• Shortcuts : 'n' next unread feed - 'p' previous unread feed • Styles : 1 2

» Publishers, Monetize your RSS feeds with FeedShow:  More infos  (Show/Hide Ads)


Date: Monday, 10 Apr 2006 06:49

06judas.600.jpgFoto: Kenneth Garrett, via Associated Press.

Runeberg . . . admitiu que Jesus, “que dispunha dos consideráveis recursos que a Onipotência pode oferecer”, não precisava de um homem para redimir todos os homens. Rebateu, depois, aqueles que afirmam que nada sabemos do inexplicável traidor; sabemos, disse, que foi um dos apóstolos, um dos eleitos para anunciar o reino dos céus, curar os doentes, limpar os leprosos, ressuscitar mortos e tirar demônios (Mateus 10:78; Lucas 9:1). Um homem a quem distinguiu assim o Redentor merece de nós a melhor interpretação dos seus atos. Imputar o seu crime à cobiça (como fizeram alguns, alegando João 12:6) é resignar-se ao móvel mais torpe. Nils Runeberg propõe o móvel contrário: um hiperbólico e até ilimitado ascetismo. O asceta, para a maior glória de Deus, vilifica e mortifica a carne; Judas fez o mesmo com o espírito. Renunciou à honra, ao bem, à paz, ao reino dos céus, como outros, menos heroicamente, ao prazer. Premeditou com lucidez terrível suas culpas. No adultério costumam participar a ternura e a abnegação; no homicídio, a coragem; nas profanações e blasfêmia, certo fulgor satânico. Judas elegeu aquelas culpas não visitadas por nenhuma virtude: o abuso de confiança (João 12:6) e a delação. Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor (I Coríntios 1:31); Judas buscou o inferno, porque a felicidade do Senhor lhe bastava. Pensou que a felicidade, como o bem, é um atributo divino e que não devem usurpá-lo os homens.

[...] A fins de 1907 Runeberg terminou e revisou o texto manuscrito; quase dois anos transcorreram sem que ele o entregasse à imprensa. Em outubro de 1909, o livro apareceu com um prólogo (morno a ponto de ser enigmático) do hebraísta dinarmarquês Erik Erfjord e com esta pérfida epígrafe: No mundo estava e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu (João 1:10). O argumento geral não é complexo, se bem que a conclusão é monstruosa. Deus, argumenta Nils Runeberg, rebaixou-se a ser homem para a redenção do gênero humano; cabe conjecturar que foi perfeito o sacrifício obrado por ele, não invalidado ou atenuado por omissões. Limitar o que padeceu à agonia de uma tarde na cruz seria blasfemo. Afirmar que foi homem e que foi incapaz de pecado encerra contradição: os atributos de impeccabilitas e de humanitas não são compatíveis. Kemnitz admite que o Redentor pudesse sentir fadiga, frio, turvação, fome e sede; também cabe admitir que pudesse pecar e perder-se. O famoso texto brotará como raiz de terra sedenta; não há bom parecer nele, nem formosura; desprezado e o último dos homens; macho de dores, experimentado em quebrantos (Isaias 53:23) é, para muitos, uma previsão do crucificado, na hora de sua morte; para alguns (verbi gratia Hans Lassen Martensen), uma refutação da formosura que o consenso vulgar atribui a Cristo; para Runeberg, a pontual profecia, não de um momento, mas de todo o atroz porvir, no tempo e na eternidade, do Verbo feito carne. Deus totalmente se fez homem até a infâmia, homem até a reprovação e o abismo. Para salvar-nos, podia eleger qualquer dos destinos que tramam a perplexa rede da história; podia ser Alexandre ou Pitágoras ou Rurik ou Jesus; elegeu um ínfimo destino: foi judas.
Jorge Luis Borges . . .


Parte de um plano secreto
amigo fiel de Jesus
eu fui escolhido por ele
para pregá-lo na cruz
Cristo morreu como um homem
um martir da salvação
deixando para mim, seu amigo
o sinal da traição
e Raul Seixas . . .


Ao contrário da versão dos quatro Evangelhos oficiais, o texto em questão indica que Judas era um iniciado que traiu Jesus a pedido dele próprio, e para a redenção da Humanidade. A principal passagem do documento é atribuída a Jesus, que diz a Judas: "Tu superarás todos eles. Tu sacrificarás o homem que me cobriu."

. . . já sabiam disso.

PS: A tradução do trecho de "Tres versiones de Judas", de Jorge Luis Borges, é de minha responsabilidade. Só a tradução.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Filosofia"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Friday, 07 Apr 2006 03:37

O Partido Democrata americano é uma equipe de futebol que, perdendo de 1 x 0 aos 10 minutos do segundo tempo, jogando em casa, com um jogador a mais, o juiz a favor e os adversários brigando entre si, decide substituir os atacantes por zagueiros.

