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Date: Saturday, 11 May 2013 20:01
O Leonardo Sakamoto escreveu um artigo interessante sobre os críticos do bolsa-família e indaga por que é que esses não reclamam do dinheiro dado pelo governo aos ricos. Eu digo interessante porque eu também tenho problemas com as pessoas que criticam o bolsa família na base. Eu entendo que ele tem algumas conseqüências complicadas no mercado de trabalho, mas eu enxergo vantagens na caridade institucional através de um programa incrivelmente barato para o governo.

O problema é que Sakamoto é difícil de ser levado a sério porque ele sofre do males crônicos de autores descendentes de Rousseau. No caso desse texto, por exemplo ele escreve covardemente "não estou criticando ninguém" depois de dedicar um parágrafo criticando aqueles que induzem comportamento a partir de um caso, e os que pagam mais por uma garrafa de vinho do que gastam com salário de empregados. É o tipo do autor que parte de uma idéia (vamos criticar os vagabundos ricos, afinal o governo gasta com eles a dívida pública?) e tenta forçar a realidade pra se conformar com sua idéia. É por isso que ele precisa toma algumas liberdades como a acima.

Ele se esquece por exemplo de que "filhinho-de-papai" é um termo comum e pejorativo em todos os estratos sociais. Assim como "latifundiários" ou "industriais" é pejorativo em vários círculos. Ele mesmo usa a ironia do dízimo, ironia que funciona porque é parte da cultura corrente considerar o pagamento de dízimo uma transferência de renda pra uma instituição já rica e vagabunda. Já faz parte da cultura corrente criticar os vagabundos ricos tanto quanto os vagabundos pobres, ele não propõe nada de novo.

O problema maior com o texto do Sakamoto é que ele voluntariamente ignora que a crítica FUNDAMENTAL do discurso liberal contra o controle do fluxo de dinheiro pelo estado é a geração de vagabundos, tanto ricos quanto pobres! É a mesma crítica que Lobão fez da lei Rouanet, que gera vagabundos da classe artística. É a mesma crítica que muitos fazem ao investimento do estado em pesquisa, que gera vagabundos na classe intelectual. É a velha crítica do Reinaldão aos jornalistas que são sustentados pelo governo. É a crítica dos que não gostam do BNDES.

Sim, Sakamoto está se referindo especificamente ao gasto governamental com a dívida pública, mas aí é falsa ingenuidade da parte dele. Ele sabe muito bem que juros em dívida pública não é doação de dinheiro pra quem é rico e sim remuneração por recursos emprestados ao governo. Se eliminássemos o bolsa-família, o estado teria mais dinheiro. Se zerássemos o juros na dívida, ninguém emprestaria ao estado e ele teria menos dinheiro.

E essa sacanagem argumentativa é importante porque para Sakamoto, o rico que deve ser criticado não é exclusivamente o vagabundo, aquele que toma o recurso do BNDES mas não produz. Ele também critica o rico que investe, faz lucro e empresta esse lucro ao governo, como deixa escapar em "(...) com distribuição imediata (e não depois que o bolo crescer)". E é esse tipo de discurso que faz o criticado ser tachado de fundamentalmente comunista. Criticar vagabundo rico é a essência dos que criticam o comunista.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Sunday, 14 Apr 2013 20:18
O mais recente livro em minha jornada para entender a cultura literária contemporânea foi "White Tiger" (Aravind Adiga), vencedor do prêmio Man Booker de 2008. O livro conta a história de um homem indiano de origem miserável que conquistou arduamente seu espaço na sociedade. Esse tema parece remeter ao da história de Slumdog Millionaire.

Mas, ao contrário de Jamal Malik, sua ascensão social não se deu como num conto de fadas em um universo brutal. O protagonista do filme nunca perde sua bondade interna. E isso é possível porque, por mais sofrida que tenha sido a vida de Jamal, a fortuna aparece como resultado de eventos fortuitos, uma recompensa kármica que resulta de sua bondade. Em Slumdog Millionaire, existe uma justiça divina.

Já o universo em que Balram Halwai vive é muito mais injusto, é sombrio, onde é impossível ser recompensado por atitudes nobres. A única maneira de ascensão social é através da conquista brutal do ambiente corrupto e feio. Balram desce moralmente a esses níveis de feiura para poder subir na vida. O que torna esse romance notável é que, ao invés de utilizar o subterfúgio da luta de classes na sociedade, vemos a luta interior entre bondade e sucesso corroendo o interior de Halwai.

Não são os personagens em volta dele nem sentimentos de nobreza ou de justiça social que o levam a pecar contra a sociedade mas sim seus pecados e desejos interiores. Halwai rouba porque quer foder uma prostituta estrangeira. Halwai mata porque teme ser demitido por seu patrão. Do ponto de vista da narração retrospectiva, Halwai racionaliza suas atitudes através da imagem da opressão no galinheiro, imagem que ele usa para descrever a injustiça intrínseca de seu universo. Mas a angústia com que ele descreve seu estado mental diante das escolhas mostram que Halwai percebe o custo que escolhas "maquiavélicas" tem pra sua alma.

Balram entende que vive num mundo em que pessoas são punidas por fazer o certo. E ele faz o errado sabendo que será premiado. Mas, enquanto ele segue na direção sul, sua bússola moral continua orientado para o norte, ele continua consciente da diferença entre certo e errado. Jamal continua sendo uma pessoa boa após sua vida tortuosa. Balram continua sabendo o que é o bem.

A única crítica que eu tenho a esse livro é que o uso da primeira pessoa é artificial. Balram demonstra uma capacidade milagrosa de compreensão de seu mundo, digna de um narrador omnisciente. Por outro lado, os sentimentos de culpa, angústia, inveja aparecem quase sempre através de simbolismos no mundo efetivo, raramente pelo fluxo de pensamentos. E a estrutura confessional não altera em nada o estado do autor ao longo da história. Por esses motivos, eu acho que o romance poderia muito bem ter sido escrito em terceira pessoa. O único motivo que vejo para o uso da primeira pessoa é o fato de que o autor pode se esconder atrás do personagem para emitir opiniões politicamente incorretas, o que para mim é uma atitude covarde.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Wednesday, 03 Apr 2013 02:04


Eu admito ter uma pequena obsessão com eventos esportivos. Sim, eu gosto de praticar esportes, mas o prazer que eu tenho em assistir eventos, analisá-los, é infinitamente maior. E não é só uma distinção de grau, é uma distinção de tipo. Correr, nadar, jogar basquete dá aquela sensação agradável de quem fez alguma coisa, mais ou menos parecido com a de atingir uma meta no trabalho ou provar um teorema. É difícil mas é uma consequência natural de esforço e dedicação. Não há nada milagroso nisso.

Já o ato de torcer para um time é um ato de confiança, um ato de fé. Você não está lá dentro suando a camisa. Você está do lado de fora, suando frio, emoções indo e vindo de acordo com a performance de um grupo de atletas que nada tem a ver com você. Esse tipo de alegria e de tristeza genuínas que vem de um evento do qual você não tem nenhum controle dá, paradoxalmente, uma sensação de liberdade para sentir despudoradamente. Esse tipo de experiência, fundamentalmente inconsequente, dá vazão a uma necessidade à minha necessidade de ser ilógico, irracional, supersticioso de entender que tem coisas na vida que fogem do meu controle e que eu devo que fazer as pazes com isso.

