media, sobre tendências na área de mídia e tecnologia, mostra isso com mais detalhes. Segundo o estudo, quem apostava que as pessoas migrariam para um único dispositivo – do desktop para o celular -, se deu mal.

Na realidade, as pessoas estão passando a utilizar diversas plataformas ao mesmo tempo – smartphones, tablets, laptops, desktop. Ou seja, as pessoas não consomem conteúdo apenas nos tablets, mas em vários dispositivos. Elas absorveram naturalmente o conceito de que a internet é “device agnostic“.

Não é à toa que tecnologias que dão a base para esse conceito vêm ganhando popularidade, como cloud computing, que permite que um conteúdo seja acessado de, praticamente, qualquer dispositivo, e responsive design, que possibilita ter uma experiência mais unificada em todos os dispositivos.

A tendência é que, após o baixo retorno de publicações criadas exclusivamente para iPad, a indústria de mídia absorva melhor o conceito de “device agnostic“.

Veja também: Back-end do jornalismo deve estar em constante transformação

Author: "Tiago Dória" Tags: "jornalismo, app, device agnostic, estrat..."
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Date: Sunday, 12 Aug 2012 01:53

Big Data é, na verdade, sobre novos usos e ‘insights’, não tanto sobre dados em si.

Rod A. Smith, vice-presidente de tecnologias emergentes de internet da IBM.

Author: "Tiago Dória" Tags: "frasedasemana, Big Data, bolha, IBM, Rod..."
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Date: Wednesday, 08 Aug 2012 20:14

Meio óbvio falar isso, mas o BitTorrent não é uma tecnologia utilizada somente para pirataria. Aqui, no Brasil, o Canal Futura, ligado à Fundação Roberto Marinho, a utiliza para distribuir os seus programas em formato digital.

Nesta semana, a Internet Archive, organização dedicada a preservar quase tudo em formato digital (filmes, músicas, textos), passou a oferecer mais de 1 milhão de shows, filmes e livros sob domínio público no protocolo do BitTorrent.

O uso do protocolo faz bastante sentido. Em vez de baixar de um único servidor, num processo de perde-ganha, com o BitTorrent a pessoa pode realizar o download de várias fontes ao mesmo tempo, fazendo com que processo seja mais eficiente.

Há apenas um problema com essa atitude. Muitas escolas e universidades proíbem em suas redes o protocolo do BitTorrent justamente em razão de a tecnologia ainda ser associada à pirataria digital.

Mesmo sendo utilizado por empresas reconhecidas, até hoje o BitTorrent tem o estigma de ser ligado à pirataria e à distribuição de vírus pela web.

A ação da Internet Archive reacende o debate sobre um dos principais desafios atuais a respeito da digitalização. A questão não é tanto digitalizar ou não, mas como recuperar de forma inteligente e útil as informações que temos em formato digital.

De que adianta termos tantas informações digitais armazenadas em servidores e bancos se não conseguimos recuperá-las e visualizá-las de tal forma que faça sentido prático em nosso dia-a-dia?

A atitude da Internet Archive revela também o quanto vem mudando a postura a respeito de tecnologias e conceitos que até então eram vistos como alternativos.

No mês passado, por exemplo, o serviço de aluguel de filmes Netflix anunciou a utilização do conceito de “crowdsourcing” para legendar alguns dos filmes e programas de TV disponíveis. Os próprios usuários do Netflix são convidados a ajudar na produção das legendas, que depois passam por revisão. Cá entre nós, uma dinâmica já bem comum entre os usuários de internet – legendar filmes e séries de TV de forma colaborativa.

Veja também: A digitalização tarda, mas não falha

Author: "Tiago Dória" Tags: "ferramentas, bittorrent, download, Inter..."
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Date: Monday, 06 Aug 2012 11:10

Algumas pessoas pediram-me para comentar a decisão do Twitter de suspender o perfil de um jornalista que criticou a cobertura das Olímpiadas feita pela emissora americana NBC, parceira editorial do serviço de microblogging.

Para quem pegou o bonde andando, a história é rápida. Na semana passada, Guy Adams, jornalista do The Independent, publicou diversos tweets criticando a cobertura das Olímpiadas realizada pela emissora NBC. As críticas eram direcionadas à atitude da emissora de não transmitir ao vivo a abertura dos Jogos Olímpicos. A NBC preferiu aguardar até a entrada do horário nobre.

Há 15 anos esse atraso passaria despercebido, nem causaria tanto incômodo, mas, hoje em dia, com o uso do Twitter como uma caixa de comentários da TV, a conversa é um pouco diferente.

Para os telespectadores americanos, bastou entrar na internet para ler todos os tweets sobre a cerimônia de abertura publicados pelo resto do mundo e perceber o quanto a NBC estava errada em atrasar a transmissão.