É de lascar.

Ah, tão mais divertida é a política tupiniquim, com suas histórias mirabolantes!

Sugestão do dia: Flamewars Survival Guide, genial post do Ratapulgo.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Polí­tica"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Thursday, 06 Apr 2006 23:34

cortes_lula_paebiru~~_101b.jpg É das coisas mais malucas e assombrosas que já se fez em música brasileira, mas eu me surpreenderia muito se eu tiver mais de 5 leitores que a conheçam. O nome é escrito assim mesmo, com a combinação agramatical de acentos.

Em 1973, o paraibano Zé Ramalho estava cansado de animar bailes em bandas de iê-iê-iê de João Pessoa e Campina Grande. O pintor Raul Córdula lhe avisou que no Recife havia um pessoal diferente, conhecido pela alcunha de udigrudi pernambucano. Foi pra lá. O guru era Lula Côrtes, um hiperativo que dividia seu tempo entre o desenho e o seu inseparável (e legendário) tricórdio.

Este disco não foi a estréia de Zé. Ele havia entrado no estúdio em 1973 para participar de uma maluquice coletiva chamada Marconi Notaro no Sub Reino dos Metazoários. Lula Côrtes se firmara como líder da turma durante a I Feira Experimental de Música do Nordeste (11/11/1972), também conhecida como Woodstock cabra da peste.

“O ácido era distribuído ao público, cerca de duas mil pessoas, dissolvido num balde com K-suco”, testemunhou depois Marco Polo, futuro membro da Tamarineira Village, numa entrevista ao jornalista pernambucano José Telles (autor de Do Frevo ao Manguebeat, Editora 34).

No início de 1974 Zé foi apresentado a Lula, que vivia com a namorada Kátia Mesel no então distante subúrbio de Casa Forte (que virou bairro nobre do Recife). Lula lhe falou da Pedra do Ingá e da idéia de fazer um disco inspirado no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte. O disco foi feito em 1975 no estúdio da Rozenblit (empresa fundamental para a história da música pernambucana) e lançado imediatamente. Mas na terrível enchente de julho daquele ano no Recife, as águas do Capibaribe invadiram a fábrica e destruíram praticamente toda a prensagem do disco, com a exceção de 300 cópias que haviam sido levadas para a casa de Lula e Kátia.

Dessas 300 cópias nasceu o mito, que é tão incrível que há gente que não acredita.

Hoje é possível encontrá-lo em CD, lançado pela Shadoks, um obscuro selo alemão. Aí no Brasil o disco sai por um preço bem salgado: alguém oferece um exemplar do CD no Mercado Livre por 120 mangos. No site da CliqueMusic é possível ouvir os primeiros 30 segundos de cada faixa. E também está disponível por aí na rede, claro, para quem tem as manhas.

Eu acho 90% do que se passa por “psicodelia” uma grande embromação. O Pink Floyd fez um disco, chamado The Piper at the Gates of Dawn (1967), ainda com Syd Barrett. O resto é trilha sonora de imberbe experimentando um baseado pela primeira vez. Estou em boa companhia ao achar o Grateful Dead uma chatice: o desfrute da música depende seriamente de uma ajudazinha de psicotrópicos e da mitologia da "viajandice" propagada pela banda.

Não é o caso deste LP duplo, em quatro partes: Terra, Ar, Fogo, Água. 11 canções no total, sendo o “Ar” representado só por duas faixas. “Trilha de Sumé”, com 13 minutos, passa por tambores, cantorias em marcação de coco, flauta, saxofone, o tricórdio de Lula e a guitarra distorcida de Zé Ramalho. É impossível saber o que vai acontecer no momento seguinte. As seqüências melódicas são interrompidas por cantorias de pássaros, sons de cachoeiras e outros barulhos da natureza que vão pontuando a viagem. “Harpa dos Ares” é uma bela peça instrumental com diálogo de cordas, flauta e canto de pássaros. O fechamento da parte “Terra” é com “Não existe molhado igual ao pranto”, melodia arrastada à base de cordas, com gritos esganiçados ao fundo (sugerindo tortura, talvez) e solos de sax. O barítono rouco e arranhado de Zé ecoa melancólico: Não se escuta da terra quem for santo / Não se cobre um só rosto com dois mantos / Nem se cura do mal quem só tem pranto / Nenhum canto é mais triste que o final.

Eu gosto menos da seqüência do “Ar” (faixas 4 e 5) que é mais plácida, menos trabalhada musicalmente e mais dependente de ruídos externos.

