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O discurso do técnico Paulo Autuori é o do otimismo. Ele teve tempo para trabalhar e, mesmo sem contar ainda com alguns reforços, espera ver uma evolução importante no time do Vasco antes da estreia no Campeonato Brasileiro, semana que vem. O último teste será diante do Figueirense, neste sábado, às 16h, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.
No período de 36 dias, o treinador teve tempo para trabalhar tanto a parte física, quanto a técnica e a tática. No amistoso disputado na semana passada contra do Tupi de Juiz de Fora, o time teve boa apresentação e venceu por 5 a 1. A ideia agora é ver a equipe enfrentando um adversário considerado mais forte, e que se prepara para disputar a Série B do Brasileiro, sob a direção do técnico Adílson Batista
Autuori deixou claro que o amistoso vai servir para tirar as últimas conclusões sobre o time que deve iniciar a disputa do Brasileiro no próximo sábado, diante da Portuguesa, em São Januário. O treinador usou o termo “parceria” para explicar que existem algumas duplas que estão lhe agradando, mas precisam passar por um teste definitivo. Porém, não quis entrar em maiores detalhes sobre elas.
Ideia mais precisa
O técnico está confiante em que os jogadores tiveram tempo e conseguiram assimilar o esquema de jogo que pretende usar, com saída de jogo pelas laterais, troca intensa de passes e velocidade na armação das jogadas, para a equipe chegar de forma agressiva e compacta na defesa adversária. O Figueirense é um adversário considerado ideal para se ter uma ideia precisa do estágio em que a equipe de Autuori se encontra.
O treinador não quis adiantar a escalação. A mais provável: Diogo Silva; Nei, Luan, Renato Silva e Yotún; Wendel, Felipe Bastos, Dakson e Alisson; Éder Luís e Tenório. No Figueirense, Adílson Batista também faz mistério, já que o clube contratou cinco jogadores, e ele pretende observar alguns deles durante o amistoso.
A Fifa tem motivos para estar preocupada com a infraestrutura tecnológica da Copa das Confederações, como revelou O GLOBO nesta sexta-feira. Dos seis estádios escalados para a competição, nenhum está com o sistema de telecomunicações ponto. A culpa pelo atraso seria dos consecutivos adiamentos na entrega das obras. As instalações só podem ser feitas em partes já prontas. Como os estádios ainda estão em fase de acabamento e de ajustes, há o risco - segundo o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sindi TeleBrasil), Eduardo Levy, que coordena o serviço - de a estrutura de transmissão só ficar pronta a três dias da competição.
Levy disse na sexta que as operadoras trabalham em conjunto para entregar a infraestrutura a tempo, mas reconhece que o processo está muito atrasado.
- Pedimos para entrar nos estádios 120 dias antes da Copa das Confederações. Mas recebemos autorização com menos de 60 dias. Estamos trabalhando em muitos turnos para não atrasar, mas onde ainda há obras e muitos operários fica impossível de passar os cabos - explicou Levy, que tem acompanhado as instalações nos seis estádios.
Segundo ele, nenhum está pronto, e o Mané Garrincha, em Brasília, é o mais adiantado (os demais são Maracanã, Mineirão, Arena Pernambuco, Fonte Nova e Castelão). Mesmo os já considerados prontos pelas construtoras ainda não receberam toda a estrutura de cabos.
- A Fonte Nova (Salvador) estava com alagamento no espaço destinado para ser a sala de equipamento. Isso atrasa muito - afirmou Eduardo Levy.
Para evitar um apagão de sinal de telefone e de internet, antenas com tecnologias que vão de 2G à moderna 4G vêm sendo instadas. Tanto no entorno como no interior dos estádios.
- Pode até ser que uma hora ou outra alguém não consiga ligar, por causa da demanda, mas isso vai ser raro. Como é tudo novo, não temos de adaptar nada. Facilita o trabalho - disse Levy, aproveitando para garantir que, se não houver novos imprevistos, tudo estará pronto. Em cima da hora, mas pronto.
RIO - Como em todo bom último capítulo de novela, rolou gravidez, casamento, prisão e uma lista de casais felizes. O fim de “Salve Jorge”, que foi ao ar nesta sexta-feira, teve como maior surpresa o desfecho das vilãs Lívia Marini (Claudia Raia) e Wanda (Totia Meirelles) que, juntas na cadeia, usaram de artifícios diferentes para sobreviver ao encarceramento: enquanto Wanda se entregou à leitura, à religião e ao bom comportamento para tentar encurtar sua estada na prisão — o que muita gente nas redes sociais apontou como uma alfinetada de Glória Perez em Guilherme de Pádua, o assassino de sua filha, Daniela Perez —, Lívia continuou tentando descolar um figurão rico e influente.
O capítulo começou com o acerto de contas entre Morena (Nanda Costa) e Rosângela (Paloma Bernardi), quando a mocinha flagrou a integrante da quadrilha tentando fugir da boate. Rosângela lembrou que teve seu momento de boa moça ao ajudar Morena quando ela fingiu estar morta e acabou despertando a benevolência da moradora do Alemão. Mas a fuga não durou muito, já que Rosângela foi presa dias depois na chegada ao aeroporto, no Brasil.
A esperada cena quente entre Jô/Lohana (Thammy Miranda) e Russo (Adriano Garib) esquentou mesmo e foi um dos destaques do capítulo. Acreditando que estava prestes a fazer sexo com a policial disfarçada, o bandido deixou que ela o algemasse na cama, só para ser preso em seguida. Logo após a invasão da boate promovida pela polícia, a infiltrada quebrou as regras e chamou as traficadas para se vingarem do capanga, numa sessão de surra e catarse coletiva. Wanda por pouco não escapou da empreitada policial, mas foi capturada por Morena, que conhecia a saída secreta da boate. Lívia, que já tinha largado seus comparsas à própria sorte antes da invasão, havia se contentado em terminar seus dias como stripper, fazendo uma performance inspirada na dançarina burlesca Dita Von Teese. Mas nem isso a chefe da quadrilha conseguiu: Helô e Riva (Rita Elmôr) foram atrás dela e a bandida saiu da taça de martíni direto para a prisão.
Um dos momentos mais emocionantes do capítulo ficou por conta de Leonor (Nicette Bruno), que soube ter sido traída pelo marido com a melhor amiga, Isaurinha (Nívea Maria). Celso (Caco Ciocler), que descobriu também ser o herdeiro da fortuna, engatou um romance com a interesseira Amanda (Lisandra Souto). Outros casais que encontraram a felicidade no último capítulo foram Thompson (Odilon Wagner) e Lucimar (Dira Paes), Almir (Murilo Grossi) e Waleska (Laryssa Dias), e Érica (Flavia Alessandra) e Haroldo (Otaviano Costa). Até Marcia (Fernanda Paes Leme) e Julinha se arranjaram com Ciro (Sidney Sampaio) e Drago (Leonardo Carvalho).