Adams chegou a publicar o email de Gary Zenkel, executivo da NBC responsável pela transmissão, para que as pessoas enviassem reclamações. O Twitter entrou em contato com a NBC e resolveu suspender a conta do jornalista. Apesar de o email de Zenkel ser público, a suspensão teve como justificativa o fato de o jornalista ter publicado no Twitter informações pessoais sobre terceiros, o que vai contra a política de uso da rede de microblogs.

Em pouco tempo, o caso virou trending topics e ganhou destaque em sites de notícias e blogs de mídia. A NBC e o Twitter voltaram atrás, pediram desculpas públicas e a conta do jornalista foi reativada.

O que fica evidente neste caso é o quanto o Twitter é visto como um bem público. Na maioria das críticas, as pessoas tratavam a rede de microblogs quase igual a um “serviço público”, semelhante ao fornecimento de água e luz e ao saneamento, algo que não pode ser retirado indiscriminadamente de uma pessoa.

É certo que o Twitter é uma empresa privada. Como qualquer outra, busca acumulação (lucro permanente + crescimento). No entanto, fica claro que as pessoas têm a expectativa de que a rede de microblogs esteja sempre ao lado de valores democráticos e de liberdade, e que nunca adotará qualquer medida que coloque a liberdade de expressão dos usuários em segundo plano.

Essa expectativa tem certa explicação e é até positiva, pois mostra que o serviço de microblogging tem impacto na vida das pessoas e ganhou um grau de prestígio entre os usuários, o que, por outro lado, gera responsabilidade.

Às vezes, dá impressão que os executivos do Twitter ainda não perceberam isso.

Não é a primeira vez que isso acontece na história dos negócios e das tecnologias. Ao terem assumido papéis fundamentais na expansão da telefonia em território americano, operadoras, como Bell e AT&T, passaram a ser vistas pelos usuários e pelo mercado dos EUA como “serviços de interesse público”.

Nessas horas é quase impossível não concordar com o pesquisador Eli Pariser. O Vale do Silício precisa ter uma noção melhor da responsabilidade que tem em mãos. Eles não estão produzindo somente código, mas serviços que têm um forte impacto social e moral e que, claro, geram uma grande expectativa nas pessoas.

Veja também: A morte de Bin Laden e as 7 fases do Twitter

Author: "Tiago Dória" Tags: "twitter, Guy Adams, London 2012, nbc"
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Date: Sunday, 05 Aug 2012 00:46

Um dos lugares mais fáceis para encontrar novas ideias é nas tecnologias dos últimos 30 ou 40 anos que, por algum motivo, não conseguiram produzir um retorno financeiro, embora não houvesse nenhuma razão tecnológica para não terem dado certo.

Bruce Gibney, da Founders Fund, sobre o quanto existem oportunidades em rever tecnologias que foram viáveis, mas não se tornaram negócios em suas respectivas épocas.

Author: "Tiago Dória" Tags: "frasedasemana, Bruce Gibney, criatividad..."
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Date: Saturday, 04 Aug 2012 03:38

Ele já tinha 16 anos e era uma das grandes marcas de tecnologia pessoal, mas não teve jeito. A Microsoft resolveu nesta semana encerrar o Hotmail e lançou em seu lugar um novo serviço de email, o Outlook.com.

A marca Hotmail estava bem desgastada. E, desde 2007, quando surgiu o concorrente Gmail, da Google, o serviço de email vinha perdendo usuários.

O Hotmail teve um importante papel histórico na internet. Foi um dos primeiros serviços gratuitos de email, o que atraiu milhões de usuários. Em meados dos anos 90, ajudou a tornar “mainstream” a tecnologia de email.

O serviço gratuito de email também foi um dos primeiros cases de marketing digital viral. No final de toda mensagem enviada via Hotmail havia os dizeres “Tenha o seu Hotmail grátis”. Ao enviar um simples email, sem querer cada usuário fazia propaganda do serviço. A colocação dessa frase fez com que o Hotmail aumentasse em milhões o número de usuários a custo zero.

E também não há como esquecer. O Hotmail foi responsável por dar visibilidade a um dos primeiros “geniozinhos da internet”. Depois que vendeu o Hotmail para a Microsoft, o indiano Sabeer Bhatia, criador do serviço gratuito de email, foi eleito o empreendedor do ano de 1997 pelo MIT.

Esse reposicionamento do serviço de email da Microsoft simboliza algo que já comentei no texto sobre o lançamento do Surface. A Microsoft é hoje uma empresa em transição. O Outlook.com faz parte da dinâmica de diminuir o número de produtos, integrar os logins de acessos e acabar com o conflito de marcas e produtos (para se ter uma ideia, até outro dia, ainda existiam na internet as marcas MSN e Windows Live, ambas da Microsoft).