A seqüência “Fogo” começa com uma canção intitulada com versos que depois ficariam famosos na voz de Zé: “Nas paredes da pedra encantada / os segredos talhados por Sumé”. Essa é um petardo, um rock alucinógeno, com bateria, baixo, órgão. Um resenhista definiu a canção como “o som que os Doors teriam se eles fossem capazes de se divertir”. Essa seqüência termina com “Maracas de Fogo” e "Louvação a Iemanjá”, um canto responsorial sobre um batuque polirrítmico bem próprio dos sons dos orixás. Mais três faixas completam o disco, louvando a água: ali de novo predominam as cordas, pontuadas por ruídos aquáticos vários. Destaque para “Pedra Templo Animal”, um xaxado psicodélico.

Em 2003 eu vi um show de Zé Ramalho no Canecão, como convidado de Jorge Mautner. Depois, tive acesso ao camarim, porque estava com o mestre. Ia perguntar sobre Paêbirú. Não perguntei. Saí e fui escutar Mautner dissertar sobre Heidegger na areia de Ipanema.

Leitor: não morra sem ouvir este disco.

PS: se alguém conhecer outra resenha deste disco em português, além da minha e das duas páginas dedicadas a ele por José Telles em Do Frevo ao Manguebeat, por favor me avise.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Música"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Manias   New window
Date: Wednesday, 05 Apr 2006 01:42

maniacs-800w.gifCrédito

A Christiana Nóvoa passou para o Biajoni, que me passou o meme das cinco manias. Para relaxar um pouco das discussões políticas, aí vão as manias minhas atualmente liberadas para disseminação pública:

1. Jamais fazer uma lista de cinco coisas. É sério. Qualquer outro número vale. Cinco não.

2. Nunca beber o café até o final, mas deixar um restinho suficiente para cobrir o fundo da xícara. Com a comida, a mesma coisa: nunca limpar o prato completamente, mas deixar meia garfada que seja. Essa mania é tão poderosa que venceu até a minha criação católica.

3. Com o cigarro, o contrário: nunca apagar um cigarro que não tenha sido fumado até o toco.

4. Jamais fazer baliza com o cinto de segurança afivelado. Alinhar o carro, soltar o cinto, depois fazer a baliza.

5. Organizar obsessivamente livros e CDs, por assunto e ordem alfabética. Todo o resto – roupas, calçados, documentos – vive numa desordem absoluta. Mas os livros e CDs têm que estar organizados: aqueles entre literatura (poesia e prosa) e livros de não ficção. Primeiro literatura brasileira, depois hispano-americana, anglo-americana, francesa, alemã, russa e depois os outros. Entre os de não ficção, só a ordem alfabética por autor, o que produz hilárias vizinhanças entre um livro sobre a Copa de 1954 e um tratado filosófico. Os CDs, a mesma coisa: música brasileira e não-brasileira. Dentro de cada grupo, ordem alfabética por sobrenome. A coleção brasileira vai de Fernanda Abreu a Tom Zé. A não brasileira vai de Louis Armstrong a ZZ Top (sim, eu tenho um disco de ZZ Top). Obsessivo-compulsivo, vai dizer?

6. Ao ler um livro acadêmico, sempre começar pela bibliografia.

7. Ao chegar numa cidade nova, reservar sempre uma tarde para perder-se . Sem mapa, sem roteiro, sem dicas, sem companhia. É uma mania antiga: sempre achei que é fácil aprender a andar numa cidade. Difícil é aprender a perder-se (um doce para quem souber quem eu estou citando aqui).

8. Ao chegar num estádio de futebol, tentar encontrar um assento exatamente na direção da linha do meio-campo. Só não foi possível quando fomos ao Estádio Nacional do Chile, onde os assentos no meio-campo são de luxo e custam uma fortuna.

Para quem eu passo a batuta? Para quem quiser.

PS: Hoje eu inaguro algo que vou tentar manter diariamente, uma sugestão de blog para fechar cada post. Aqui vai a sugestão do dia: a Bibi, do Bibi’s Box (um dos projetos mais interessantes, inovadores, úteis e inteligentes da internet brasileira) inaugurou há alguns meses, com sua competência habitual, um blog para cinéfilos. Com vocês, o Cinematógrafo. Recomendadíssimo.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Primeira Pessoa"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Monday, 03 Apr 2006 01:05

ubaldo.gif Ubaldo, que, dizem os mais velhos, era melhor que Reinaldo.

Uma das instituições saborosas que o gênero conversa sobre futebol legou à cultura são as inevitáveis seleções de todos os tempos, a escolha dos melhores em cada posição, os 11 verdadeiramente supimpas que jogaram por cada clube, por cada país ou pelo planeta. Esse gênero, praticado por fanáticos de futebol de todas as gerações, compara os craques de diferentes épocas. Padece, portanto, de uma assimetria: só uma parcela ínfima do eleitorado viu Domingos da Guia, Leônidas ou Patesko jogar. Uma parcela maior, mas também pequena, tem anos suficientes para ter visto Zizinho ou Ademir de Menezes ao vivo. Hoje em dia, já bem mais de 50% da população brasileira é jovem o bastante para jamais ter visto o Rei Pelé em ação. Como escalar qualquer seleção de todos os tempos numa mesa em que a maioria começou a curtir futebol vendo Zico? E uma boa parte nem de Zico se lembra, já que foi introduzida aos encantos da bola por Bebeto e Romário? Aí é que entra o papel do videotape, mas não só do vídeo: mais que qualquer outra coisa, entra aí o papel do anedotário, da contística, das lendas do futebol, propagadas oralmente e por escrito.