Na Turquia, Aisha (Dani Moreno) voltou para os pais e para casa prometendo levar sua família biológica para conhecer o outro país, mas Mustafá (Antonio Calloni) e Berna (Zezé Polessa) não terminaram exatamente como um casal. Já na Capadócia, Zyah (Domingos Montagner) se conformou em perder Bianca (Cleo Pires) e fez festa quando Ayla (Tânia Khalill) anunciou que estava grávida. Se uma gravidez ficou para o núcleo da Turquia, a outra foi no Brasil: Drika (Mariana Rios) e Pepeu (Ivan Mendes) também esperavam. A notícia deixa Helô (Giovanna Antonelli) meio desnorteada, mas serve para ela e Stênio (Alexandre Nero) decidirem selar o romance novamente e garantir a cena de casamento necessária para o último capítulo.
Já no Morro do Alemão, até seu Galdino (Francisco Carvalho) ganhou um final com a esposa que apareceu para botar ordem na casa. Pescoço (Nando Cunha) mostrou que não tem jeito mesmo e foi admirar o bronzeamento na laje de Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues) antes de voltar para o lado de Delzuite (Solange Badim). A cena final mostrou a felicidade da família protagonista, com Theo (Rodrigo Lombardi), Morena, Junior (Luiz Felipe Mello) e Jéssica Vitória felizes na comunidade.
BRASÍLIA – O ministro Leônidas Cristino, titular da Secretaria Especial de Portos, disse nesta sexta-feira ao GLOBO que, logo após a sanção da nova Lei dos Portos pela presidente Dilma Rousseff, começará imediatamente o trabalho de regulamentação do texto para colocar em curso o programa de investimentos de R$ 54,2 bilhões previstos pelo governo, um montante, segundo ele, já conservador. O governo quer, ainda neste ano, lançar editais para licitações de terminais antigos e de concessões de portos novos, além de emitir autorizações para novos terminais. Leônidas Cristino vê com bons olhos as acaloradas discussões sobre o tema no Congresso e o fato de o tema ter ultrapassado o limite das cidades onde estão os portos.
O que vem agora, depois que foi aprovada a MP?
Daqui para frente, o trabalho vai ser muito mais intenso na preparação dos procedimentos legais para as licitações. Em dez anos, licitamos 11 arrendamentos e agora vamos trabalhar para licitar 159 em pouco tempo. É claro que alguns serão prorrogados, mas, mesmo assim, precisamos fazer estudos. O segundo passo é o regulamento da lei. Na terça-feira, temos uma reunião com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) para mostrar alguns procedimentos que já adiantamos com o intuito de não perder mais tempo. Temos que ajustar a equipe, trazer muita gente para ajudar, organizando a estrutura de pessoal da Secretaria Especial de Portos.
Qual a estimativa para começar esses processos e fazer os investimentos começarem a deslanchar?
Ainda vamos definir o cronograma final na próxima semana. Mas já começamos estudos de licitações para os portos de Santos (SP) e Belém (PA). Queremos lançar esses editais entre agosto e setembro, para encerrar os processos ainda neste ano. Para as concessões de portos, vamos priorizar Manaus (AM), o Porto Sul (BA) e encaminhar o porto de Águas Profundas (ES), que ainda não tem projeto pronto. Queremos conceder ainda neste ano os dois primeiros, sendo mais rápido o de Manaus (AM). Sobre os novos requerimentos de autorização que chegaram à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) após a edição da medida provisória, já a partir da próxima semana os trâmites serão acelerados. Na prática, contudo, as emissões só poderão ser consolidadas com os regulamentos. Por isso, nós vamos nos apressar para emitir decretos, resoluções da Antaq e portarias.
Os R$ 54,2 bilhões previstos no ano passado em investimentos no setor estão mantidos?
Vai melhorar. O marco regulatório dá garantia e tranquilidade aos investidores. A lei, no meu entendimento, estriba isso para que possam ser atraídos investimentos. Eu acho que vai ser muito mais do que R$ 54,2 bilhões. Tivemos várias manifestações de dezembro para cá. Por isso, há essa tendência muito forte. O investidor terá garantias legais, porque antes havia dúvidas sobre as regras para cargas própria e de terceiros.
Como o senhor avalia o debate acalorado que ocorreu na Câmara em torno da MP 595?
Já fui deputado por seis anos e nunca vi matéria tão debatida e de maneira tão apaixonada quanto esta MP. O Brasil todo falou disso. Isso é bom, pois só se preocupavam com portos algumas poucas cidades onde os maiores estão instalados. Agora não! Todo mundo sabe que porto é uma estrutura que traz desenvolvimento e melhora a economia. Isso aumentou mais ainda a nossa responsabilidade.
Mais caro dos estádios construídos para os eventos da Fifa no Brasil, ao custo de R$ 1,5 bilhão, e local do jogo de abertura da Copa das Confederações, entre Brasil e Japão, no dia 15 de junho, em Brasília, o Estádio Nacional Mané Garrincha receberá seu primeiro evento-teste, neste sábado, às 16h com a final do Campeonato do Distrito Federal, entre Brasília e Brasiliense. Com apenas 30% dos seus 70 mil lugares disponíveis neste primeiro jogo, o maior desafio da arena bilionária é o de ser aproveitada em sua plena capacidade fora das competições internacionais.
A presidente Dilma Rousseff estará presente à solenidade de inauguração, que terá o Hino Nacional cantado por Elza Soares, ex-mulher do craque que dava nome ao estádio anterior e que chegou a ser esquecido no projeto que criaria o Estádio Nacional de Brasília no mesmo lugar. Diante dos protestos e da mobilização de Elza, o nome de Garrincha foi mantido.
Sem representantes nas Série A e B do Brasileiro, o futebol de Brasília levou em média mil pessoas por jogo nesta edição do campeonato regional. Na vitória do Brasiliense por 1 a 0, no primeiro jogo da final, há seis dias, o Estádio Serejão recebeu 1.956 pagantes, que produziram uma renda de R$ 12.480. Mesmo que não houvesse descontos no borderô, seria preciso repetir essa arrecadação 120 mil vezes para cobrir os custos da empreitada, que teve seu valor dobrado em relação ao orçamento inicial. Com 16 aditivos ao contrato inicial, os R$ 696,6 milhões necessários para a reconstrução já chegaram aos R$ 1,2 bilhão, sem contar os R$ 300 milhões para a urbanização do entorno do estádio.
Entre diversas irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, só a construção da cobertura, orçada em R$ 173 milhões, apresentou um acréscimo de R$ 72 milhões por causa de suposto “superfaturamento” de materiais. Dos 22 mil ingressos disponíveis para o jogo de hoje, 12 mil foram oferecidos aos operários que ergueram o estádio. Dividida entre os clubes, federação e governo, a carga restante foi vendida de forma caótica, ao preço de R$ 20, com direito à meia entrada e à espera de até seis horas nas filas.