O Outlook.com vem com uma proposta de renovação, mas, ao mesmo tempo, familiar. Outlook é um nome muito associado com email e à Microsoft.

E com as opções de gerenciar agenda, contatos e se conectar ao Skype e a plataformas de redes sociais existentes, é bem provável que a Microsoft tenha em vista que as pessoas entrem no Outlook.com e fiquem logadas lá o dia inteiro, igual ao Outlook do desktop. Não entrem somente para checar email e depois sair.

Veja também: Google tem cartas na manga

Author: "Tiago Dória" Tags: "microsoft, email, estrategia, Outlook.co..."
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Date: Thursday, 02 Aug 2012 03:20

Um livro que está na minha cabeceira é Resilience, de Andrew Zolli, diretor da Pop!Tech, uma das principais conferências sobre ciência e tecnologia e da qual fui “blogueiro oficial” em 2007.

Em tempos de disrupção, desconstrução e morte disso e daquilo, o livro de Zolli é corajoso. O diretor da Pop!Tech pergunta – Por que algumas empresas sobrevivem a tantos imprevistos e outras não? Qual o motivo de algumas tecnologias não morrerem? Por que algumas comunidades e sistemas são mais aptos a absorver mudanças? Por que, mesmo depois de diversas disrupções, algumas comunidades inteiras conseguem voltar ao seu estado natural?

Em parceria com a jornalista Ann Marie Healy, Zolli disseca a capacidade de comunidades, empresas e sistemas tecnológicos de resistirem e sobreviverem a diversas mudanças e crises. Ao analisar diversos casos históricos e recentes, como a crise econômica de 2008, Zolli descobriu que existem alguns padrões comuns de resiliência. Comunidades e empresas que são adeptas de uma monocultura têm mais dificuldade de se levantarem após uma queda.

Ter consciência de que todos nós vamos errar e aprender a lidar com isso e não simplesmente evitar as crises são um bom começo. Por sua vez, inteligência de rede, descentralização e autonomia são algumas das melhores armas para aumentar a capacidade de resiliência num tempo de incertezas como o presente.

Percebe-se que alguns dos “insights” do diretor da Pop!Tech são bem interessantes para a gestão de tecnologias e comunidades. Em breve, comento melhor sobre o livro.

Veja também: O que a indústria de mídia procura em um novo talento

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Date: Thursday, 02 Aug 2012 03:17

Outro dia perguntei se comentário era conteúdo? Pela resposta, não são apenas conteúdo, mas também uma das principais referências pelas quais um site é avaliado. A qualidade dos comentários diz muito.

Da mesma forma que existe cuidado com o tema e o tom das matérias, deve haver com os comentários. Os dois têm pesos iguais.

No Financial Times, parece que essa premissa tem efetiva aplicação. O jornal de economia anda fazendo propaganda do MBA Newslines, funcionalidade que permite a professores e estudantes de gestão inserir comentários nas matérias e a visualizar as anotações de alunos de outras faculdades.

A intenção é incentivar ainda mais o uso do conteúdo do FT nas salas de aulas das diversas escolas de gestão. Um professor pode enviar para os alunos um link exclusivo com a matéria e os seus comentários em destaque. A dinâmica faz sentido. É na sala de aula que muitos leitores começam a se formar e a utilizar o conteúdo do FT como ferramenta de trabalho.

Raríssimas publicações têm essa política de formar leitores desde cedo. Ao lado do Financial Times, outra exceção é o Wall Street Journal, que mantém o WSJ Student, programa que incentiva o uso do jornal em salas de aula por professores e estudantes em escolas de gestão de negócios. Dentro do site do jornal, os professores contam até com uma seção específica.

Veja também: Hackathon do Financial Times

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Date: Saturday, 28 Jul 2012 23:20

Se um serviço online não tem a confiança de seus usuários e desenvolvedores, então o que ele tem?

Dalton Caldwell, criador do serviço de música Imeem, sobre a “crise de confiança” de alguns sites.

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Date: Saturday, 28 Jul 2012 23:20

Uma notícia bastante comentada nesta semana foi a informação de que a Apple registrou mais uma patente para o desenvolvimento de um óculos futurista, conectado à internet e capaz interagir com tudo à nossa volta.

Apesar de  as patentes nem sempre se transformarem em produtos, a movimentação da Apple é vista como uma reação ao Google Glass, projeto de óculos futurista da empresa de busca, apresentado ao vivo em evento, no mês passado.

As patentes registradas pela Apple, na realidade, são sobre “wearable technology”, computadores embutidos em roupas e objetos pessoais.

Enquanto o Facebook ainda se embanana com a sua presença mobile, Google e Apple mostram que, conceitualmente, estão alguns passos à frente.