Não é coincidência que meu fanatismo esportivo cresceu na medida em que passei a ter mais controle das pequenas coisas da minha vida. Durante meu doutorado, quanto mais claro ficavam meus circuitos genéticos, mais eu gostava de me perder no caos das temporadas de basquete, hóquei e futebol americano da Universidade de Michigan. Foi assim que virei fã. E como bom fã, assim que soube que um jogo entre a meu time e o time da Universidade de Kansas, pelas oitavas de final do torneio nacional de basquete universitário* seria relativamente perto, em Dallas, comprei um ingresso com amigos e fui.

*Nos EUA, esportes universitários, principalmente basquete e futebol americano, são bastante relevantes.

Kansas era o time favorito. A maioria dos analistas previam uma derrota por 10 pontos. E o jogo quase se deu como os analistas previam:


Faltando pouco menos de 3 minutos para terminar o jogo, Michigan perdia por 11 pontos. A esperança já me abandonara. Pensamentos auto-consoladores me diziam que a temporada tinha sido boa e que ano que vem seria melhor. Ainda assistia o jogo pra aplaudir os atletas e notar a maravilhosa cesta completamente sem ângulo de um de nossos jogadores que ainda está tentando logo após roubar a bola do atleta de Kansas. E de nosso melhor jogador, Trey Burke, que pressionara o rival tão bem que o relógio estourou. A gente vai perder, a distância é grande demais mas nosso time ainda está lutando! Bem, eles acabaram de fazer outra cesta, mas Trey Burke, três pontos!, mas 5 pontos em 30 segundos... eita eles erraram e Glen Robinson!, só precisamos de 3 pontos em 21 segundos... mas eles tem a bola e... ugh... bandeja, 3 pontos de diferença mas lance livre pra eles, vai ser impossível... Kansas errou! bola é nossa, precisamos de três, precisamos de três, precisamos de três,


PRECISAMOS DE TRÊS.

Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Wednesday, 12 Sep 2012 19:35
Since I had to hack my way to find what was required, I decided to post the things you'll need to do in order to make this work: - Install package ia32-utils (sudo apt-get install ia32-utils) - Link the libc.so.6 to /lib/libc.so.6 (sudo ln -s /lib/x86_64-linux-gnu/libc.so.6 /lib/libc.so.6) - Run the install program using sh (sh install.sh). You may need root access depending on where you want to install it. - The activation process is likely going to fail. You can activate your copy by running from the matlab root (sh bin/activate_matlab.sh -javadir sys/java/jre/glnx86/jre/) - Every time you want to run matlab you'll have to run using the flag -glnx86. Since I use bash, I created an alias (alias matlab='~/matlab/bin/matlab -glnx86').
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Tuesday, 24 Jul 2012 03:19

O livro da vez é "Satie", de Luciano Martins Costa. Eu comprei esse livro baseado no nome, enquanto procurava livros em português numa loja online norte-americana. Achei que fosse um romance minimalista, uma referência ao compositor Erik Satie. Mas o livro é um romance num estilo contemporâneo que me parece comum: narrativas contadas em primeira pessoa, com um viés psicológico machadiano, imersas em um contexto histórico que agem como um imperativo determinsta. Eu chamaria esse estilo de "realismo pós-moderno", ou, pra usar um neologismo de som horroroso que inventei, "enviesismo". Essa descrição se encaixa nos quatro romances contemporâneos que li neste ano: além de "Satie", "American Pastoral", "Legend of Pradeep Matthew" e "Se eu fechar bem os olhos". Esse último romance é o que tem mais em comum com "Satie". Adolescência no Brasil dos anos 60, narrativa em primeira pessoa, história permeada por impressões emocionais, eventos traumáticos utilizados como eixo narrativo. Até o ano de publicação foi o mesmo. Mas ao contrário do vencedor do prêmio Jabuti, este livro é bom.

A história é a de um garoto conhecendo o amor no vale do Ribeira. Através de David, conhecemos um pouco da história da imigração japonesa no interior de São Paulo e do impacto da ditadura* além da perseguição a japoneses durante a segunda guerra. Os personagens adultos são os que mais sentem este impacto: o pai de David, Emanuel de Eiroz, e os pais de Satie, Masato e Satiko Kuno. Emanuel, militar da marinha, participa de uma ação policial trágica durante a segunda guerra mundial, na fazenda dos Kuno. O evento resulta na prisão do tio de Satie, deteriora o relacionamento entre os imigrantes e os brasileiros e dá a fundação a partir da qual a vida de David, que ainda não nascera, correrá.

*Por acaso a ABL obriga todos os livros editados no Brasil a incluir a ditadura?


Mas os eventos políticos e históricos fazem parte apenas do universo dos adultos. David, ao contar sua história, conhece e comenta os eventos, mas estes não fazem parte da memória emocional do narrador. E isto aumenta o grau de verosimilhança da obra: a ditadura e a guerra não foram diretamente traumáticos para o garoto. Por outro lado, a paixão por Satie e as experiências com a morte que o narrador viveu, estas sim marcaram profundamente a vida de David, a tal ponto que ele é incapaz de evitar o uso das emoções na narrativa destes fatos. Não sei se essa separação foi intencional ou foi apenas um produto da honestidade intelectual de um autor inteligente. Mas o resultado é que eu senti que se eu estivesse contando a história de minha adolescência, ela teria essa mesma forma. O plano Real não teria o mesmo tratamento emocional que uma garota.

E é isso que faz deste um livro agradável. Ele rompe com a mania contemporânea brasileira de impor uma visão de mundo enquanto conta uma história. Este livro apenas conta uma história como eu a teria contado. Sim, todo narrador tem uma visão de mundo com a qual ele tinge a narrativa. Mas o narrador que fica sempre explicando tudo, meio à moda Ayn Rand, é um narrador chato e a narrativa soa mais como proselitismo. Mas a partir do momento que este abre mão do controle ideológico de seu texto a força da verdade interior dá o ar da graça e transforma o que era uma imitação de romance em um verdadeiro romance empático, como quem fala "isso foi o que aconteceu, você tire suas próprias conclusões".

O livro está longe de ser "o melhor livro do mundo", mas eu creio que ele está léguas acima de "Se eu fechar bem os olhos". Sem hipérboles, este é o melhor livro brasileiro contemporâneo que li. Não sei se significa alguma coisa porque eu não leio tanto livro assim. Mas ele tem uma qualidade da qual sinto falta na literatura brasileira premiada: a integridade. Existe uma diferença gigantesca entre um discurso político e uma fábula, mesmo quando ambos são completamente ficcionais.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Tuesday, 19 Jun 2012 21:05
Numa dessas coincidências curiosas, o bafafá do gerado em torno do artigo do Leonardo Sakamato aconteceu no manhã depois de eu terminar de ler o livro do Luiz Felipe Pondé. Eu esperava uma desconstrução da filosofia, na linha d'"O guia politicamente incorreto da História do Brasil". Mas esse livro o livro é uma coluna de jornal jogando pedras no pensamento politicamente correto. Um ensaio filosófico, como se propõe o autor.