Está tudo igual na série semifinal do NBB entre Flamengo e São José/Unimed. Na noite desta sexta-feira, diante de 4,5 mil torcedores na HSBC Arena, na Barra, onde não jogava há cerca de dois anos, o rubro-negro atropelou o time paulista por 100 a 84, igualando o confronto em 1 a 1. Também nesta sexta, valendo o acesso à próxima edição do NBB, o Tijuca bateu o Fluminense por 81 a 76, classificando-se com o Macaé para a liga em 2014.
A semifinal entre Flamengo e São José terá prosseguimento domingo, a partir das 20h, no mesmo ginásio. Neste sábado, às 21h45m, o UniTri/Uberlândia, que lidera a série por 2 a 0, vai receber o Bauru/Paschoalatto.
No equilibrado primeiro quarto, Kojo e Caio lideraram o Flamengo rumo a uma vantagem de quatro pontos: 27 a 23 no fim do período. No segundo quarto, seu melhor momento na série até agora, o Flamengo foi sólido na defesa e insinuante no ataque, deixando a equipe paulista tonta. Assim, o rubro-negro 47 a 28, em lance de Kojo, a 3m40s do fim. O São José ainda reagiu e tentou baixar a diferença, mas o Flamengo levou para o vestiário a vantagem de 54 a 42. Passado o intervalo, o time rubro-negro continuava melhor, embora fosse uma partida de muitos erros de ambas as equipes. São José ainda reduziu a diferença que ficou em sete pontos a favor do rubro-negro (69 a 62). Mas Benite cresceu para ajudar o time a fazer 78 a 62 no fim desse quarto. No último período, o Flamengo continuava absoluto e obtinha a maior diferença, de 26 pontos, em 90 a 64, a sete minutos do término da partida, com Benite.
Flamengo: Kojo, Benite, Marquinhos, Olivinha e Caio Torres. Entraram: Gegê, Shilton, Zanotti, Diego e Duda. São José: Fúlvio, Laws, Dedé, Jefferson e Murilo. Entraram: Luiz Felipe, Chico, Deivisson, Calvo e Ícaro.
Na NBA, o San Antonio Spurs, do brasileiro Tiago Splitter, está na final da Conferência Oeste da NBA, após ter derrotado o Golden State Warriors, por 94 a 82, em Oakland, fechando a série em 4 a 2. Na final, vai enfrentar o Memphis Grizzlies, que havia superado o Oklahoma City Thunder por 4 a 1. No lado Leste, o New York Knicks bateu o Indiana Pacers por 85 a 75. A série está em 3 a 2 para o Indiana, e o próximo confronto será neste sábado, em Indianápolis.
SÃO PAULO – O texto final da Medida Provisória 595, a MP dos Portos, aprovada no Senado na noite de quinta-feira, apesar de algumas ressalvas, atende os objetivos de melhorar a competitividade da estrutura portuária brasileira e de atrair recursos para o setor, segundo especialistas na área de logística e entidades empresariais ouvidos pelo GLOBO. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) estima em “mais de R$ 50 bilhões” os investimentos a médio prazo com a construção de novos terminais portuários privados. Para Paulo Godoy, presidente da entidade, esses investimentos funcionarão como “uma correia de transmissão de crescimento econômico”.
O economista Rui Botte, especialista em logística e transporte da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), também vê chances de as novas regras atraírem o interesse de grandes grupos privados internacionais na construção de terminais próprios, para operar com cargas próprias e, eventualmente, com a de terceiros.
Ele concorda com as estimativas feitas pelo mercado e o governo de desembolsos superiores a R$ 50 bilhões nos próximos anos. Mas chama a atenção para o fato de que a MP não soluciona os outros entraves de logística e infraestrutura para levar as mercadorias aos portos:
— Este ponto continua merecendo maior interesse por parte do governo — diz.
O professor Manoel Reis, coordenador do centro de Estudos de Logística da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é taxativo:
— Só a MP não resolve. Vai depender da integração de projetos de ferrovias e rodovias e também de um programa associado à capacidade de armazenagem de mercadorias.
Ele acrescenta que a forma como a MP passou pelo Congresso não vai tirar o apetite dos investidores:
— Esperamos que o Executivo tenha a competência de fazer um conjunto de licitações decentes. Ele (o Executivo) terá de andar dentro das normas que ele mesmo criou.
Do ponto de vista legal, a advogada Claudia Bonelli, sócia da área de Direito Administrativo e Regulatório do escritório TozziniFreire, acha que a redação final da MP esclarece muitas dúvidas que persistiram durante o processo de aprovação das novas regras.
— Apesar de tudo, e dos vetos que podem acontecer no texto, as regras para o papel dos terminais privados estão mais claras — afirma Claudia, observando que a nova legislação abre o mercado para os terminais privados competirem integralmente com os portos públicos.
BRASÍLIA - Dias seguidos de duras batalhas entre o Congresso e o Palácio do Planalto deram ao governo uma importante vitória, com a aprovação da MP dos Portos, mas deixaram expostas as fissuras na relação do PT com o principal partido da base aliada, o PMDB. As discussões durante a madrugada de quinta-feira, quando deputados petistas chegaram a afirmar que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), estaria contribuindo com a oposição, são resultado de um processo de desgaste que começou quando Dilma Rousseff tomou posse e que chega agora a um momento crítico. Parlamentares da base aliada dizem que a crise vem crescendo à medida que as eleições de 2014 se aproximam, mas ninguém hoje com poder no PMDB cogita abandonar a chapa presidencial em 2014.
Mas a grande dúvida é se os deputados federais colocarão de fato o time em campo para ajudar a reeleição de Dilma. E quanto de trabalho ainda darão ao governo nas próximas votações importantes da Câmara. O motivo principal de queixa é um só: os deputados peemedebistas temem que a falta de apoio do governo prejudique suas candidaturas à reeleição. Ou seja, trata-se de uma questão de sobrevivência. Foi por isso que se fez muito barulho nas votações das madrugadas.
Queixas contra políticas públicas diretas
A reclamação não é mais apenas pelo fato de o governo não liberar as emendas parlamentares aprovadas no Orçamento da União que os deputados destinam às bases eleitorais. O novo foco de crise é a decisão do Planalto de estabelecer políticas públicas diretas com os municípios, que, dispensam a intermediação dos parlamentares.