O Google Glass pode ser desengonçado e bruto, mas é um nítido recado ao mercado de que a mobilidade digital vai muito além do celular. A internet/computação nasceu para estar embutida em quase tudo – carros, roupas, óculos, brinquedos, mobília etc. Foi-se o tempo em que o celular tinha o monopólio da mobilidade.

O Glass é o primeiro produto da Google a quebrar o conceito de “navegador” para acessar a internet. Ideia que nasceu nos desktops e ainda está presente nos celulares. Tanto nos óculos da Google quanto nas patentes licenciadas pela Apple não existem sites para serem acessados. Imagine criar um produto para este tipo de dispositivo, onde a experiência com a internet depende menos do navegador?

A mobilidade está somente começando. Desafios vêm pela frente e muita empresa que domina o mercado neste tempo em que o celular monopoliza a mobilidade digital terá que rever a sua estratégia.

Veja também: Startup de jornalismo transforma celulares em “radares”

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Date: Wednesday, 25 Jul 2012 01:56

Circula pelos principais blogs de mídia uma longa entrevista que Krishna Bharat, criador do Google News, concedeu para o evento IJ-7 Innovation Journalism, realizado na Universidade de Stanford, nos EUA.

Foi a primeira vez que um executivo da empresa de busca falou sobre o risco das “bolhas de filtro” – você começa a correr atrás do próprio rabo e a ler somente aquilo que lhe agrada e não causa ruído, restringido, desse modo, a sua visão de mundo e o seu papel como cidadão.

Bharat reconhece a existência dessas bolhas, mas acredita que não devemos condenar as ferramentas online de personalização de conteúdo.

Para o executivo, o ideal é um equilíbrio entre personalização e aleatoriedade das notícias. Desafio para desenvolvedores que ajustam os algoritmos de diversos buscadores e agregadores de notícias e uma das principais discussões na área – como os editores podem furar as “bolhas de filtro”?

O executivo se mostrou otimista em relação ao futuro do jornalismo (como ofício e negócio). Segundo ele, nos próximos anos, os negócios tendem a ser afetados por um conteúdo mais especializado, uso maior de plataformas de redes sociais, acesso pago, anúncios segmentados e novas formas de apresentação de conteúdo.

Vindo de um executivo da Google, as previsões acabam sendo um pouco conservadoras.

No recém-lançado The Forbes Model For Journalism In The Digital Age, Lewis DVorkin, diretor de produtos da Forbes, apresenta ideias mais inovadoras.

Para DVorkin, o futuro dos produtos da área de jornalismo passa por dar espaço igual a três vozes – jornalistas, a audiência em si e o comercial. Tudo isso acompanhado de maior valorização das “marcas pessoais” no jornalismo, uso de metodologias mais ágeis de produção e, principalmente, crescente cultura de dados, que, nas empresas no exterior, vem cada vez mais de baixo para cima.

Veja também: Fã primeiro, consumidor (leitor) depois

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Date: Monday, 23 Jul 2012 22:49

Enquanto estive fora de radar na última semana, aconteceu um debate na web sobre o quanto as plataformas de redes sociais devem se tornar cada vez menos dependentes da receita via publicidade.

Dalton Caldwell, criador do site de música Imeem, publicou um texto afirmando ser um desserviço, além de desacelerar a inovação online, a cultura de acreditar que serviços sustentados por publicidade é o único caminho possível.

Caldwell cita o exemplo do Twitter. Depois que passou a adotar o modelo de receita via publicidade (somente), a empresa começou a deixar a experiência do usuário em segundo plano (inserir publicidade no meio da timeline) e a restringir o uso de sua base de dados (o Twitter anunciou uma série de restrições no uso da API).

Como provocação, o empreendedor lançou a proposta de uma rede de microblogs paga, mas livre de anúncios e aberta a desenvolvedores. O post de Caldwell abriu espaço para discussões sobre modelos de receita na web.

Em realidade, a discussão não é sobre saber se as pessoas querem ou não pagar para utilizar um site, mas afinal que tipo de produto são as plataformas de redes sociais – plataformas de conteúdo ou utilitários de comunicação?

Plataformas de rede social são um utilitário de comunicação, como um telefone, ou uma plataforma de conteúdo, igual a uma CNN?

A pergunta faz sentido, pois os dois posicionamentos têm formas diferentes de gerar receitas, expectativas e experiências de uso.

Nada impede de um produto ser as duas coisas ao mesmo tempo, mas, historicamente, se você se posiciona como um utilitário de comunicação gera receita por meio de “serviços adicionais”. É meio difícil imaginar um anúncio entrando no meio de uma ligação telefônica, por exemplo.

Por outro lado, se você se coloca como uma plataforma de conteúdo produz receita lançando mão de publicidade ou assinaturas.

Essa discussão sobre os dois posicionamentos é antiga na web e ronda há um bom tempo as plataformas de redes sociais.