Como comparar essas diferentes épocas? Com a ajuda da música e da literatura, claro.

Conheça os testes infalíveis para escalar as seleções de todos os tempos, o texto deste mês no Alegorias, a minha coluna na Germina.

(e quem tiver outros testes infalíveis do gênero, volte depois para compartilhar).

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Futebol e redondezas"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Friday, 31 Mar 2006 23:48

serra.jpg

Copiem, circulem (eu tirei daqui).

O vídeo do mentiroso é esse aqui.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Polí­tica"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Friday, 31 Mar 2006 21:09

Sabe-se que o golpe militar brasileiro – o aniversário vem aí – só se consumou realmente no dia primeiro de abril. Sim, foi em 31 de março que o general Olympio Mourão Filho partiu com suas tropas para o Rio de Janeiro, movimento que Castello Branco julgou intempestivo e tentou bloquear com um telefonema a Magalhães Pinto. Sim, foi em 31 de março que se unificaram no Vale do Paraíba as tropas do General Murici e as do General Morais Âncora, este último encarregado por João Goulart de prender Castello Branco. Âncora desobedeceu, optando por evitar o que provavelmente teria sido o estopim de uma guerra civil.
golpe-31-03.jpg
Foto: Tanques na Avenida Presidente Vargas (obrigado pela correção, Tania)

Mas é no dia primeiro de abril que ocorre a unificação de toda a liderança militar e a consumação do golpe, que havia sido marcado para o dia 04 de abril, tendo sido depois adiado para o dia 08 porque, segundo o general Carlos Guedes, nada que se faz em lua de quarto minguante dá certo.

Fugindo da lua de quarto minguante, a camarilha golpista terminou condenada ao dia da mentira, cuidadosamente evitado nos livros de história por uma sutil manobra sofista.

E haja sofisma, nesta época eleitoral.

***************

Um dos momentos mais divertidos que tive ano passado no Brasil foi durante a exibição de um Manhattan Connection, em que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo comentavam – sem haver assistido – o filme Brokeback Mountain. Repetiam a cantilena da extrema direita americana: trata-se uma “politização” inaceitável do western, da utilização de um gênero para avançar a “agenda gay”, etc. e tal.

Foi a cena mais divertida da minha estadia: ver Reinaldo Azevedo, com aquele anelzinho, desmunhecando vigorosamente contra os cowboys gays.

***************

E agora eis que a Primeira Leitura, revista que abertamente se assume tucana, não vê nada de errado em receber dinheiro de um banco estatal de São Paulo, um estado administrado por um tucano. Esses são os mesmos que falam do “maior escândalo de corrupção da história”. Não vêem nada de errado nisso, por quê? Segundo Azevedo, porque

Primeira Leitura, de fato, foi criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros. Mas não pertence mais ao ex-ministro desde setembro de 2004. Como informa o próprio jornal, “de outubro de 2004 até julho de 2005 (...), Primeira Leitura circulou com anúncios de página dupla da Full Jazz”. Ou seja: Mendonça de Barros já não tinha mais qualquer vínculo com a revista, de que deixou de ser, infelizmente, até mesmo colunista.

Como se Primeira Leitura tivesse deixado de ser tucana depois que Mendonça de Barros a abandonou, como se o governo de São Paulo não tivesse sido tucano entre outubro de 2004 e julho de 2005, como se um vínculo como esse, entre uma revista partidarizada e um fundo de dinheiro público – gerenciado, ainda por cima, por um pré-candidato a presidente – não fosse tão ou mais escandaloso que qualquer evento do suposto “maior escândalo de corrupção da história”, o do governo do PT.