Exemplos citados por deputados são as entregas de ônibus escolares e máquinas agrícolas a prefeituras do interior feitas pela própria Dilma. Usualmente, eles usam parte de suas emendas para destinar o maquinário para suas cidades, e, agora, acusam o governo de fazer a destinação e, pior, de só avisar aos políticos do PT para que eles faturem politicamente. Após o PMDB perder 15% de suas prefeituras nas eleições do ano passado, o temor é que o mesmo aconteça com a bancada federal:
— Há uma preocupação de que 2012 seja um trailer do filme que se aproxima em 2014. Só que em 2014 o que está em jogo é o futuro de cada um. Se cair de 80 para 60 (deputados), a preocupação é quem serão esses 20. O projeto de poder do PT é hegemônico, e ele tem mecanismos como informação, verba e ministérios que o PMDB não tem. Cabe à presidente bater na mesa e dizer que quem vai sofrer é a família toda — cobra o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).
O cenário no Senado é menos dramático. Como os principais senadores peemedebistas comandam nacos importantes do governo e apenas um terço dos parlamentares terá de disputar eleição no próximo ano, as reclamações são menores. Ex-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), avalia:
— A base do governo sai unida aqui no Senado. A coordenação política do Planalto precisa trabalhar a base da Câmara, é importante fortalecer a união.
O senador Humberto Costa (PT-PE), segue a mesma linha:
— A coisa foi na Câmara mesmo. Não identifico nenhum problema no Senado com o PMDB. Pelo contrário, o PMDB no Senado até entrou em conflito com o partido na Câmara por causa das dificuldades que estava colocando para votar a MP. Agora, precisa de um tempinho para deixar a poeira baixar e ter um pouco de conversa, para que isso não tenha maior repercussão.
Sem retaliações a Eduardo Cunha
Articuladores no Planalto trabalham para curar as feridas da recente guerra e a própria presidente Dilma pôs a mão na massa para executar a tarefa. A estratégia é afagar o partido, prestigiando o vice-presidente, Michel Temer, e os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Renan Calheiros (PMDB-AL), no papel de interlocutores privilegiados do governo.
É uma promessa de tentar reduzir uma das principais queixas dos aliados, que só cresceu desde a posse de Dilma: a de que os políticos não são ouvidos pelo Planalto e de que falta habilidade na articulação política. Com a proximidade das eleições de 2014 e matérias importantes a serem votadas no Congresso até lá — como o código da mineração, reformas no ICMS e no PIS-Cofins —, a avaliação no governo é de que não há mais espaço para estremecimentos na relação com o PMDB.
Nesse raciocínio, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), que comandou o movimento rebelde na Câmara durante a votação da MP dos Portos, deverá ser poupado de retaliações. O Planalto respirou aliviado na noite de quinta-feira, após a aprovação da medida, pela avaliação de que, se o governo tivesse perdido, Cunha teria se tornado a figura mais importante do Congresso, e aumentaria exponencialmente a fatura a ser cobrada em cada votação.
Mas há uma preocupação em não transformar o deputado em mártir. Por isso, em reunião na mesma noite, Dilma determinou a ministros e auxiliares que a página fosse virada, e proibiu o discurso de que Cunha seria retaliado com perda de cargos que apadrinhou em estatais. Foi um recado para tentar distensionar a relação com o líder do PMDB na Câmara. Nesta reunião, um ministro resumiu: “Nós sabemos que ganhamos e ele sabe que perdeu; não podemos tripudiar”.
No PT, o clima é de desconfiança crescente em relação ao mais importante aliado. Durante a votação de quinta-feira, chegou-se a ouvir gritos de “Fora PMDB” no plenário da Câmara, mesmo com o esforço dos dois presidentes do Congresso em entregar a mercadoria para o Planalto.
Mas, em evento nesta sexta-feira em que o PT comemorou os 10 anos de governo, o presidente do partido, Rui Falcão, minimizou as discussões entre os partidos:
— Quando há votações muito polêmicas, que se estendem pela noite, sempre há tensão. A gente não faz política por uma frase mais alta ou por uma fala fora do contexto.
Depois que acionou o trator governista e aprovou a MP em poucas horas no Senado, Renan cresceu na cotação do Planalto. Nesta sexta-feira, ele dava o tom dos discursos dos dirigentes do partido:
— O importante foi o resultado e não podemos generalizar o clima de embate, porque são correntes dentro dos dois partidos.
BUENOS AIRES — No ano passado, durante o julgamento sobre um plano sistemático de roubo de bebês executado pelos militares argentinos entre 1976 e 1983, a uruguaia Macarena Gelman teve a oportunidade de ver Jorge Rafael Videla no banco dos réus. Filha de desaparecidos argentinos (sua mãe foi trasladada, deu à luz e foi assassinada no Uruguai), Macarena foi entregue à família de um policial uruguaio quando nasceu.
O GLOBO: O que sentiu quando soube da morte de Videla?
Macarena Gelman: A tranquilidade de saber que ele foi julgado e condenado. Em cada uma das condenações, se fez justiça por todas as vítimas. Teria sido bom julgar todos os crimes, mas cada um representava todos. E tudo o que vimos nos últimos anos ficará gravado em nossas mentes. Foi um genocida que não morreu impune. Todos sabemos quem foi, e os julgamentos vão continuar. Mesmo morto, Videla sempre estará presente porque foi o grande responsável pela tragédia de milhares de famílias como a minha.
Videla nunca se arrependeu...
Macarena Gelman: Não, e justificou até o fim os crimes cometidos. Lamento que tenha levado com ele informações que poderiam nos ajudar. Mas o caminho da Justiça continua.
Você o culpa pelo sequestro e desaparecimento de seus pais?
Macarena Gelman: Claro, ele sempre esteve por trás de tudo. O sequestro, o traslado de minha mãe grávida para o Uruguai, minha entrega para outra família, tudo estava relacionado a Videla. Não existem palavras para expressar o que foi essa pessoa, se é que podia ser chamada de pessoa. Mas ele será, sempre, tristemente conhecido como um assassino.
O ex-ditador foi considerado o principal culpado no caso de roubo de bebês...
Macarena Gelman: Ele poderia ter nos ajudado a encontrar os netos que ainda não descobriram a verdadeira identidade. Mas nem desse gesto de humanidade foi capaz. Nem com sua vida poderá pagar tantas vidas arruinadas. Ele foi julgado, privilégio que nossos familiares não tiveram. Nos resta a satisfação de que tenha morrido numa cela, como deveria acontecer com tantos repressores em outros países da região, impunes.
BRASÍLIA – Os embates econômicos em torno da votação da Medida Provisória (MP) 595, que mudou a Lei dos Portos, não se encerraram no Congresso na quinta-feira. Eles agora se darão do outro lado da praça dos Três Poderes, no Palácio do Planalto, que, até a sanção do texto, no dia 5, terá de tomar decisões que afetam gigantes como o grupo Gerdau e a Vale, além de empresas do próprio setor portuário. Técnicos do Palácio do Planalto apontam razões jurídicas para vetar, por exemplo, a criação do “terminal indústria” defendido por Jorge Gerdau, presidente da Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e conselheiro da presidente Dilma Rousseff. O terminal indústria, incluído no relatório do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), permite a dispensa de licitação quando um porto estiver na ponta da cadeia produtiva de uma empresa.