Esse foi o grande racha interno entre os cofundadores do MySpace e a diretoria da NewsCorp. Para os executivos do MySpace, o grande lance da rede social era permitir a comunicação simples e direta entre músicos, gravadoras e fãs. Era um utilitário. Já a diretoria da NewsCorp acreditava que o MySpace era uma plataforma de conteúdo. O foco deveria estar nos anunciantes.

Recentemente, o Twitter entrou em um debate interno. Uma turma entendia que o Twitter era um utilitário (igual a um serviço de email). E outra que era uma plataforma de conteúdo (o Google Adsense era um modelo de receita a seguir).  Apesar de não produzir nenhum conteúdo e de grande parte das informações que circulam pelo Twitter poderem ser encontradas em outros lugares, em 2010, o serviço de microblog acabou com o debate e se posicionou oficialmente como uma empresa de conteúdo. O grupo da convicção de que o Twitter deveria ser um utilitário acabou saindo da empresa.

No Facebook, as coisas não são diferentes. Neste ano, a empresa começou a testar outros modelos de gerar receitas, como a venda de “serviços adicionais”.

O artigo de Caldwell reflete dois movimentos atuais. Primeiro, o questionamento da monocultura de que existe somente o modelo de receita via publicidade. Segundo, uma crescente conscientização por parte dos usuários de que não existe almoço grátis na web. Alguém sempre tem que pagar a conta.

O post de Caldwell não acabará com esse velho debate/conflito (utilitários vs plataformas de conteúdo), mas ajuda a lançar uma provocação para novos empreendedores que estão chegando agora no mercado.

Veja também: Novo Twitter deixa evidente diferenças com o Facebook

Author: "Tiago Dória" Tags: "twitter, Dalton Caldwell, estrategia"
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Date: Saturday, 14 Jul 2012 04:01

Não há tendências tecnológicas globais. Existem sim tecnologias que têm um impacto global. O futuro tecnológico continuará assim: diverso

Genevieve Bell, antropóloga da Intel, argumenta contra a ideia de globalização.

Para ela, cada população tem uma forma exclusiva de se apropriar e utilizar as tecnologias.

Author: "Tiago Dória" Tags: "frasedasemana, Genevieve Bell, globaliza..."
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Date: Friday, 13 Jul 2012 01:32

Um estudo do Reynolds Journalism Institute, ligado à Universidade de Missouri, identificou aquilo que quase todo mundo já havia percebido. Quando o assunto é consumir notícias, a grande maioria prefere utilizar os tablets à noite, depois do trabalho e sentada no sofá de casa.

Durante o dia, os smartphones são utilizados para checar manchetes.

Pesquisa anterior, da comScore, já havia identificado que, nos sites de jornais, há um pico de acesso vindo dos tablets no período da noite. No Brasil, um estudo do IVC também demonstrou esse aumento do uso dos tablets à noite.

Ou seja, o prime time (horário nobre) conta cada vez mais com a presença dos tablets.

Por aqui, algumas empresas de jornalismo já começam a trabalhar em cima desse comportamento, como o Estadão, que lançou o Estadão Noite, edição do jornal para iPad que é um resumo com notícias e análises sobre o que aconteceu no dia.

Veja também: As oportunidades estão abertas

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Date: Wednesday, 11 Jul 2012 11:44

Os funcionários do Facebook preferem beber uísque a vodka. A bebida perde somente para os energéticos tomados a esmo durante as madrugadas de programação. Daft Punk é a banda preferida dos engenheiros da plataforma de rede social. E Robot Rock é quase um hino interno.

Como símbolo de seu prestígio, a mesa de Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, é rodeada de presentes (raquetes de tênis, games que ainda não foram lançados, camisetas autografadas) dados por parceiros, contatos empresariais e puxa sacos de plantão. Essas são algumas das fofocas sobre o Facebook que Katherine Losse revela no recém-lançado The Boy Kings: A Journey into the Heart of the Social Network (256 páginas/ Editora Free Press).

Ex-funcionária do Facebook (número 51), Losse foi durante anos responsável pela expansão internacional do site e por ser “ghostwriter” de Zuckerberg. Era Losse quem escrevia posts, respondia a emails e atualizava o perfil de Zuckerberg no Facebook. Vai dizer que você acreditava que ele realmente escrevia e respondia a tudo aquilo?

No livro, a ex-funcionária comenta os bastidores do site.

The Boy Kings tem um apelo especial para os brasileiros. Losse revela detalhes da viagem de Zuckerberg ao Brasil, em agosto de 2009. Poucos dias antes de embarcar para as terras brasileiras, o cofundador do Facebook ainda tinha dúvidas se valia a pena tal empreitada. Um andar inteiro de um hotel em São Paulo foi reservado para a equipe que acompanha Zuckerberg nas viagens de negócios. E foram contratados os mesmos seguranças que fizeram a escolta de Britney Spears e do ex-vice presidente dos EUA Dick Cheney, quando o mesmo esteve no Iraque.