O ponto fundamental que Pondé critica é a insidiosidade do pensamento politicamente correto nos aspectos de nossas vidas. Não pude deixar de reparar que se trocarmos "politicamente correto" por ora "modernidade", ora "revolucionário", o texto seria uma versão um pouco menos erudita de uma coluna de Olavo de Carvalho. Aliás, eu acho que Pondé se inspirou em Olavo mas não quis dar crédito, pra não ser classificado como olavete.

O livro ataca o politicamente correto por vários aspectos. Culpa o movimento pela covardia moderna, pela mediocridade, por ideologias igualitárias, até mesmo por ansiedades internas de feministas. Mas ele não comenta um dos aspectos mais explícitos do politicamente correto: a definição da violência na expressão, a violência verbal. O politicamente correto parte do conceito de que é possível machucar uma pessoa através da expressão verbal e de que a inviolabilidade do indivíduo abrange esse tipo de "agressão". Daí a defesa de punições contra o "hate speech", a criminalização do "bullying"... Não é muito fácil de fazer um julgamento de valores em cima desses tópicos. Minha opinião sobre a legislação contra o "hate speech" está entre a burrice e a censura, mas uma tentativa de conter o "bullying" em escolas é importante.

O que não é difícil é ver que a conseqüência natural desse movimento é a criminalização de todo tipo de provocação. E é essa linha jurídica que justificaria a proposta idiota de Okamoto. Ostentação nada mais é que uma provocação, semelhante a uma pessoa que xinga a mãe do outro num bar. Por isso a incapacidade de perceber que ele está basicamente culpando a vítima pelo crime, problema que ele já discutiu antes.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "Brasil, idiotas, Idiotismo, jaboticaba, ..."
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Date: Monday, 18 Jun 2012 21:25


Fazia muito tempo que eu não me via perdido ao ler um livro. Minto. Nunca me senti perdido ao ler um livro. Acho que a última vez que eu me senti assim foi ao assistir "Lost in Translation". Sim, já tive epifanias induzidas por um romance (admito envergonhado que achei "Atlas Shrugged" genial da primeira vez que li) e já fui impactado pela beleza ("Uma Sombra na Parede") ou pela engenhosidade narrativa ("Bleak House", qualquer coisa de Machado de Assis). Mas nunca, nem mesmo a ansiedade engagante de "Angústia", me fez querer vomitar como aconteceu comigo ao ler o capítulo 3 de "American Pastoral", Philip Roth. O livro é tóxico, corrosivo. Como resultado, é impossível pra mim fazer uma crítica coerente do livro. Fica então alguns esboços de maneiras pra pensar no livro.

A primeira coisa que me ocorreu é que este livro é uma ilustração da degradação da sociedade de valores, do sonho americano, da desilusão capitalista, de uma série de clichês. Mas essa é uma análise preguiçosa. É o mesmo que dizer que Dom Casmurro é um livro sobre a traição na classe média/alta carioca. O livro é mais que isso. Para mim a obra é um romance psicológico com várias camadas, mas que essencialmente ilustra a incapacidade de um autor, Zuckerman, de inventar pra além da realidade que ele concebe. O livro não fala sobre a história real dos Levovs e sim da versão de Zuckerman.

Um exemplo extremo do que eu quero dizer com isso é que no limbo de Dante, filósofos clássicos pré-cristãos gregos estão lá, mas não Veda Vyasa, um filósofo indiano pré-cristão de quem com certeza Dante nunca ouvira falar. O mesmo se dá neste livro. A história não é, dentro do universo narrativo, uma descrição fidedigna dos fatos e sim uma invenção da história a partir de poucas conversas, lembranças e uma brevíssima investigação dos personagens através de reportagens de jornais. As discussões pré-terroristas com a filha, a interação com Rita Cohen, a corrosão interna do Swede e a discussão com o irmão no final do livro, as relações extra-conjugais, esses elementos que dão a sensação de degradação interna, quase todos são invenções (com variados graus de fundamentação na realidade) de Nathan Zuckerman. Acho inclusive que a própria fragmentação do texto, com separação clara de cada uma das descobertas tem a intenção de não deixar o leitor esquecer que se trata de uma obra de ficção dentro da obra de ficção, numa espécie de anti-realismo.

O que sabemos de fato são eventos mais simples e desprovidos de um julgamento moral. Seymour Levov, um ídolo durante o colegial em sua comunidade foi um membro das forças armadas, casou com a Miss New Jersey, teve uma filha terrorista de quem não se orgulha mas que assistiu até sua morte, se separou e casou novamente, teve outros filhos de quem se orgulha e morreu de câncer de próstata. O único elemento psicológico do Swede que sabemos é sua estoicidade. Conhecemos melhor a psicologia de Jerry, Nathan e de seus amigos de infância, pessoas que o autor conhece, do que de Swede, personagem com quem o narrador tivera três encontros. De certa forma, a personalidade de Swede se define a partir do contraste com os personagens que Zuckerman conhece. Mas um indíviduo possui uma existência em si. Seria possível portanto, mantendo a estoicidade característica do Sueco, escrever a partir destes fatos uma ode ao herói que se recusa a se vitimizar diante da brutalidade do pós-guerra americano. Resolveu escrever a história de um homem que, adulto, descobriu que a vida não necessariamente faz sentido. Essa escolha talvez seja reflexo de um autor deprimido, solitário e impotente, pra quem a vida realmente não faz sentido.

O que não quer dizer que a história escrita por Zuckerman é inverossímil. É, inclusive, a verossimilhança de alguns trechos que embrulharam meu estômago. Como ver Merry, pré-terrorista, se apegar a clichês revolucionários e Merry pós-terrorista se apegar a clichês da Nova Era. Enxerguei-me adolescente, no alto da minha burrice, dando opiniões idiotas como se soubesse de alguma coisa. Nunca estive nem perto de ser um revolucionário, mas a arrogância proveniente da ignorância, refletida na personagem de Merry, tentando salvar o mundo quando não sabia nem mesmo salvar a si mesma, diante da angústia de um pai que está tentando apenas apaziguar o ímpeto estúpido... aquilo me destruiu. Como toda criança de nossa geração, antagonizei mentalmente com meus pais por toda minha adolescência (que ainda não acabou direito) e ainda tenho dificuldades em  respeitar a sabedoria de meus pais. Nunca fui tão justamente ofendido quanto ao ler aquele capítulo 3 miserável.

A verossimilhança da obra, a capacidade de ilustrar o impacto do "revolucionarismo" no seio conservador americano sem uma imposição clara do que é certo ou errado é pra mim o maior valor deste livro. A exposição honesta de dilemas morais é pra mim o maior valor que uma obra literária pode ter. Por que a vida é assim, composta de eventos que podem ser enxergados de múltiplas maneiras. Qualquer outra coisa é panfletagem política.