Mas as justificativas esfarrapadas não terminam por aí. Segundo Azevedo, o mais “importante” é que seu apoio a José Serra durante o processo de decisão do PSDB o eximiria de qualquer responsabilidade nessa maracutaia:

Se estivéssemos mesmo fazendo site e revista a soldo de Geraldo Alckmin, seríamos, ademais, notórios traidores, vira-casacas. Que saibamos, Primeira Leitura foi o único veículo de comunicação que anunciou seu apoio à pré-candidatura de José Serra à Presidência da República (link)

Ou seja, como apoiamos outro pré-candidato na disputa interna do PSDB, está provado que somos inocentes de qualquer acusação. É como se um deputado do PT beneficiado com o caixa 2 de Delúbio se defendesse dizendo que pertence a uma corrente interna diferente da corrente de Delúbio dentro do PT. Com a diferença, claro, que todo o dinheiro dos anúncios da Nossa Caixa na Primeira Leitura é dinheiro público.Na seqüência de sofismas, Azevedo conclui:

No texto da primeira página, afirma a Folha, referindo-se inclusive a nós: “Os demais acusados também negam irregularidades”. Pergunta-se ao jornal: do que somos “acusados” exatamente? (link)

Expliquemos de novo, então: vocês são acusados de receber dinheiro público para financiar uma revista partidária, dinheiro que curiosamente vem do estado administrado pelo partido de vocês. Disso vocês são acusados. E não se explicaram ainda.

***************

Mas a Primeira Leitura não tem só colaboradores como Reinaldo Azevedo, que recorre a sofismas de escola de primeiro grau para justificar maracutaias piores que aquelas que o “escandalizam” tanto, desmunheca contra os cowboys gays, tece loas ao Papa mais reacionário dos últimos tempos, e em fevereiro diz que as "agressões" dos partidários de Alckmin “imitam” o estilo petista para em março declará-lo salvação do país.

Tem também colaboradores de outro nível, como Roberto Romano, professor de Filosofia da UNICAMP. Roberto Romano não é um idiota, não é um Olavo de Carvalho. É autor de uma respeitável obra. Mas vejamos o que ele dizia antes e o que ele diz agora.

Em 2000, quando FHC e Paulo Renato submetiam as universidades federais brasileiras ao maior sucateamento da história, o Prof. Romano dizia:

É muito interessante que comecemos a falar de universidade, porque o que aconteceu nestes últimos seis anos no Brasil foi um desmonte programado, intencional, racional, de todo um sistema de produção de saberes. . . . Fernando Henrique . . . e o seu ministério, a começar pelo ministro Paulo Renato, têm uma responsabilidade muito grande sobre o que está acontecendo. Ao abraçar o Antônio Carlos Magalhães, e ao abraçar essa via do possível, o que fez ele? Escolheu o caminho da tradicional dominação brasileira, violentíssima, paternalista e mentirosa.

Numa louvável denúncia do que o tucanato fez com a universidade brasileira, o Prof. Romano chegou a falar de “genocídio programado”. Curiosamente, em janeiro deste ano, ele dizia que

O PSDB é uma das últimas fronteiras políticas em prol do Estado democrático de direito.

Claro que a todos é dado o direito de mudar de opinião, mas nada nos textos do Prof. Romano nos explica como o partido que patrocinou o “genocídio programado” que ele denunciou há seis anos se converteu, num passe de mágica, em bastião da moralidade. Prof. Romano, se o sr. quer defender as CPIs com o argumento de que

sem CPI, quantos saberiam algo sobre as façanhas de PC Farias, dos Anões do Orçamento, do mensalão, do Land Rover do Silvinho, do conúbio entre Delúbio e certos agentes pouco ortodoxos do mercado, etc? (link)

o sr. poderia explicar por que os apoiadores do PSDB bastião do "Estado democrático de direito" sufocaram nada menos que 69 pedidos de CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo? Nenhuma delas se justiificava segundo o "Estado democrático de direito"?

Mas o Prof. Romano vai mais longe. Defendendo, em janeiro, a candidatura de Serra a presidente, ele dizia que o documento assinado por José Serra, em que ele se comprometia a ficar 4 anos na prefeitura de São Paulo era um “papelucho” sem valor porque

. . . um ato humano só pode ser válido quando feito sem constrangimentos externos, quando o diálogo que conduz a ele é efetivado com plena boa-fé do seu beneficiário . . . Serra foi constrangido por um truque petista (link).

Ora, Prof. Romano, assista esse vídeo aqui, em que Serra promete ficar 4 anos na prefeitura, e me diga se ele foi constrangido por algum “truque petista”.

Mas a coisa ainda piora para o lado do professor. Dando uma nítida “carteirada” de autoridade – como se ele, autor de pelo menos um belo livro, precisasse disso – o Prof. Romano afirma:

Como o PT possui gente que se arvora em especialista na filosofia de Spinoza (mas até o nome do filósofo deturpam, grafando-o contra toda a tradição como “Espinosa”), citarei a Ética e a Política spinozana para aclarar o caso da assinatura de Serra no documento/armadilha que lhe apresentaram.