Segundo Losse, existia a imagem de que o Brasil era um país emergente – sem leis e onde você poderia ser sequestrado a qualquer momento. Percepção que deve ter mudado posteriormente, pois, Zuckerberg teria voltado ao Brasil anos após esta primeira viagem para passar o Ano Novo em Florianópolis.

Em uma churrascaria paulistana, Zuckerberg mal aguentou tomar uma dose de caipirinha (não é de beber). E no caminho para gravar a exclusiva entrevista concedida à MTV Brasil, a comitiva do Facebook foi obrigada a parar numa praça, pois Zuckerberg teve que responder a uma importante “ligação sigilosa”, relevante para o futuro do site.

Participei da produção da entrevista na MTV Brasil (na época era colunista de tecnologia do programa Notícias MTV) e, curiosamente, não me lembro de Losse. Ela devia estar em meio a algumas pessoas que ficaram no canto da sala e falaram pouco com os demais. O centro das atenções era, naturalmente, Zuckerberg e a sua assessora de comunicação.

No entanto, Losse aparece sem querer numa das fotos que tirei na época (abaixo à esquerda, mais ao fundo).

Foi no Brasil que Zuckerberg sugeriu a produção de um livro sobre o Facebook. E foi também por aqui que a ideia de sair do Facebook ficou mais clara para Losse. Sua saída foi efetivada em 2010.

Apesar de ser uma das primeiras funcionárias e de fazer parte da equipe de confiança de Zuckerberg, Losse decidiu pedir demissão por um motivo simples, mas, ao mesmo tempo, nobre – não acreditava mais na missão nem nos rumos que o Facebook tomou nos últimos anos.

Segundo Losse, a partir de 2009, o Facebook começou a perder a sua cultura inicial. Desde o início, o objetivo da plataforma sempre foi adquirir dados sobre os hábitos das pessoas, contudo, a partir do momento em que o site conquistou um crescimento meteórico e foi incensado pela imprensa, a coleta de dados passou a ser uma obsessão. Quanto mais dados coletados, melhor.

As experiências individuais dos usuários ficaram em segundo plano, escalar tornou-se um mantra, privacidade e bem estar passaram a ser vistos como empecilhos para o futuro do Facebook.

No começo da história da plataforma, Zuckerberg dizia que queria criar um “novo fluxo de informação”. Depois, passou a seguir ideias totalitárias. Para o cofundador da plataforma de rede social, não devem existir várias formas de se expressar e se comunicar na internet. Deve existir somente uma – via Facebook.

“Assista ao seriado West Wing” (sobre o poder nos EUA). Era uma recomendação que Zuckerberg fazia a todas as pessoas próximas.

Durante as All Hands, reuniões gerais que acontecem toda sexta-feira à tarde, o clima passou a ser de campanha para uma guerra. Palavras como “conquistar” e “dominar” tornaram-se comuns. Dizia-se que o Facebook não tinha funcionários, mas soldados.

A ordem era sempre incorporar à plataforma de rede social qualquer coisa que poderia vir a ser um concorrente. Surgiu o Fourquare que permite fazer checkins? Tenta-se emular a mesma funcionalidade e embuti-la no Facebook. Foi aí que nasceu o Places. A ideia era engolir a concorrência o mais cedo possível e não deixar o “mercado respirar”. Um estilo de gestão competitivo e agressivo, não muito diferente do adotado pela Microsoft em seus tempos áureos.

Zuckerberg chegou a pedir que Losse escrevesse um post em que ele afirmava que, se você quisesse conquistar o mundo, deveria fazer isso por meio de uma empresa e não governando uma nação.

Segundo Losse, outros funcionários do Facebook tinham a mesma percepção negativa que ela, porém, havia o medo de torná-la pública. Críticas ao Facebook eram vistas como uma traição, como se o funcionário estivesse cuspindo no prato que comia.

As próprias reclamações dos usuários não eram bem recebidas. O “usuário que reclama” era visto como uma pessoa que não entendeu a “missão da empresa”.

Para a ex-funcionária, essa situação aversa a críticas acontece por uma razão simples. Muitas vezes o que você tanto critica é justamente o que deseja ser. O Facebook surgiu como um contraponto às fraternidades exclusivas e fechadas da Universidade de Harvard. Por ironia, o Facebook acabou se tornando uma, tendo Zuckerberg como o seu criador.

The Boy Kings não tem o alcance do filme Social Network (A Rede), mas também promete contribuir para aumentar as especulações em torno da plataforma e da imagem do cofundador do Facebook.