Esse não é meu livro favorito. Pelo contrário, gostaria de nunca mais ler esse livro na minha vida. E vai levar um tempo até eu ter coragem de ler algum outro livro de Philip Roth. E talvez esse seja o maior elogio que eu possa fazer uma obra intencionalmente corrosiva. Não é um livro que me faz observar os personagens e rir de suas desgraças enquanto eu tomo café. É um livro que me força a sofrer com eles e me faz odiar a mim mesmo. A acusação de Rita Cohen, "Quem você pensa que é? Aposto que nunca produziu nada na vida" também vale pra mim.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "resenha"
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Date: Wednesday, 06 Jun 2012 17:57


Here in Somerville, there's this wooden house with a signage saying "Dante Club est. 1908". It has an American flag hoisted above a MIA/POW "Never Forget" flag, and an huge parking lot with few cars in. I don't know what that building is. Occasionally, when walking by, I see a private party going on inside and wonder if it's a bar or a private club. Given the foundation year, 1908, I like to think it used to be a speakeasy and that the secret code to get in is still the same. It is curious that this house is merely 15 pedestrian minutes away from the Longfellow Park a place where a better known Dante Club was established in mid1860s.

Most of what I know from that older Dante Club came from the novel "The Dante Club" by Matthew Pearl, a thriller set in the post-civil war United States. The book tells the story of a group of Harvard scholars that are, at the same time, contributing to a translation of Dante's Divine Comedy and solving murders. While the detective work is fiction, the meetings between this group of scholars, led by Longfellow, did occur. And that is one of the strongest aspects of the book. He makes these historical figures come to life in a way that feels real. The description of their conversations, whether on Dante or on Harvard or on their routine lives show the author studied carefully his sources.

The thriller aspect of the novel, on the other hand, is lacking. It is an interesting idea, to have murders executed by a Dante inspired killer. But the link between Dante's work and the detective work is very superficial making the scholars seem schizophrenic: wise when translating, ignorant when investigating. An example is their naming of the killer as "Lucifer". As an example, there is the nickname given to the killer, Lucifer; in Dante's work he is a vanquished figure, not the Hades style torturer implied by the nicknaming. And the flow of the investigation doesn't help. The investigation has several jerky turns which instead of displaying confusion on the detectives, makes the narrative itself confusing. There is also a "red shirt officer" effect that is a product of the fact that the story deals with historic characters: the non-historic ones are the only ones in jeopardy, and that doesn't allow for a buildup of tension. Finally, the book often forces moral issues on us, specially towards the end, which feels too preachy and incredibly bothersome.

It is a good story that I recommend for the residents of Cambridge and the fans of the poets described on the book; it certainly makes you go back in time and make your walks along Brattle Street a bit more interesting. It will be also interesting for fans of detective stories, given the how innovative the idea is. But it's not exactly a strong book otherwise and if you don't have ties to any of the characters, which include Boston and Dante, then you may want to skip this one.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "resenha"
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Date: Thursday, 24 May 2012 04:21
Esse post é voltado aos jaboticabas que estão aqui nos EUA e que sentem falta do futebol brasileiro. Foi no Engadget que eu vi a notícia que eu espero faz tanto tempo: finalmente eu conseguiria assistir à Globo e PFC Internacional legalmente utilizando um serviço de IPTV! Nunca mais terei que recorrer à serviços de streaming piratas com seus pop-ups irritantes e buffers ou pagar taxas exorbitantes da TV via satélite. E antes que você, caro leitor, me acuse de noveleiro, o que eu estava querendo mesmo era ver o futebol brasileiro. E foi por isso que hoje, assim que cheguei em casa, fui atrás do serviço.

Pra assistir, é necessário ter um equipamento streamer que se chama Roku. Ele é relativamente barato; um novo custa menos de US$100.00, sendo que a versão mais barata custa em torno de US$59.00. Buscando um pouco na internet dá pra achar algumas promoções. Eu já vi o modelo básico do Roku por US$39.00 no woot. Eu tenho o Roku porque ele me permite assistir a filmes do Netflix e séries do Hulu de forma relativamente fácil, além de transformar a TV da minha sala em uma rádio com virtualmente qualquer estação de rádio do mundo graças ao TuneIn, ou uma jukebox pra festas graças ao Pandora.

Para poder assistir aos jogos de futebol, é necessário instalar o canal Dish World, que se encontra no "Channel Store" e assinar o pacote na página da Dish. A mensalidade é de cerca de US$29 (+ taxes) pra assistir à Globo e PFC - só a Globo é US$29. Parece muito, mas por essa rota, você economiza os cerca de US$80 por mês que você paga para assitir CNN... E o serviço oferece a capacidade de assistir qualquer programa que se passou nas últimas 48h, o que me permitiria, por exemplo, assistir às mesas redondas do domingo à noite na segunda de manhã.

O processo de instalação foi tranquilo, bem "just works". Em menos de 30mins eu estava assistindo o final daquela novela lá e aguardando ansiosamente pelos VTs dos jogos do Palmeiras e do São Paulo. A qualidade da imagem é SD 4:3 o que é menos do que eu gostaria, mas o streaming é smooth e natural, diferente do que ocorre com a ESPN3.

Sim, esse post tem um tom violentamente propagandeiro. Mas eu estou falando de produtos que eu adoro (Roko e os plugins) e de um produto que eu estive esperando por muito tempo! E eu espero que pessoas utilizem esse produto para que ele não dê prejuízo e seja cortado...

Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Saturday, 28 Apr 2012 18:38
So I was trying to post a fix for a problem I was having with a Samsung ML 2525W printer when I replaced the router. I found the solution but Samsung's support forum is impossible to deal with so I'm posting my solution here and hope that Google does its thing.

Problem: When I switched from a WEP old school router to a new router with WPA2 security. I was not able to get my Samsung ML 2525W printer to connect with my Netgear N600 WNDR3400 (WNDR3400v2 if you care).

Solution: Samsung has a firmware update buried in their support website. To install the firmware, unzip the contents of the download onto a folder and drag the fls file on top of the usblist2 application (both are on the unzip directory). Then wait for 5 mins, until your printer reboots by itself and you see the "ready" symbol again. Then try to make your printer connect to the network using the "Smart Panel" application that came with the printer. By the way, awesome non-descriptive name, Samsung. Way better than something like "Samsung Printer Configuration".

Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)"
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Date: Thursday, 12 Jan 2012 06:17


College football season is over, so due to the lack of better option I'll have to settle with the NFL. So I decided to look at the menu for this weekend and make my picks, not in terms of who I think would win, but who deserves to win. Scientifically. Employing the same technology North Korea uses to assure their elections are fair.

(Just a parenthesis here: rooting for the Eagles this season was awful. Started strong, began to suck slowly, got out of the playoff race, got itself back on the playoff race, did all the right things in the end of the season. I want to hate them for having a superstar lineup, but I can't because their season was the exact opposite of the Red Sox season this year. I was hating them mid-season, loved the effort early and in the end. Blergh.).

New Orleans (-3.5) @ San Francisco: This is a very hard pick. The cities are even in the fun level, despite having very different styles. Both coaches did the same level of grit this season, with the Harbaugh x Schwartz brawl or Sean Payton's fractured tibia and torn MCL after being tackled on the sidelines. But the quarterback situation makes me lean towards the 49ers. No, I'm not picking Smith is better than Drew Brees. It's just that all I know was from playing Joe Montana's Sega Genesis game.
Edge: San Francisco 49ers.