O grupo Gerdau, mineradoras e empresas do agronegócio não gostariam de ter um concorrente ou empresa de outro grupo em um porto que só tenha razão de existir para escoar seus produtos ao exterior. Porém, a expressão “terminal indústria” ressuscita os conceitos de “carga própria” e “carga de terceiros”, que a MP tentou derrubar. A sanção desse item causaria insegurança jurídica para os atuais Terminais de Uso Privativo (TUP), segundo critérios técnicos do governo, pois poderiam conviver com uma legislação híbrida.
Outra mudança, também incluída no relatório e que está na mesa de Dilma para ser avaliada, é a criação de um limite de 5% para que os armadores internacionais — empresas que detêm os navios — possam participar em sociedades que detenham novos terminais portuários.
Congresso analisará vetos
O limite foi criado para que essas empresas não tenham lucros cruzados entre a operação de transporte e a de transbordo no porto. Além disso, o limite exige que essas empresas se identifiquem junto ao governo, uma vez que são companhias estrangeiras fora da área de regulação. No entanto, a avaliação é de que essa limitação é burlável, porque bastaria a empresa investir por meio de uma offshore e omitir sua natureza.
Esse limite de 5% também poderia prejudicar empresas brasileiras que detêm participação em navios ou empresas de navegação, como a Vale e o grupo André Maggi. Pela regra, também teriam sua situação em portos limitados. A recomendação técnica é que o governo vete a medida e imponha limites de participação de armadores mediante regulação ou editais para as licitações.
Durante a discussão do texto, considerou-se colocar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como órgão responsável pela fiscalização da atuação excessiva dos armadores e de outras empresas no setor. No entanto, houve um recuo dos próprios lobbistas que defendiam essa fiscalização mais ativa, sob medo de exposição demasiada ao órgão que controla a concorrência econômica no país.
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse nesta sexta-feira que é direito do Executivo vetar pontos de projetos aprovados no Congresso, mas que, no caso da MP dos Portos, o melhor é procurar o entendimento e que “quanto menos vetos, melhor”.
— O governo deve avaliar bastante a questão dos vetos. Existem dispositivos que foram modificados no relatório do senador Eduardo Braga. Ele aprovou o relatório por unanimidade na comissão. Eu não vejo questões divergentes. Acho possível procurar entendimento. Cabe às ministras Gleisi e Ideli articularem com os líderes no sentido de verificar tudo o que pode ser aproveitado nessa proposta — afirmou Jucá. — Quanto menos veto, melhor. Essa questão deve ser levada em conta.
Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB- AL) preferiu não polemizar. Afirmou que a Constituição dá ao Executivo o poder de vetar e ao Legislativo, de apreciar os vetos efetuados pelo governo.
— A Constituição garante à presidente o direito de fazer o veto que ela desejar fazer e garante também ao Congresso apreciar esses vetos. Já fizemos isso com o pré-sal. Nós vamos convocar uma sessão do Congresso Nacional para declararmos prejudicados alguns vetos e os líderes estabeleçam a prioridade de votação dos demais — afirmou Renan.
RIO - Se a seleção brasileira é, talvez, o símbolo mais representativo do país, as mudanças em sua constituição são imagem fiel de um Brasil em transformação. Retrato de uma economia mais pujante, de uma moeda mais forte e de um futebol onde circula mais dinheiro, enquanto a Europa vive sua crise, o time que vai à Copa das Confederações faz a curva de jogadores brasileiros de alto nível que atuam no exterior cair após décadas de crescimento vertiginoso. O torneio será disputado por uma equipe que tem 52,2% de seus atletas jogando em clubes brasileiros. Nas duas últimas Copas do Mundo eram 86,9%.
A Copa de 1978, na Argentina, marca o último Mundial disputado por uma seleção genuinamente nacional. Dos 22 convocados por Cláudio Coutinho, nenhum atuava no exterior, numa época em que as barreiras para a transferência de jogadores eram rompidas de forma esporádica.
INFOGRÁFICO: 'Estrangeiros' na seleção brasileira
O crescimento do êxodo começa a ser sentido a partir das Copas de 1982, na Espanha, e 1986, no México. Ainda que os “estrangeiros” continuassem sendo exceções.
Na primeira, Telê Santana levou Falcão, então jogador do Roma, da Itália, e Dirceu, que atuava no Atlético de Madri, da Espanha. Eram os únicos em ação no exterior, representando 9% do grupo convocado. O número se repetiu no México. Daquela vez, Edinho, do Udinese, e Júnior, do Torino, eram os dois selecionados “importados”. Na época, a Itália era o grande eldorado dos brasileiros.
A Copa de 1990 representa o grande salto. Sebastião Lazaroni levou para a Itália 12 jogadores que atuavam fora do Brasil (54,5%). Eles já se distribuíam por cinco países europeus: Portugal, Itália, França, Alemanha e Holanda. Quase toda a Europa já enxergava o talento brasileiro como sonho de consumo a preço baixo. A matéria-prima vinha de um país em crise econômica.
O tetracampeonato nos EUA veio com uma ligeira queda no número de estrangeiros: eram 11, ou seja, metade do grupo. Entre eles, os astros do time, Romário e Bebeto, que jogavam na Espanha. No entanto, o índice voltaria a crescer em 1998. No vice-campeonato na França, 63,6% do elenco — ou seja, 14 jogadores — atuavam no exterior. A novidade é que, além de Itália, Espanha, Alemanha e Portugal, dois selecionados vinham do Japão: Dunga e César Sampaio.
Felipão levaria para o Mundial de 2002, no Japão e na Coreia, 43,4% de “estrangeiros”. Optou por observar, na última hora, jogadores domésticos como Gilberto Silva, do Atlético-MG, Kléberson, do Atlético-PR, e Anderson Polga, do Grêmio. O número de estrangeiros caiu para dez. No entanto, atingiria o recorde em 2006 e 2010. Eram nada menos do que 20 jogadores em ação no exterior em cada um dos torneios. Na Copa da Alemanha, seis países e 11 clubes diferentes da Europa cederam jogadores. Só Rogério Ceni, Mineiro e Ricardinho, todos coadjuvantes, jogavam no Brasil. Na África do Sul, surgiu a seleção mais multifacetada da história. Os 20 “estrangeiros” atuavam em oito países europeus diferentes e 14 clubes distintos.
Hoje, capaz de manter jogadores como Neymar e rapatriar estrelas, o Brasil será representado por um time quase 50% nacional.
GRANBURY, Texas - Um tornado devastou partes do norte do Texas, deixando ao menos seis mortos, dezenas de feridos e dezenas de casas danificadas, informaram autoridades.
A população mais afetada na quarta-feira foi Grandbury, onde as autoridades disseram que ocorreram as mortes quando o tornado de primavera arrasou dois condados vizinhos.