O Facebook é guiado por uma meritocracia. Funcionários da área técnica têm mais relevância e definem as regras. Internamente há uma nítida divisão social. Engenheiros oriundos de Harvard e Stanford ganham mais e têm cargos de diretores. Poucos colocam a mão na massa. Enquanto que funcionários de origem asiática e latina são os que ganham menos e mais trabalham até horas mais tarde, programando e fazendo outras atividades mais rotineiras.

Semelhante a outras fraternidades, as garotas são poucas. Segundo Losse, o Facebook é administrado como um escritório dos anos 50 – mulheres, principalmente as que não são da área técnica, ficam em segundo plano

No aniversário de Zuckerberg, garotas foram obrigadas a utilizar camisetas com o rosto dele estampado (neste dia, Losse faltou de propósito ao trabalho). Há ainda situações como a de um engenheiro ser conhecido por propor ménage à trois com novas funcionárias e de outro ter uma postura nitidamente agressiva com gerentes de produto do sexo feminino.

O IM (instant messenger) era o principal meio de comunicação interno. Era comum durante o trabalho, garotas receberem mensagens de teor erótico. Alguns programadores enviam a esmo convites para sair. Caso uma garota aceitasse, seria lucro.

Em um churrasco com engenheiros, Zuckeberg disse em alto e bom som que saiu com uma garota que era modelo e muito gostosa, no entanto era burra. E que agora preferia namorar uma garota que realmente fosse inteligente (mas feia).

Enfim, para a ex-funcionária, o Facebook era um clube do bolinha. A vida não era fácil para quem era do sexo feminino.

A situação começou a mudar um pouco com a entrada de Sheryl Sandberg, atual vice-presidente de operações (considerada a babá do Facebook).

No melhor estilo fraternidade, o Facebook adota a política “ou você segue a nossa linha ou cai fora”. É uma quase religião. Funcionários recebem subsídios para morarem perto da sede do Facebook e assim poderem trabalhar mais vezes até tarde. Sair mais cedo não é bem visto. Publicar pouco no Facebook também não. Falar mal da plataforma nem pensar.

Losse percebeu o quanto o Facebook era uma fraternidade quando anunciou a sua saída. Zuckerberg e Sandberg passaram a olhá-la com um ar frio e pararam de falar com ela. Semanas antes de sua saída, sua mesa e pertences foram retirados do andar onde ficava Zuckerberg. A sensação era de ser uma traidora.

A sua saída foi um susto para o cofundador do Facebook, pois mostrou que ele não tem o controle de tudo. Losse tinha o importante papel de fazer com que as pessoas acreditassem que o Facebook era o supra-sumo da existência humana.

As memórias positivas de Losse vêm do tempo em que entrou no Facebook, em 2005. O que  deixava os funcionários de ressaca era a sensação de estar mudando o mundo. Trabalhar no Facebook dava uma percepção de poder, mas um poder que era somente seu, os usuários e os “meros mortais” jamais o teriam.

Por muitos anos, Losse teve o “super access”, o qual permite acessar as informações – mensagens, fotos, vídeos – de qualquer usuário, independente do nível de privacidade configurado pela pessoa. O acesso é utilizado para fazer pesquisas de perfil, deletar certos conteúdos e evitar ações fora da política de uso.

A ex-funcionária acompanhou de perto o desenvolvimento de funcionalidades que nunca foram ao ar. O “Dark profile” pretendia transformar o Facebook numa espécie de “wikipedia de pessoas”. Independente de estar ou não cadastrado, como padrão todo mundo teria um perfil e mural de mensagens no site. Você poderia ativar ou não oficialmente esse perfil. Já o “Facebook credits” seria uma forma de retribuir uma mensagem. Em vez de um “curtir”, poderia enviar dinheiro virtual, que teria o correspondente em dólar, para uma pessoa.

Após a leitura de The Boy Kings, duas coisas ficam bastante evidentes em relação ao Facebook.

1) O Facebook caminha para ser um “two sided business
Da mesma forma que a Casas Bahia se apresenta ao mercado como uma loja de móveis, mas é uma financiadora; ou a Boticário, que se expõe como uma perfumaria/cosméticos, mas, na realidade, está no mercado de presentes, o Facebook caminha para ser uma empresa de dados, mas que se apresenta ao mercado como uma plataforma de rede social.

2) O Facebook entra na categoria de tecnologias estéreis
Os usuários do Facebook não têm muita escolha. São obrigados a utilizar o produto como o fabricante deseja. No relato dos bastidores de lançamento de diversas funcionalidades, Losse revela que as reclamações dos usuários não guiam muito as decisões do Facebook. É claro, existem vantagens e desvantagens em utilizar um tipo de tecnologia que é considerada estéril.

The Boy Kings não é o melhor livro da nova safra escrita por ex-funcionários de empresas. The Confessions of Google Employee Number 59 é bem mais completo e menos repetitivo. O livro de Losse versa mais sobre fofoquinhas do trabalho do que um rigoroso raio-x de como funciona o dia a dia do Facebook.