Com essa grosseira referência, Romano obviamente alude a Marilena Chauí, autora de vasta obra espinosiana. Ora, que coisa feia, professor! Aprenda com os blogueiros! Quando se quer criticar alguém diretamente, nomeamos-no e damos o link. Deu para entender? Não é difícil. Se quer criticar Chauí, maravilha. Se quer questionar sua leitura de Espinosa, eu, particularmente, seria todo ouvidos, porque o tema me interessa muito. Mas deveria evitar essas referências grosseiras, não nomeadas, a uma mulher que tem um currículo infinitamente superior ao seu.

Sobre Marilena Chauí, há que se dizer, professor, e o senhor sabe disso, apesar de fingir não saber: ela não “se arvora” em especialista em Espinosa (sim, com E mesmo, escrito à brasileira). Ela é reconhecida em vários círculos espinosianos como a maior autoridade do mundo na obra de Espinosa, e como tal validada em italiano, em alemão, em francês, em espanhol.

Até agora não ouvi falar de ninguém que estivesse aprendendo português para ler o senhor ou a Primeira Leitura. Sei de vários estudiosos que o estão fazendo para ler a obra de Chauí. Ela jamais diria, por exemplo, uma platitude como essa do senhor:

Na Ética (Livro Quarto, proposição 72), Spinoza afirma: “O homem livre não age nunca com fraude, mas sempre de boa-fé” . . . Serra não agiu de má-fé quando assinou um “compromisso” que dele retirava a própria existência política. (link)
spinoza.jpgProf. Romano descobre Espinosa, o fundador do PSDB.

Era só o que nos faltava: o vampiro da meia-noite é o homem livre espinosiano! Ora, professor, mais respeito com a nossa inteligência. Em todo esse debate, eu me encontro mais próximo da sua esposa, a grande acadêmica Maria Sylvia Carvalho Franco, que conclui uma entrevista dizendo:

Estamos num mato sem cachorro.

Atualização 1: Não, Sr. Reinaldo Azevedo, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) não o acusou de ser financiado com dinheiro do PSDB. Acusou-o de ser financiado com dinheiro público. E o sr. continua sem se explicar.

Atualização 2: Se o Prof. Roberto Romano - que acha que o PSDB é bastião do "Estado democrático de direito" - teve a excelente idéia de fazer um blog para disseminar seus textos, seria elegante de sua parte abrir uma caixa de comentários, não é mesmo? Ou alguém poderia achar que ele não quer debater o que escreve.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Polí­tica"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Friday, 31 Mar 2006 16:34

soninha.jpg Em nome da "isonomia" e da "isenção", Soninha já não poderá falar de política em seu blog, hospedado na Folha Online. Está claro que houve uma nítida intervenção censora, que revoltou os leitores do blog. Enquanto isso, Josias de Souza desfila seu tucanismo incólume num blog também hospedado pelo Grupo Folha e cheio de "notícias" tendenciosas, ilações e insultos morais a membros do governo federal.

É a "isenção" da mídia brasileira.

Soninha merece muito mais, mas que conste: o idelberavelar.com e a Verbeat já se colocaram à disposição de Soninha caso ela queira mandar a hospedagem do grupo Folha ao raio que o parta.

PS: o Juca Kfouri, de quem eu gosto muito, pisou na bola nessa caixa de comentários, ao dizer que passou a "indicar, em seu blog, este, da Soninha, exatamente porque, agora, deixou de ser partidário". Isso é ridículo, seu Juca. Seria como eu não linkar a Fefê porque ela é cruzeirense, o Inagaki porque a política dele é diferente da minha, ou a Leila porque ela é anti-tabagista. Ou você gosta do blog e linka, ou não gosta e não linka, mas linkar um blog porque ele foi censurado e passou a ser "apartidário" - condicionar a linkania ao "apartidarismo" num momento em que este é produto de um "cala-boca" - é ser conivente com a censura. Bola murcha para o Juca nessa aí.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Polí­tica"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:49

Um ilustre membro da Academia Brasileira de Letras decreta que Peguei um Ita no Norte é uma "toada de Luiz Gonzaga".

Perdoai, Caymmi, porque não sabem o que fazem.

PS: Ok, ok, a reabertura era dia 31, mas essa foi tão cabeluda que eu não podia deixar passar.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Música"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

Salve, salve, já estamos em gringolândia sem grandes percalços. O que mais fazer num lugar como o aeroporto de Miami senão pagar uma taxa absurda por umas horas de conexão wi-fi e visitar blogs?

A brincadeirinha que se segue foi roubada do meu bróde véio Michael Bérubé. Eu não passo corrente, mas quem quiser roubar ou completar nos comentários, que fique à vontade:

Quatro empregos que você já teve:
1. Office boy.
2. Carimbador de papéis em biblioteca.
3. Professor de inglês.
4. Professor de literatura.

Quatro filmes que você poderia assistir infinitamente:
1. Amacord.
2. Veludo azul.
3. Mulheres à beira de um ataque de nervos.
4. Fogo e paixão.

