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esse post todo é um spoiler, então só leia se não se importar em saber o final de lost.
há alguns dias atrás, quando fazia uma maratona da última temporada de lost para conseguir assistir ao último episódio junto com o resto do mundo, tuitei sobre como eu preferiria ser surpreendido no final ao invés de um capítulo que mastigasse todas as explicações para os mistérios da ilha. bom, não foi nem uma nem outra coisa: não se resolveu quase nada, tampouco foi um episódio surpreendente.
ouvi uma história uma vez sobre uma novela de rádio brasileira antiga que fez muito sucesso. para estender a trama, foi-se introduzindo mais personagens. no final, tinha tanta gente para arrumar desfecho que o roteirista se valeu de um truque: colocou metade do elenco num ônibus para ir à um piquenique e o jogou de um precipício. pronto, morreu todo mundo.
o que aconteceu no final de lost? o roteirista matou todo mundo! foi todo mundo pro céu! (menos o ben que, sabemos, não é do que são feitos os anjos). isso deve ser explicado na primeira hora da primeira oficina de roteiro de paranapiacaba como o que não se deve fazer, minha gente!
é como se você tivesse lendo o livro policial mais foda da agatha christie e no final ela escreve que não vai revelar quem matou, porque o que valeu foi a jornada até ali. o que você diria? “sua véia senil, não leio mais nenhum livro seu!”
lost, como também um bom whodunit, ia nos dando pistas e criando regras e nos pedia para mantê-las em mente para elucidar o grande mistério no final. só que essas pistas, inexplicáveis e inesperadas (invariavelmente terminando com a assinatura sonora/cliffhanger alert “poff!” que fechava todos os episódios) passaram a ser o combustível da série, como o novo personagem na novela de rádio. é o truque da cagação de regra: homem-fumaça não pode sair da ilha (poff!), ninguém pode ter bebês na ilha (poff!), não pode sair da ilha com qualquer barco (poff!)
terminar uma temporada que teve alguns episódios bem recheio de linguiça sem resolver ao menos metade das regras é uma coisa que quebra o contrato de confiança entre audiência e programa. vou pensar várias vezes antes de assistir a outra série dessa turma, mesmo. sério.
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