Segundo o jornal "The Dallas Morning News", alguns dos feridos estão em estado grave, e, por isso, o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas. O Serviço Meteorológico dos EUA colocou em alerta 32 condados no Texas e em Oklahoma.
RIO — A psicóloga Maria José da Silva Amaral, de 47 anos, perdeu a mãe e a filha atropeladas por um ônibus da linha 238 (Água Santa-Praça Quinze), da Viação Paranapuan, em dezembro de 2000, no Andaraí. As duas estavam sobre a calçada. Depois de anos atuando em trabalhos com vítimas de acidentes de trânsito, Maria José escreveu o livro “Seguindo a estrada — trajetórias de perdas repentinas e precoces no trânsito”.
O motorista do ônibus foi condenado?
Ele foi punido apenas administrativamente, com suspensão do direito de dirigir. Na esferal criminal, onde eu tanto esperava uma punição justa, ele foi absolvido, deixando todos indignados.
Você recebeu alguma indenização da empresa?
Sim, no final de 2007, mas lamento muito porque o mais importante para mim era uma punição justa para o motorista. Nenhum dinheiro resolverá a falta dolorosa que existe em mim. Falta que em nenhum momento foi respeitada pela empresa. Muitas vezes, durante o processo, ela demonstrou banalizar a minha dor. A indenização é apenas um meio de mexer com o bolso de quem não investe nos seus profissionais, fazendo com que eles sejam cuidadosos para valorizar a vida dos passageiros, dos pedestres e das demais pessoas ao seu redor.
O que mudou na sua vida depois do acidente?
Tudo. Eu vivia com minha mãe e minha filha, estava recém-separada do pai dela. Elas eram as únicas pessoas que eu tinha, que me esperavam com um abraço. A partir dali, tive que aprender a conviver com a ausência, o verdadeiro buraco que ficou em mim. Ainda bem que no fundo do poço existe uma mola, ou eu teria morrido também pela depressão.
Como você avalia o comportamento dos motoristas de ônibus do Rio?
Este profissional deve ter tolerância, respeito e solidariedade, deve ser bem treinado, ter qualidade de vida e apoio total, para que desempenhe suas funções sem ameaçar a sociedade. É preciso um maior investimento humano nesses profissionais, para que seu trabalho se dê de forma adequada e respeitosa.
RIO — Além do impacto visual e urbanístico, o píer em Y, que a Companhia Docas pretende construir no Porto do Rio, deverá provocar reflexos no trânsito da futura Via Expressa, que será criada pela prefeitura em substituição ao Elevado da Perimetral. A avaliação é do arquiteto João Pedro Backheuser. Ele é o responsável pela proposta alternativa, o píer em E, que teria uma plataforma para desembarque dos passageiros dos navios na altura dos armazéns 8 e 9. Com isso, segundo especialistas, o fluxo de veículos que atenderiam aos turistas seria deslocado, estimulando os visitantes a utilizarem a Avenida Francisco Bicalho e os túneis Rebouças e Santa Bárbara para chegar à Zona Sul.
Pela proposta, a plataforma de desembarque seria interligada a um boulevard, com áreas verdes, restaurantes e outros serviços. Nessa região, próxima aos armazéns 8 e 9, seria criada ainda uma área de manobra para os veículos, reduzindo o impacto no trânsito local. Segundo Backheuser, passam em média de 700 a 800 mil pessoas por ano pelo Píer Mauá. Em 2016, esse número deverá chegar a dois milhões por causa das Olimpíadas.
— Na altura dos armazéns 8 e 9, teríamos espaço para organizar o trânsito com pátio de manobra para ônibus e táxis. Com o píer em Y, não há espaço suficiente para tantos veículos e pessoas — disse Backheuser.
O arquiteto acrescentou que uma das vantagens do píer em E é que os passageiros desembarcam dos navios e seguem por uma passagem elevada, deixando a orla livre. Os armazéns históricos, que pelo projeto do píer em Y serão usados como alfândega, também poderão ser utilizados para a realização de eventos.
IAB apela a governantes
O anúncio feito por Docas de que as obras do píer em Y começam no mês que vem fizeram o IAB divulgar na quarta-feira uma nota de repúdio. O governador Sérgio Cabral manteve o silêncio, alegando que o assunto é municipal. Já o prefeito Eduardo Paes — que disse nada poder fazer sobre a decisão de Docas, embora prefira o píer em E — falou ontem, mais uma vez.
— O problema não é se o píer é em E ou Y. O problema não é a letra e o formato do píer. O problema é a localização dele (píer em Y), que é muito ruim. Sou favorável que o píer seja feito mais à frente, próximo ao galpão 5 ou 6, afastando do museu (do Amanhã). Onde ele está programado é uma tragédia para o pobre do turista. Ele terá que descer do navio e caminhar até a Via Expressa para pegar um veículo — disse. — Falei hoje com o governo federal. Há três anos, estou lutando para evitar que o píer seja erguido nessa área.
Em nota, o IAB voltou a protestar contra “a prática do fato consumado, ora recorrente, típica de regimes discricionários”. De acordo com o IAB, o cronograma das obras e as questões comerciais “não devem se sobrepor aos interesses da cidade”. O instituto apelou “aos governantes e órgãos públicos relacionados ao tema para que intercedam de modo a reverter esse quadro e evitar que essa proposta, certamente danosa para a cidade, se materialize”.
— O prefeito é o representante dos cidadãos e, mesmo a área do píer não sendo de sua responsabilidade, precisa haver entendimento entre o governo federal e o municipal. Não podem prevalecer os interesses de Docas. Docas não tem esse direito de dizer o que é melhor para o Rio de Janeiro. As intervenções urbanas não podem ser impostas goela abaixo do carioca, precisam ser discutidas antes — disse o presidente do IAB-RJ, Sérgio Magalhães.
Para o presidente do IAB-RJ, o píer em E ofereceria mais conforto aos passageiros que desembarcam na cidade. Já, no desenho em Y, o turista terá que caminhar 600 metros até a chegada aos armazéns que estão fechados. A arquiteta Cêça Guimaraens, professora da UFRJ, cobrou uma posição do Iphan já que, na sua avaliação, o píer vai afetar uma área de preservação do Centro da cidade.
— A proximidade do desembarque do píer em E com a Francisco Bicalho é muito boa. Você teria uma articulação com restante da cidade, aliviando o excesso de tráfego nas proximidades do Porto. Acho que está faltando o Iphan se posicionar.