Quatro lugares em que você morou:
1. Uberaba, Minas Gerais.
2. Belo Horizonte, Minas Gerais.
3. Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA.
4. Champaign, Illinois, EUA.

Quatro programas de TV que você adora assistir:
1. Loucos por futebol, ESPN Brasil.
2. The Daily Show.
3. Inside the Actor's Studio (valeu a lembrança, Cynthia)
4. Qualquer coisa que tenha a Soninha na tela.

Quatro lugares em que você já esteve de férias:
1. Buenos Aires.
2. Santiago.
3. Londres.
4. Serra do Cipó.

Quatro blogs que você visita diariamente:
1. Liberal Libertário Libertino
2. Megeras Magérrimas
3. Bibi's Box
4. Smart Shade of Blue

Quatro de suas comidas favoritas
:
1. Tutu à mineira, com lombo e couve.
2. Churrasco gaúcho / platense.
3. Frango curry indiano.
4. Cordeiro picadinho à moda árabe, com falafel e hummous.

Quatro lugares em que você preferiria estar agora (considerando que no momento estou no aeroporto de Miami, a resposta seria bem próxima a "qualquer um exceto Iraque e Afganistão", mas em ordem de preferência):

1. Bahia
2. Nova York
3. Rio
4. Porto Alegre

Quatro discos sem os quais você não pode viver:
1. Velvet Underground and Nico.
2. Africa Brasil, Jorge Ben.
3. Uma coletânea dos sambas de Caymmi, na voz de lui-même.
4. Uma coletânea qualquer de Lupicínio Rodrigues, na voz do próprio.

Quatro carros que você já teve:
1. 1986 Honda Civic.
2. 1985 Mazda não lembro qual modelo, o mais barato.
3. 1995 Escort Hobby 1.0 (o carrinho que ainda me transporta em BH)
4. 2001 Mazda Protegé (primeiro carro decente da vida, que milagrosamente sobreviveu à enchente em New Orleans graças a Alejandra Osorio e Felipe Victoriano).

PS: Às vezes você está num aeroporto, visita um dos seus blogs favoritos, e aí encontra uma coisa que parece escrita especialmente para você.

PS 2: Com atraso infinito, este blog regista o novo endereço do Almirante.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Primeira Pessoa"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

Cartaz de uma Lan House na Barra, em Salvador:

DSC01731.JPG

Enquanto isso, o Smart Shade of Blue abre uma cadeia de supermercados que já chegou até São Tomé das Letras:

DSC00227.JPG

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Primeira Pessoa"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

Eu ainda não andei o suficiente pela cidade, portanto o que vai aqui são as primeiras impressões. Primeiro, um mapinha para que vocês entendam a coisa:

6.jpg

Só a área ao longo do Rio Mississippi (de ambos os lados) escapou da destruição. Essa é a área a que está reduzida a vida "normal" da cidade, com energia elétrica, comércio, bancos e todo o demais funcionando com normalidade. Tulane University é essa área branquinha do lado esquerdo do mapa, na região chamada de uptown. Foi atingida, mas não da forma devastadora como as regiões inundadas pela água que vazou do lago. Muita gente duvidou, mas a universidade se reestruturou, eliminou alguns programas de pós-graduação (o nosso, em literaturas e culturas latino-americanas e ibéricas, continua firme e forte), mandou funcionários embora e está pronta para reiniciar atividades na próxima terça - tudo ainda um pouco caótico, mas o simples fato de que já vamos começar as aulas é, em si mesmo, espantoso.

No resto da cidade, a coisa é bem diferente. Toda a área próxima ao imenso lago Pontchartrain foi quase que totalmente destruída. Pouca gente de lá voltou. As pessoas que perderam suas propriedades têm direito a um trailer do governo - o drama é que elas devem estacionar os trailers no seu próprio terreno, o que significa, na maioria dos casos, viver num lugar sem luz, sem comércio, sem vizinhos e com montanhas de detritos em volta. Não surpreende que o que mais se veja hoje na cidade seja gente com trailers sem ter onde estacioná-los. Muita gente ainda não recebeu seus trailers.

Se você traçar uma linha horizontal exatamente na metade do mapa, tudo o que estiver acima dessa linha é hoje cidade-fantasma. Mas o horror mesmo é o que está ao leste da linha vermelha.

Ao leste do Industrial Canal, está o Lower Ninth Ward, berço de uma das culturas musicais mais vibrantes do planeta. O Lower Ninth tem uma peculiaridade: é um bairro de classe pobre, mas basicamente de gente que não paga aluguel - famílias negras que são donas de suas casas há gerações. Dali saíram alguns dos músicos mais brilhantes dessa genial cidade da música. Lá no Lower Ninth ainda há toque de recolher, e tudo é pura devastação. Nada indica que seus moradores poderão voltar algum dia, dada a ferocidade da especulação imobiliária que já se instalou na cidade. O bairro anda mais ou menos assim:

3.jpg4.jpg

Leste do Lower Ninth estão os bairros de St. Bernard Parish e Chalmette, também berços da grande cultura musical de New Orleans. Também essas áreas estão, basicamente, desaparecidas. Ao nordeste do Industrial Canal está a região chamada de New Orleans East - e também ali pouca coisa sobreviveu.