“Desglamourizar” talvez seja a expressão que melhor resume The Boy Kings. Losse tira todo o verniz de se trabalhar no Vale do Silício. Mostra que, na realidade, a grande maioria trabalha muito, ganha pouco, come mal e não tem nenhuma estabilidade. A história de milhões de dólares faz parte da biografia de somente alguns. As empresas badaladas de tecnologia não diferem de outros setores da economia. Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.

Veja também: “The Social Network” é sobre mobilidade social

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Date: Saturday, 07 Jul 2012 14:45

Diga-me com o que você gasta sua atenção e eu lhe direi quem você é

A frase é do filósofo José Ortega y Gasset (falecido em 1955), mas nunca esteve tão atual em tempos de “economia da atenção“. Andou circulando pela internet nesta semana.

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Date: Thursday, 05 Jul 2012 14:36

Se existe algo que vem marcando as empresas de jornalismo no exterior em 2012, é uma crescente cultura decisória orientada por dados – “data-driven culture“.

Ou seja, cada vez mais, as decisões são apoiadas por estatísticas.

É um movimento bem maior do que ficar o dia inteiro olhando para planilhas geradas pelo Google Analytics e outros serviços de mensuração da audiência. Envolve um processo constante e progressivo de armazenamento e tratamento de dados, assim como – e principalmente – uma mudança profunda de mentalidade na hora de tomar decisões editoriais.

Na realidade, essa cultura não é nova. Empresas ligadas ao setor de TI, como Google, Amazon e Zynga, adotam-na há bastante tempo. Na Google qualquer ideia por mais genial que seja tem que ser justificada com dados. A análise em tempo real de dados é utilizada pela Amazon para posicionar e definir preços de produtos. Na Zynga, a “cultura de dados” é tão intensa que quem trabalha no nível decisório da empresa de games tem a sensação de estar numa financeira.

Nesta semana, tivemos dois exemplos dessa crescente cultura no setor de jornalismo. Primeiro, a Forbes inaugurou a sua nova home, que foi projetada com o apoio de uma startup focada justamente na análise de dados.

Depois, reportagem do Guardian mostrou como a análise de dados vem ajudando o Financial Times a tomar decisões editoriais e de desenvolvimento de produtos.

O interessante no campo do jornalismo é que essa “cultura de dados” chegou primeiro no nível operacional – nas redações, com a ideia de utilizar visualizações de dados, análise de banco de dados e a realização de “hackathons“.

Agora essa cultura está indo para níveis hierárquicos superiores das empresas. Cada vez mais, as decisões estratégicas e editoriais tendem a ser mais racionais. Forbes e Financial Times vêm demonstrando na prática.

Isso está acontecendo por diversas razões. Uma delas é econômica. Depois da crise de 2008, as empresas de jornalismo no exterior estão trabalhando com recursos mais escassos. A outra razão é mais profunda. É resultado de um processo histórico na gestão, que se acentuou nos anos 80 (após a crise de 1981 nos EUA), de maior valorização das decisões racionais. O líder que tomava decisões com base na intuição dá lugar a uma maior racionalidade na gestão de negócios.

A intuição perde espaço para ferramentas de Business Intelligence (BI) e BSC, que trabalham orientadas em dados e no uso de indicadores de desempenho.

O setor de jornalismo não poderia ficar de fora dessa movimentação histórica na gestão de negócios. Na hora de tomar decisão, há uma valorização progressiva dos fatos e das evidências nas empresas de jornalismo.

Neste ponto, acredito que o ideal seja buscar um meio-termo – um equilíbrio entre intuição e racionalidade. Dados são uma e não a única perspectiva.

Contudo, a cada dia fica mais evidente que essa “cultura de dados” impulsionada por um processo de maior racionalidade na gestão é um caminho sem volta. Hoje em dia, as decisões não precisam ser necessariamente consensuais, mas têm que ser sempre justificadas (com dados).

Uma “data-driven culture” impõe muitas mudanças numa empresa de jornalismo. As decisões deixam de ser personalizadas e as ações passam a ser pró-ativas em vez de reativas. A área de TI (infra e desenvolvimento) passa a ter um papel bem mais relevante, pois é ela quem vai gerar, mesclar e analisar muito dos dados que apoiarão o processo de decisões editoriais.

Não é à toa, portanto, que publicações como Guardian, NYTimes e Financial Times passaram a tratar as suas áreas de TI como estratégicas (de geração valor) e não simplesmente como um departamento operacional ou de apoio.

É uma mudança e tanto para um conjunto de empresas de jornalismo que até outro dia achava que o seu negócio era apenas fazer “jornal de papel”.

Veja também: As eleições da Era do Big Data

Author: "Tiago Dória" Tags: "jornalismo, Big Data, cultura de dados, ..."
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