Iphan continua a não mostrar parecer
Em nota, o Iphan informou que foi procurado pela Companhia Docas, em novembro de 2012, para uma consulta prévia sobre o píer, que teria 500 metros de distância do atual atracadouro da Praça Mauá e uma plataforma com acesso pelo cais, entre os armazéns 2 e 3. “Naquele momento, concluímos que ao Iphan não cabia aprovar ou desaprovar tal projeto, uma vez que o empreendimento encontra-se fora de qualquer poligonal de tombamento ou de entorno dos bens protegidos, como o Mosteiro de São Bento, o Prédio das Antigas Docas Dom Pedro II ou o Morro da Conceição”. Na mesma nota, o Iphan informou que projetos dessa natureza sempre causam algum tipo de impacto e, como se trata de uma área histórica que está sendo revitalizada, um bom projeto deve considerar as questões técnicas inerentes aos navios de turismo e ir além do cais em si, “contribuindo efetivamente para a requalificação da cidade e para a melhoria da qualidade de vida do carioca”. Mas o Iphan, mais uma vez, não forneceu o parecer de seus técnicos sobre a obra do píer em E, feito a pedido de Docas.
RIO — O Ministério Público estadual vai investigar denúncias de que meninas acolhidas no Centro de Recepção de Crianças e Adolescentes Taiguara, na Rua República do Paraguai, Centro do Rio, foram torturadas e submetidas a maus-tratos de agentes. Conforme publicado na coluna de Ancelmo Gois, as informações foram repassadas ao MP pelo Juizado da Infância e Juventude após receber relatório de uma inspeção feita no abrigo pela Defensoria Pública e Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).
Segundo a coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública, Márcia Fernandes, durante uma vistoria, no último dia 9, sete internas chegaram a dizer aos comissários do órgão que levaram até choques elétricos. Também teriam sido ameaçadas por educadores identificados como Xuxa, Macumba, Jefferson e Edvá. A juíza da Vara da Infância e da Juventude, Ivone Caetano, afirmou, em seu relatório ao MP, ser “inadmissível que em pleno século XXI ocorram tais fatos em instituições que deveriam proteger crianças e adolescentes”.
A defensora Márcia Fernandes encontrou grades e cadeados em portas e janelas do abrigo. A Secretaria municipal de Desenvolvimento Social informou, por nota, que demitiu os educadores Macumba e Jefferson. Outros dois servidores, identificados como Edvá e Xuxa, foram transferidos para outras unidades.
RIO — A concessionária que administra o metrô está anunciando a venda dos nomes das estações. A medida é apresentada no site da empresa como "o primeiro programa de patrocínio corporativo das autoridades de transporte do Brasil, incluindo direitos de nome, uma estratégia desenvolvida para parceiros exclusivos e bem estabelecidos em toda a amplitude dos ativos e instalações". Ainda segundo o texto, a iniciativa, em parceria com a IMX — empresa de Eike Batista —, tem o objetivo de identificar oportunidades de receita adicionais além das plataformas atuais, com propagandas e lojas.
Pelo projeto, batizado de Estação Patrocinada e que estimula as empresas a transformarem suas marcas em referência para a cidade, estações como Cinelândia, Cantagalo ou Pavuna receberiam um primeiro nome, no caso, das empresas que fecharem negócio com a concessionária Metrô Rio.
Em outro trecho de apresentação do projeto no site, a Metrô Rio diz que está criando negócios em várias dimensões: "Ele gera oportunidades exclusivas, comunicação dinâmica e plataformas de promoção, acesso a ativos e propriedades de classe mundial do MetrôRio e conexões de marca inovadoras".
A concessionária diz, ainda, que o programa oferece para as empresas a oportunidade de mostrar o comprometimento com o Rio e a sociedade carioca. E que procura parcerias em longo prazo.
O engenheiro de Transportes Fernando Mc Dowell, que participou de processos de concessão como da Via-Lagos e da Ponte Rio-Niterói, diz que uma parceria público-privada só tem sentido se tiver objetivo social, e classificou a proposta da Metrô Rio de absurda.
— Nunca ouvi nada parecido em lugar nenhum do mundo. Vão baixar o preço da tarifa? Uma medida absurda como essa só tem sentido se houver redução de custo do serviço para os usuários — disse ele, acrescentando que essa redução de preço teria que ser de no mínimo 30% no valor da passagem.
Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da Metrô Rio desconhecia o projeto. A Agência Reguladora de Transportes (Agetransp) informou que só se pronunciará nesta quinta-feira sobre o caso, assim como a Secretaria estadual de Transportes.
RIO — O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) resolveu comprar briga com entidades de defesa do meio ambiente, a pretexto de apoiar pescadores da região da Costa Verde. O parlamentar entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal a fim de obter autorização para a prática de pesca amadora na Estação Ecológica de Tamoios (Esec Tamoios), em Angra dos Reis, unidade de conservação federal de proteção integral, onde é proibido qualquer tipo de intervenção humana. O Ministério Público Federal no Rio, em parecer sobre o caso, afirmou que Bolsonaro quer "um verdadeiro salvo-conduto de pesca emitido pelo Judiciário", algo "impensável" do ponto de vista jurídico. Também está em análise, desde março deste ano, pela Procuradoria Geral da República, em Brasília, se houve uma suposta prática de crime ambiental por parte do deputado.
— O mandado de segurança é pessoal, personalíssimo, só favorece ele. Se ele quisesse favorecer outras pessoas, que ajuizasse uma ação popular, por exemplo, ou uma ação civil pública por alguma associação. Os pescadores têm associações e nunca pleitearam isso — explicou o procurador da República Maurício Manso.
Foi depois de uma multa de R$ 10 mil aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em janeiro do ano passado — quando foi flagrado pescando num barco no costão da Ilha de Samambaia, que integra a Esec Tamoios —, que o deputado federal abriu fogo contra os fiscais do Ibama, analistas ambientais e procuradores. De acordo com relatório de fiscalização do órgão, o parlamentar argumentou que tinha autorização para pescar em qualquer ponto da Baía da Ilha Grande. Inconformado, ele chegou a ligar para o então ministro da Pesca, Luiz Sérgio (PT-RJ), ex-prefeito de Angra, que o aconselhou a deixar o local.
— Estávamos numa patrulha normal quando encontramos a embarcação do deputado, que não quis se identificar. Mas o reconhecemos de imediato. Ele tentou argumentar que estava num momento de lazer, mas explicamos que a proteção era integral e, por esta razão, era proibida qualquer tipo de atividade. Ele foi arrogante e prepotente — lembrou o então chefe do escritório do Ibama em Angra, José Augusto Morelli, que não atua mais como fiscal de campo desde o episódio.
Colônia de pescadores nega apoio
O deputado alega que foi humilhado pela fiscalização, ressaltando que não há placas de aviso na Ilha de Samambaia:
— Esse pessoal do Ibama é arbitrário. Eu estava só com uma varinha de pescar, não usava arrastão, nem arpão. Isso que eles fazem é um absurdo. Na região há cerca de 15 mil pescadores humildes sendo impedidos de trabalhar. Eu mesmo só estava pegando umas cocorocas. Podia comprar um pescado na peixaria, mas queria aproveitar meu lazer. Tenho casa lá. Simples, não é como a de outros colegas. Além disso, não havia placas no local. Apesar de eu saber que lá não era permitido pescar, pois fiz um requerimento de informações ao Ministério da Pesca, achei um absurdo a proibição.