A população da área urbana de New Orleans antes do furacão era de 500.000 habitantes (1 milhão se considerarmos a "grande" New Orleans, incluindo os subúrbios). Ela está hoje reduzida a pouco mais de um quarto disso, e mesmo assim tudo (bancos, restaurantes, serviços públicos) está mais cheio, dada a tripinha de terra a que foi reduzida a cidade.

Sobre as responsabilidades da criminosa administração Bush nessa tragédia, este blog já disse o que tinha que dizer. A documentação sobre quantas vezes a cidade pediu verbas para a restauração dos diques é extensa. Obviamente, a esmagadora maioria dos que não podem voltar são os negros, o que é desastroso para a singular cultura de New Orleans. Na reconstrução, são latinos, contratados a salário de fome (e muitas vezes não pagos), os que fazem o serviço.

Claro que há sinais encorajadores. Uma padaria reabre ali, outra casa de show é reinaugurada acolá. Kermit Ruffins, o legítimo sucessor de Louis Armstrong, já está de volta com seu show de quinta à noite no Vaughn's, que vários brasileiros já conhecem - trata-se do primeiro lugar onde eu levo meus hóspedes. Não tenho idéia de como o cabra está dando esse show, porque o Vaughn's fica bem perto do Canal. Mas é para lá que eu vou quando terminar este post, para abraçá-lo. Eu temi muito pela vida de Kermit.

No French Quarter, o bairro turístico, a vida vai pouco a pouco voltando ao normal. No momento, o importante é ganhar a batalha política para que os verdadeiros donos desta cidade, os que a construíram, possam voltar e reocupá-la. A batalha é, naturalmente, morro acima.

PS. A todos os que perguntaram, escreveram e se preocuparam por mim: obrigado. Eu estou bem, e instalado com conforto. Ainda não sei se a metade da minha biblioteca que ficou guardada num galpão (a outra metade está no gabinete) escapou, mas tudo indica que sim, já que o galpão fica no lado oeste do rio. Quanto mais histórias eu ouço, mais eu me sinto abençoado, sortudo e protegido pelos orixás. Graças a três amigos maravilhosos, meu carro está ainda em melhores condições do que estava antes da tragédia.

PS 2. Há uma impressionante coleção de fotos de New Orleans pós-Katrina aqui.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "New Orleans"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

Este blog está fechado por tempo indeterminado, provavelmente em definitivo. Decidi me concentrar nas obrigações profissionais, que são muitas. Obrigado a todos os que passaram por aqui, leram e comentaram. Tudo de bom para vocês.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Metablogagem"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

Primeira e última leva de fotos de New Orleans que o blog publicará:

DSC01759.JPGDSC01758.JPG
mid-city

DSC01772.JPGDSC01774.JPG
lakeview

DSC01780.JPGDSC01777.JPG

Os códigos nas casas significam: 1) esquerda, a unidade da Guarda Nacional que a vasculhou em busca de corpos (no caso, Nebraska); 2) acima, data da busca; 3) abaixo, número de corpos encontrados (aí no caso, nenhum). Note-se que os habitantes dessa casa provavelmente escaparam (ou tentaram escapar) pelo telhado.

DSC01804.JPGDSC01797.JPG
Ironia: na casa destruída, uma placa de protesto contra o número excessivo de conselhos de administração dos diques; atrás, um guarda-roupa que sobreviveu.

Algumas coisas em New Orleans não mudam nunca, e o bom humor é uma delas: entre os muitos adesivos de carros comuns por aqui, havia um que dizia: New Orleans, proud to call it home. Ele acaba de ser substituído por este:

swimhome_med.gif

Author: "Idelber Avelar" Tags: "New Orleans"
Send by mail Print  Save  Delicious 
Date: Saturday, 25 Mar 2006 23:48

A vida anda se ajeitando, e este blog será reaberto.

No dia primeiro de abril, para não perder a piada.

Até lá.

Atualização: acabo de ver que primeiro de abril é sábado, dia em que o movimento na blogosfera arrefece um mucadinho. Combinemos a reabertura para o dia 31 de março então, o que não deixa de ser um dia da mentira também.

Author: "Idelber Avelar" Tags: "Metablogagem"
Send by mail Print  Save  Delicious 
» You can also retrieve older items : Read
» © All content and copyrights belong to their respective authors.«
» © FeedShow - Online RSS Feeds Reader