Denver (+13.5) @ Patriots: The Broncos are heavy underdogs here. And I love how all football analysts get mad with the whole Tim Tebow thing. And then there's the whole Brady hype here in Boston. So Broncos would be the easy pick. But last weekend during I saw the Michigan x Florida during a flight back from Texas and... I was rooting against Tebow. And it felt good, real good. And you know who was in that Michigan team? Zoltan Mesko. It's the Space Emperor going against God. I'm sorry, God, I have to remain loyal to my Emperor.
Edge: New England Patriots.

Houston (+7.5) @ Baltimore: I hate Joe Flacco and I hate because of Fantasy Football. I have no feelings towards the Texans. Plus, they're underdogs with a nice narrative this season. Easy pick.
Edge: Houston Texans.

NY Giants (+8.5) @ Green Bay: I hate the Giants (and all NY/New Jersey teams). And Green Bay last year was a feel good story. This year, they more of a "ESPN loves this story" and the Rodgers thing is making me tired. He's starting to annoy me more than the Favre. And I honestly thing that the Giants team offense depends more on Eli Manning's luck then on Rodgers' skills. But then, BJ Raji does: Look at this man's face.
Edge: Green Bay Packers


Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "english"
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Date: Tuesday, 03 Jan 2012 18:52

Há coisas que não se encaixam em uma resenha, mas que eu não posso deixar de comentar.

Ironias. O fato de que Keynes é considerado o pai do estado interventor enquanto que Hayek é considerado o teórico da iniciativa privada é curiosíssimo diante da realidade que Keynes foi investidor e CEO de empresas enquanto que Hayek nunca teve outra profissão senão o de professor universitário. Um outro aspecto curioso é que Hayek era abertamente anti-conservadorismo.

Animosidade. O embate entre os dois autores seguiu uma estrutura dialética admirável. Havia um respeito intelectual mútuo entre as duas partes, não há dúvidas. Mas a troca de artigos que ocorreu antes da publicação da Teoria Geral de Keynes incluía acusações de uso de termos confusos e falta de precisão intelectual no desenvolvimento de idéias. A briga foi pesada.

Relacionamentos. Keynes foi homossexual assumido até conhecer sua esposa, Lydia Lopokova. De acordo com amigos, Lydia não era a pessoa mais inteligente do universo e seus amigos diziam que o relacionamento foi a união perfeita entre inteligência e beleza. Hayek se casou duas vezes. Curiosamente, sua segunda esposa fora seu primeiro amor, Helene Bitterlich. Por ela já estar casada, Hayek casou com outra mulher, Helen Berta Maria von Fritsch, com quem teve 2 filhos. Assim que a primeira Helene se viu solteira novamente, Hayek se mudou da Inglaterra para o estado norte-americano do Arkansas. Porque as leis de divórico lhes eram mais agradáveis.

Vidente. Keynes foi um acadêmico bastante influente no círculo político britânico, um Pérsio Arida de seu tempo. Entre outras atividades, ele participou do Plano Marshall, de diversas políticas britânicas anti-cíclicas no período entre guerras e do tratado de Versailles. Sua primeira obra influencial, "Conseqüências Econômicas da Paz", foi um ataque ao armistício assinado após a primeira guerra. Keynes previra, corretamente, que o único resultado do estrangulamento da Alemanha seria uma país suscetível a movimentos revolucionários.

Diferenças. Keynes via o desemprego como mal maior enquanto que Hayek enxerga na inflação o problema real. Acho que esse contraste revela um trade-off entre esses dois conceitos. É sempre possível dar emprego pleno contanto que o salário real de uma camada da população seja incrivelmente baixo. A maneira de convencer alguém a trabalhar por um salário real baixo é lhes dar um salário aparente razoável. É aí que a inflação entra.


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Date: Friday, 30 Dec 2011 18:30
"Keynes Hayek: The clash that defined Modern Economics", Nicholas Wapshott. Nota: L.

Como comentei no post sobre o debate Keynes x Hayek do IBMEC, eu estava lendo o livro Kaynes Hayke de Nicolas Wapshott e escreveria uma resenha sobre o livro. Só que para isso, eu preciso separar a qualidade do livro, das idéias que estão no livro.

Começo de cara avisando que minha ignorância sobre o assunto é imensa e o livro é o primeiro texto sério sobre o tema que li na minha vida. E esse livro não é exatamente o que pode ser chamado de fonte primária. Portanto, se o autor errou em algum ponto, eu não saberia dizer. Feito essa ressalva, o livro é uma verdadeira lição em como transformar um tema árido como uma disputa acadêmica  em uma narrativa empolgante.  A maneira como o livro faz você torcer ora pra Keynes, ora pra Hayek é o motivo pelo qual a nota L foi dada. A descrição dos embates ideológicos são acompanhados de aspectos biográficos coloridos dos personagens. Esse artifício aumenta o nível de engajamento com o livro. Uma outra vantagem desse recurso é que ele remove os mecanismos de defesas ideológicos. Apesar de me alinhar mais com as idéias de Hayek, eu não fui tão defensivo como seria natural, caso eu estivesse lendo um tratado sobre o keynesianismo. O resultado é que quando terminei de ler, me encontrei num ponto neutro: sob alguns aspectos Keynes estava certo; sob outros aspectos ele estava errado.

Se há alguma ressalva, é que o foco do livro é keynesianismo. Mas isso se dá por conta da realidade do embate filosófico. Os adversários dialéticos do keynesianismo foram a escola austríaca e a escola de Chicago. Hayek, apesar de se encaixar na escola austríaca e de ter sido um elo importante entre essas duas escolas (sendo responsável por introduzir Milton Friedman ao círculo liberal europeu), não foi tanto um defensor da economia clássica. Sim, ele foi professor de economia e esse era seu expertise. E sim, ele foi pai do conceito de que o preço agrega as informações que todos os agentes do mercado tem sobre o produto específico. Mas a obra maior de Hayek, "O caminho da servidão", está mais próxima de um tratado sociológico que de um tratado econômico. Como bem descreve Wapshott, Hayek não estava tão preocupado em desconstruir a economia keynesiana da maneira como Mises desconstruíra a economia marxista. Ele estava mais preocupado com as conseqüências políticas da aplicação do keynesianismo. Basta lembrar que foi Friedman quem construiu uma visão alternativa da crise econômica da década de 30 e não Hayek.

Os capítulos finais do livro mostram como as idéias de Keynes foram aplicadas nas economias americana e britânica e como a escola austríaca ressurgiu no pós-keynesianismo dos anos 80. Esse trecho talvez seja menos interessante para leitores fora desses países, mas me foi bastante informativo uma vez que eu conhecia muito pouco da maneira como a economia desses países foi dirigida. É deprimente quando eu contrastei com a economia brasileira pré-FHC. Serviu também para desmistificar bastante da propaganda ideológica a que estou exposto aqui nos EUA. Dado o interesse recente no Brasil na discussão entre Hayek e Keynes, alguém deveria traduzir esse livro para o português.


Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "economia, livros, português, resenha"
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Date: Monday, 26 Dec 2011 22:30
Comecei a ler o livro "Keynes Hayek" de Nicholas Wapshot semana retrasada e espero ter uma resenha aqui no futuro próximo, se eu não ficar com preguiça. Mas anteontem eu acabei me deparando com um debate que aconteceu na Academia Brasileira de Letras sobre o conflito ideológico entre os dois.

Admito ignorância imensa no assunto. Até entendo os argumentos dados pelas partes, mas desconheço os aspectos técnicos das obras dos dois autores. Dessa maneira o debate é a forma de mais difícil apreensão pra mim, por conta da velocidade com que os argumentos são jogados. Assim sendo, eu acabei assistindo os vídeos com um lápis e papel na mão anotando os pontos levantados pelos quatro debatedores. Achei que a densidade e o número de pontos levantados foram tantos que talvez algum perdido na internet possa se interessar por minhas notas. Resolvi então compartilhar minhas notas.

Antes, fica aqui um comentário: eu não dei muita bola pros comentários do moderador Guilherme Fiúza. Também não dei muito valor às piadas e instrumentos puramente retóricos utilizados pelos debatedores. Finalmente, apesar de ter parafraseado os argumentos, evitei minhas opiniões ou interpretações do que foi dito. Qualquer erro aqui é por conta de uma falha de compreensão minha, seja por minha ignorância, seja por viés seletivo involuntário.



Jennifer Hermann (início aos 14 minutos do primeiro vídeo): Começa com uma referência a Hyman Minsky como o pensador que fecha a visão de Keynes no que diz respeito a crises da economia. Em seguida separa a crise atual em três crises distintas: a americana, a da europa "central" e a da europa "periférica", que tem etiologias diferentes. Faz uma defesa de Keynes no que diz respeito às suas opiniões com relação à importância das liberdades individuais e bom funcionamento do capitalismo. A diferença entre Keynes e Hayek é a de que um acredita que as liberdades levam a um capitalismo efetivo enquanto que Keynes acredita que uma economia sadia levará a liberdades individuais. Comenta a importância dos "Animal Spirits". Em seguida comenta a teoria de crises de Minsky e de que as crises ocorrem por conta de frustrações de investidores. Comenta que a crise americana é uma crise-mãe enquanto que as outras crises são periféricas e, isoladas não seriam tão problemáticas. O motivo é a falta de segmentação dos mercados bancário e o de capitais. A contaminação causada pelos mercados de capitais gerou uma crise sistêmica. Em contraste, a crise imobiliária dos anos 70 [não encontrei referências] ou a crise do setor imobiliário japonês. A falta de regulação gerou um peso excessivo do mercado de capitais na economia gerou uma crise sistêmica e rápida.

Rodrigo Constantino (início aos 35mins do primeiro vídeo): Comenta a importância da atuação dos Bancos Centrais nas diversas crises. Crises dessa magnitude ocorrem quando há frustração coletiva, não individual e isso só ocorre quando há distorção na economia. Essa distorção acontece sob a forma de impressão de moeda como tentativa de solução para uma crise anterior. O efeito cumulativo da sucessão de bolhas cada vez maiores é perigoso. Como membro da escola austríaca de economia, o problema é a visão da economia através dos dados agregados. Além disso, o uso da inflação como solução é problemático pois a inflação é um instrumento de transferência de renda indesejada. O conceito de "Animal Spirits" é falacioso, nenhum investidor é "burro". E recessões fazem parte de ciclos econômicos, são fenômenos naturais. Crítica o uso da curva de Philips como instrumento econômico. e cita um artigo de Thomas Sowell [não encontrei este artigo]. Já houve um estímulo de 3,5 trilhões de dólares para estimular a economia e isso não foi o suficiente. A teoria econômica keynesiana não pode ser refutada, o longo prazo é uma consideração importante e  keynesianos são alquimistas modernos.


Luiz Fernando de Paula (início aos 7mins do segundo vídeo): Crítica da visão "caricatural" do keynesianismo. Por que é que essa crise não aconteceu antes? [eu não compreendi o contexto] Crises são sim endógenas e o keynesianismo deve agir somente durante a crise. A intervenção keynesiana não é puramente expansionista, apenas uma função do estágio do ciclo econômico. O objetivo é buscar um ponto de equilíbrio entre o estado e o mercado. Os cálculos keynesianos não dependem apenas da demanda agregada mas levam em conta a perspectiva de demanda futura. O problema é que informações não são perfeitas o que impede decisões completamente racionais. O que os keynesianos defendem é, utilizando a nomenclatura de Joseph Stieglitz, a importância da estabilidade macroeconômica sobre a estabilidade de preços, que é função de um equilíbrio interno ou equilíbrio externo [o vídeo dá uma explicação mais detalhada a respeito]. O que é importante é que a política fiscal seja adotada como um instrumento anti-cíclico. Em tempos de economia crescente, deve se extrair um superávit, adotar uma política de aumento de reservas. Comenta a opção Brasileira pelo Novo Consenso Macroeconômico mas que há alternativas. Dá o exemplo de China e Índia, como sistemas em que o câmbio é controlado. O que segue é uma série de comentários sobre as opções brasileiras dos últimos 20 anos e diz que o Brasil não sofreu tanto a recessão por conta de manobras que podem ser consideradas keynesianas. Em seguida, faz críticas a medidas tomadas pelo governo com as quais ele não concorda.

Roberto Castello Branco (29 mins do segundo vídeo): Declara-se um seguidor da escola de Chicago e não um membro da escola austríaca. A ênfase a no uso de teorias baseadas em evidências, a importância do capital humano e o uso dos instrumentos de economia para estudar outros comportamentos [a la Freakonomics]. Critica o conceito de "Animal Spirits" por ser mal definido. E crítica Keynes por considerar os mercados como naturalmente instáveis ao contrário dos liberais que consideram os mercados estáveis. Considera o multiplicador keynesiano uma conceito absurdo, dá como exemplo medidas adotas por Obama e usa a idéia de que não existe "free lunch". Não há sustentação teória ou empírica ao multiplicador keynesiano. Do lado empírico, veja como a recuperação de uma crise é lenta independente da presença do estímulo. Quem gera crises são governos. O New Deal não funcionou nos EUA; o responsável pela recuperação da economia foi a Segunda Grande Guerra. No Brasil, as medidas horríveis adotadas por Getúlio Vargas (ações preferenciais, lei de concordatas e falências, CLT) foram medidas keynesianas. Keynesianismo funciona porque dá base teórica para medidas populistas, mas não são eficazes. A base da crise americana foi a liberação do crédito imobiliário como medidas populistas da era Clinton/Bush e esta expansão é a raiz da crise. Na Europa o problema é outro. Crítica ao capitalismo francês, um capitalismo com privilégios. A França é rica e pode arcar com este modelo, mas países menos prósperos como Portugal têm que reduzir os gastos do governo e não tem condições de dar privilégios aos seus trabalhadores como a França faz. O Brasil abraçou o modelo francês. O maior problema do brasil é a falta de infra-estrutura física. O problema tributário do Brasil levará trabalhadores ao setor informal, que é mais ineficiente. A economia cresce exatamente por causa do regime flexível de câmbio, pois este encoraja a produtividade. Cita um trabalho de Sebastian Edwards, da UCLA. 


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Date: Friday, 23 Dec 2011 19:59
I don't know how relevant Seinfeld still is, specially with Louie stealing his place as the token genius comedy show on TV. But a girl laughed at a "draping myself in velvet" joke. And that is a strong indication I should celebrate Festivus for another year. As if I needed another reason to celebrate Festivus when there's the Airing of Grievances. For those who don't know this sacred tradition, we should be lashing out on the world about how we have disappointed by it.

So here you go, 2011, a list of things that disappointed me this year:

NBA: I was already pissed off by not having games to watch and having to hear about how removing 1% out of 52% is lack of respect. But then you came and removed Chris Paul from the Lakers in a way that got Lamar Odom to the Mavs. Thanks to that, the Lakers Kobe-induced hibernation will come one year earlier than it should and I'll be having flashbacks of the mid-90s during this season. And the worse part is that I can't even hate on the Clippers because it's not their fault. The only silver lining is that I can root against the Heat.

Physics: So the LHC started operating routinely and nothing exciting came out from there. Yeah, for a while we were talking about superluminal neutrinos and I'm still not sure whether or not they exist or not. And then, there's the potential for the existence or not of the Higgs boson, the troll particle of the Standard Model. So there were some developments. But reading about this, as much as it tickles my geek bones, doesn't really excite me. It's too much talk about number of sigmas and too little about time traveling or exploding things. It was much more fun when we were talking about how the Higgs boson was traveling in time and destroying the experiments to detect it. I want those times back. Physics used to be like the crazy funny uncle that came and told crazy stories about his life. Now he got married and his wife is pregnant and living a life that makes sense. I miss the crazyness.

Fidel Castro's health: You know Fidel, this was supposed to be your year. With all the rumors in 2010, and with you resigning from being the dictator of Cuba Head of the Communist Party, we were sure that you'll be going to settle your afterlife issues with Che this year. But you failed. You allowed Kim Jong-Il to, once again one up you. He already beat you in the race for nuclear weapons and mind control of citizens. He has the best thematic tumblr in the universe. Now this. Boo, Fidel Castro, boo.

São Paulo Futebol Clube: Really? You managed to lose in every single respect to Corinthians this year. You screwed up on every category, including washed-up-player-hiring (Rivaldo x Adriano), stadium-that-will-host-the-world-cup. Pathetic.

Europe: Ah, the old continent. It used to be that whenever you guys disagreed on something, you just engaged in a ridiculous war that dragged all the other countries into conflict. But now you just hold mindless meetings that make as little sense and ruin your economies as much as the wars did. But, alas, lives are saved which is a good thing. The only thing I really miss are the epic names: 100 years war, 80 years war, world wars, war of the Roses. I propose a solution: start naming the meetings. I want to see the "pound-euro meeting" or the "100 hours meeting".

Now, for the Feats of Strength. Any takers?




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Date: Thursday, 22 Dec 2011 16:43
6ZZDP2G992YB
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Date: Thursday, 22 Dec 2011 16:33
Montagem (MC Cabide) - "Tá com fome?" 


Essa obra é uma crítica direta e abrasiva ao conceito Keynesiano do estado de bem-estar social que diversos governos implementaram no pós-guerra. O coro que, como no teatro clássico grego representa o povo, fica a reclamar da falta de alimentos como que esperando uma solução milagrosa. A resposta dada aos reclames da população, "pega um sanduíche e come" é um chamado aos populares para que, ao invés de reclamar da fome, que busquem saciar suas necessidades por conta própria. Note ainda que a solução proposta é uma clara referência à frase atribuída à Maria Antonieta ("Que comam brioches") dando uma ambiguidade à solução proposta. O brado libertário ganha uma perspectiva ambígua já que carrega uma conotação de insensibilidade. Note ainda que há uma ênfase na falta de uma solução universal aos problemas do mundo, ou de única solução para um determinado problema. O "sanduíche" é capaz de resolver a fome, mas não a sede. Neste caso é necessário um "copinho de leite" ou ainda um "copinho de suco". Sutil mas genial.

Avassaladores - "Sou foda"


Aqui temos um outro brado libertário, mas que prefere Ayn Rand a Milton Friedman. Ao invés de buscar solucionar um problema social, essa obra salienta o que talvez seja o problema mais pessoal possível: a satisfação sexual. Mas aqui, ao invés de uma solução individual, temos um eu-lírico que se propõe a resolver os problemas utilizando suas habilidades, melhores que a de todas as alternativas disponíveis. A responsabilidade do indivíduo é enfatizada através do aviso ("mas não se esqueça/que eu sou vagabundo") que segue as promessas de prazer. A menção à eternidade ("desde que a putaria começou a rolar no mundo") dá um ar místico, quase espiritual que nos remete à idéia de que a forma do mundo é fixa e o máximo que podemos fazer é aceitá-la.

Mulher Melancia - "Balancê"
 

O conflito gerado pela diferença entre as velocidades do desenvolvimento de novas tecnologias e da difusão destas na sociedade são pano de fundo para esta canção. A educação como mecanismo para cobrir este vão é o instrumento utilizado pela Mulher Melancia, que através de uma música crítico-pedagógica, procura levar às massas ignaras o conhecimento da "nova dança/que veio pra ficar". Não podemos deixar de felicitar a cantora por seu esforço em educar através da música, uma tarefa difícil, mas necessária para que as camadas menos privilegiadas da sociedade tenham capacidade de competir com aqueles poucos que tem acesso às maneiras mais modernas de se balançar o bumbum. Seria interessante ver o impacto deste projeto pedagógico na mobilidade social brasileira dos próximos anos.




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Date: Wednesday, 21 Dec 2011 19:30
"Uma Sombra na Parede", Josué Montello. Nota: MB



Há muito tempo atrás, assisti "Amigas de Colégio" (Fucking Amal/Show me Love), um romance lésbico com duas personagens adolescentes. Eu, também adolescente, parei pra ver o filme porque as atrizes eram bonitas, mas o que fez deste um dos meus filmes favoritos foi a proximidade com as personagens. A maneira como as meninas encaram a atração, o preconceito interno e a frustração de um amor não correspondido é crua e dolorosa. A falta de distância com os personagens gera um desconforto imenso.

Esse texto contrasta com a maneira com que Josué Montello descreve uma situação similar em "Uma Sombra na Parede".  Este livro conta a história de uma moça de uma família afluente e tradicional de São Luís. Ariana, a protagonista, vai percebendo que é atraída por mulheres e não por homens, mas esse processo leva algum tempo. E ao longo de sua trajetória, os desafios de praxe são enfrentados: a devoção católica, medo da reação dos outros, relacionamentos frustrados com homens. Mas a maneira como a história é descrita nos dá uma distância confortável. Torcemos por Ariana e desejamos um final feliz para ela, mas suas dores não nos incomodam tanto quanto as de Agnes, em Fucking Amal. O leitor não vive na pele de Ariana; no máximo é uma conhecida que ouve as histórias através de alguma comadre fofoqueira.

O livro é extremamente bem escrito. Não é um vocabulário preciso ou econômico, mas não é exagerado ou cafona. Se encaixa bem dentro do estilo "neo-realista" que o autor utiliza. Coisa que acho que a literatura brasileira deveria utilizar mais - se Machado de Assis é, ainda hoje, o melhor autor brasileiro, porque não aprender com ele? Gosto também do fato de que o livro não se politiza muito, mesmo sendo este um tema fértil. "O Bom Crioulo", a única outra ficção brasileira que conheço contendo homossexualismo com tema central, força debates raciais, questões de poder e tenta dirigir a discussão levantada na história. "Uma Sombra na Parede" por sua vez, apenas conta uma história, e gera compaixão por todos os personagens, como numa tragédia em que todos morrem e a culpa é dos deuses.
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Date: Saturday, 17 Dec 2011 16:01

A primeira vez que eu inventei de jogar basquete aqui nos Estados Unidos me marcou bastante. Era um "pick-up game", um racha, na academia da Universidade de Michigan. Nada muito exótico. Você vai pra quadra e espera o jogo acabar pra poder entrar no próximo. Eu não sou um jogador excelente  e estava um pouco fora de forma, mas eu também não era o menor cara na quadra nem era tão horrível. Joguei muito pior que todos a minha volta, mas não por falta de habilidade. O problema é que eu não ia com tanta vontade nos rebotes, não arremessava ou passava a bola forte o suficiente, não corria atrás dos "screens". A qualidade que me faltou foi a vontade de vencer.

Qualquer pessoa que me conhecer perceberá que eu não sou exatamente um atleta. Nunca fui. Participei de campeonatos irrelevantes em associações de bairro e ligas de academias. Se houve algum esporte que eu participei em nível competitivo foi tênis de mesa. (Vou dar um minuto para você parar de rir.) Como resultado, eu cresci num ambiente onde a participação no esporte era definida pela expressão "o importante é competir". Saí daquela partida de basquete achando que aquilo ali era muito exagerado e que talvez eu devesse fazer outra coisa.

Pouco tempo depois, comecei a correr. Eu estava estressado com problemas que não saíam da minha cabeça e percebi que correr feito um maníaco me dava 30 minutos de paz por dia. Percebi também depois de 3 semanas que isso detonava o joelho. Achei que isso era porque eu estava fazendo alguma coisa errada, talvez pisando torto, talvez usando um sapato inadequado e pedi conselhos a um amigo meu, corredor de longas distâncias. "Põe um gelo depois de correr. Com o tempo melhora." Eu, cheio de slogans como "importante é competir" e "se dói é porque algo está errado" perguntei se isso não iria causar problemas no futuro. A resposta foi curta: "no pain, no gain". No fim das contas deu tudo certo. Com o tempo a dor passou e eu pouco mais de seis meses depois, eu acabei correndo uma meia maratona. Sim, meu joelho demorou um mês pra voltar ao normal depois da corrida. Mas, pra usar uma outra versão da mesma frase, "dor é a fraqueza saindo de seu corpo".

Essa fábula acabou sendo importante por que me fez enxergar esportes de uma maneira diferente. Eu passei a entender a motivação de atletas em esportes violentos como rugby ou futebol americano, ou ainda esses "loucos" que participam de esportes radicais. Eu mesmo inventei de aprender snow boarding, patinar no gelo pra jogar hóquei e voltei pra quadra de basquete. Eu ainda sou ruim pra caramba. Mas agora eu não paro porque dói ou porque eu estou cansado. Isso se resolve com gelo e cama. Mas não há analgésico pra dor do fracasso. E não há melhor anestésico que o prazer de atingir algo que parece impossível. Mesmo quando o impossível é algo trivial, como fazer aquela uma bandeja no meio de três, patinar de costas, descer a montanha, correr 1km a mais que ontem.
Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "americana, português"
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Date: Saturday, 15 Oct 2011 03:42

Nesse semana houve um debate pras eleições primárias norte-americanas no estado de New Hampshire. Em uma situação normal, estas eleições primárias seriam irrelevantes, uma vez que Barack Obama está concorrendo à reeleição. Mas esses tempos não têm sido muito normais. A economia americana está mal, desemprego e dívida pública em níveis elevados e o discurso de herança maldita não teve muita tração. Como resultado, Obama perdeu popularidade. A conseqüência foi que ele perdeu a maioria na câmara e a super-maioria no senado no ano passado. Então o presidente atual encontra-se aparentemente vulnerável.

Assim, acaba sendo intrigante observar o que se passa nas primárias, dado o potencial das eleições do ano que vem. O debate em si foi aquela coisa... Mitt Romney martelando sua experiência em eleições, Rick Perry perdidaço, Ron Paul defendendo o fim das forças armadas, dos impostos e do estado, Michele Bachmann falando coisas que ninguém entende... o candidato diferente neste debate foi Herman Cain, um cara curioso que além de ter o carisma empresarial elimina o diferencial racial que Obama utiliza com algum sucesso. Mas pra começar a entender o processo, vale a pena explicar um pouco do que são as diferentes alas dentro do partido republicano, uma que vez nego fala besteira sobre isso. Então segue aqui os grupos principais nessas eleições:

Paleocons: Começo por esse grupo porque este era a base de suporte ao George W. Bush. Esse grupo tem como base principal o conservadorismo social. Seus programas giram em torno de temas como aborto, casamento gay, anti-secularismo... e dá importância a questões como imigração ilegal e defesa de uma cultura american (seja lá o que isso for). Nestas eleições, eles não tem um candidato, mas por questões religiosas, é capaz de eles votarem contra o mórmon Mitt Romney. Rick Perry, por ser um membro da linhagem de George W. Bush seria o mais próximo, mas não sei se há unanimidade.


Neocons: A galera que sente falta da guerra fria. Esse grupo segue as linhas globalistas e conservadores do Council of Foreign Relations e é a que possui vínculos com corporações. Donald Rumsfeld e Karl Rove, ou ainda Henry Kissinger se encaixam nesse grupo. Eles defendem o fortalecimento das forças armadas e são a favor de intervencionismo no exterior. Outro grupo que não tem um cavalo forte na corrida, apesar de eles gostarem de Mitt Romney por este ser uma figura bem conhecida. Ron Paul é o candidato que eles gostariam menos.


Libertarians: Os Rodrigos Constantinos da vida, seguidores de Ron Paul que consideram Ayn Rand o maior gênio desde Adam Smith. Defendem fim dos impostos, redução das forças armadas, estado mínimo... Por conta do ponto de vista libertário eles entram em conflito com outras alas. Um aspecto interessante desse grupo é que este é o pólo dos republicanos anti-religiosos, e portanto mais jovens: a grande maioria dos republicanos nas universidades seguem essa linha.


Tea Party: Estritamente falando, esta não é uma ala com muitos fundamentos filosóficos... é uma ala que se formou contra a reforma do sistema de saúde americano de Obama. Um grupo em formação, a identidade dele ainda não é muito clara. Existe um elemento de conservadorismo social, mas o foco é conservadorismo fiscal, mas sem o extremismo libertário. A falta de uma identidade clara se demonstra até no herói deles: Ronald Reagan. O candidato mais próximo deles é Michele Bachmann, mas Herman Cain está avançando nesse território.


A lista é obviamente incompleta e não inclui grupos regionais (RINO's, Rockefeller Republicans) ou que não estão envolvidos nesta corrida (Tradicionalistas, Liberais) mas acho que dá uma base pra entender o que vem por aí. E parar de ouvir Arnaldo Jabor falando que os fascistas, racistas e extremistas do Tea Party querem invadir o Irã, cortar impostos e acabar com o mundo.



Author: "noreply@blogger.com (Shridhar Jayanthi)" Tags: "português, política, americana, idiota..."
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