Apesar de afirmar que está defendendo os pescadores, o presidente da Colônia dos Pescadores Z18 de Paraty, Márcio de Alvarenga Oliveira, nega tal apoio por parte do parlamentar:
— A gente vem lutando pelo pescador, cria da região, que sustenta a família da pesca artesanal. Temos 1.100 associados. Nós somos profissionais e estamos fazendo um acordo (termo de compromisso) com o pessoal da Esec Tamoios para pescar em determinados pontos, sem interferir no meio ambiente. No início, não entendíamos a importância da preservação da região. Realmente, não se pode abrir espaço para embarcações grandes. As nossas são canoas, sem potência para ir mais longe. Essa pessoa (Jair Bolsonaro), que não gosto nem de citar o nome, está brigando porque foi flagrada por lá degradando. Ele não nos representa — afirmou Márcio.
O assunto se arrastou numa disputa jurídica até a Procuradoria Geral da República, em Brasília, onde Bolsonaro estaria sendo chamado para prestar esclarecimentos. A procuradora Monique Cheker, da Procuradoria da República em Angra dos Reis, que declinou da atribuição por causa do foro privilegiado de Bolsonaro, analisou a importância da reserva.
— A Estação Ecológica de Tamoios é uma das áreas com mais restrições em termos ambientais, pois tem como propósitos a pesquisa científica e o monitoramento da região. Foi criada pelo decreto 98.864/90, do ex-presidente José Sarney, reforçado por uma lei em 2000 que amplia este caráter de proteção .
Dois projetos de lei para a região
Coincidência ou não, após o bate-boca entre o deputado e os fiscais, foram propostos dois projetos de lei na Câmara dos Deputados. Um deles, por ironia, é do deputado federal Luiz Sérgio, ex-ministro da Pesca e ex-prefeito de Angra, sobre a liberação de embarcações particulares, pesca artesanal ou amadora, além da utilização das praias por banhistas, na Esec Tamoios. O outro é de iniciativa do deputado Felipe Bornier (PSD-RJ), também com o mesmo propósito. Os projetos foram apresentados por deputados aliados do governo.
Para a procuradora da República Monique Cheker, os dois projetos são inconstitucionais e um retrocesso ao novo Código Florestal:
— Ambos tiram a proteção ambiental da Estação Ecológica de Tamoios. Estaríamos andando para trás. Há outras ilhas na região liberadas para a pesca. Por que autorizar logo numa unidade de proteção integral?
Régis Pinto de Lima, chefe da Esec Tamoios, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ressalta que a importância da área se deve à implantação das usinas nucleares:
— A estação foi criada em consequência do programa nuclear brasileiro como uma espécie de compensação ambiental. Se, por acaso, ocorrer algum efeito nocivo proveniente das usinas, é na estação que os pesquisadores serão capazes de detectar os impactos ambientais e reverter o processo.
Atualmente, a estação conta com apenas duas analistas ambientais fiscalizando a área. Como o único barco está inoperante, o remédio é monitorar os barcos pesqueiros acima de dez metros ou 50 toneladas apenas por meio do sistema de rastreamento de embarcações por GPS. Trata-se de um programa recentemente instalado nos computadores da Esec Tamoios, pelo qual é possível perceber se há pesca no local, autuando de imediato os infratores. O Ibama também passa por dificuldades para fiscalizar, pois conta apenas com um fiscal para patrulhar um terço do litoral do estado do Rio com um barco.
RIO — Depois de eleito Patrimônio Mundial da Humanidade, na categoria Paisagem Cultural, o Rio não pode apenas comemorar a vitória. Por isso, seis cariocólogos foram convidados pela Casa do Saber O GLOBO para discutir que medidas a cidade tem tomado para fazer jus ao título. A partir desta quinta-feira, os arquitetos Nireu Cavalcanti, Augusto Ivan de Freitas Pinheiro e Sérgio Magalhães; as chefs Kátia Barbosa e Luiza de Souza; e o biólogo Mário Moscatelli se dividem numa série de três encontros para responder como vai a cidade. O evento marca a parceria que se inicia esta semana entre O GLOBO e a Casa do Saber Rio, na Lagoa.
Nesta quinta, o editor de Rio do GLOBO, Gilberto Scofield Jr., é o mediador do encontro entre Cavalcanti e Pinheiro, que debatem o tema “O Rio cuida de seu patrimônio?”, das 20h às 22h. No dia 23 de maio, Moscatelli e Magalhães discutem sobre o tema “Degradação ou Esperança?”, com mediação do colunista Ancelmo Gois. E, para finalizar a série de encontros, a jornalista Luciana Fróes, do caderno Ela, do GLOBO, é a mediadora de “O que tem de especial a autêntica culinária carioca?”, com Kátia e Luiza, no dia 6 de junho.
‘Duas instituições ligadas’
Segundo o diretor de conteúdo da Casa do Saber O GLOBO, Luiz Antonio Ryff, a metrópole que estamos construindo com as decisões tomadas hoje e as tendências históricas, culturais, urbanísticas e ambientais que marcam o Rio do presente são alguns dos temas abordados nos três encontros:
— É significativo que a estreia da parceria seja um ciclo de palestras sobre a nossa cidade. Afinal, são duas instituições intrinsecamente ligadas ao Rio, preocupadas com ele e interessadas em pensar sobre ele.
Na quarta, o auditório da Casa do Saber O GLOBO recebeu um time de especialistas para mostrar os avanços da telemedicina, especialidade que reúne o poder das telecomunicações, da robótica e do conhecimento médico. O evento — que foi mais uma edição da série Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, iniciada no ano passado — teve palestras dos cardiologistas Marcos de Sousa, Evandro Tinoco e Eduardo Saad.
De Miami, Antonio Mattos Jr., diretor de telemedicina de Trauma do Hospital da Universidade de Miami, fez uma exibição em tempo real para o auditório do Rio. O encontro, mediado pela jornalista Ana Lucia Azevedo, editora de Ciência e Saúde do jornal O GLOBO, teve coordenação do cardiologista Cláudio Domênico, da Sociedade Europeia de Cardiologia. O evento será tema de reportagem na edição deste domingo, na editoria de Saúde do GLOBO.
RIO — Era uma vez um contrato de concessão do serviço de transporte rodoviário na cidade do Rio de Janeiro. Reproduzido em 2010 para quatro consórcios de empresas de ônibus, que ganharam o direito de operar as linhas da capital por pelo menos 20 anos, o texto bem que poderia se enquadrar numa obra de ficção. Um dos capítulos — ou cláusula, como é chamado — afirma categoricamente: a concessionária terá que garantir aos usuários “regularidade, continuidade, eficiência, segurança, conforto e cortesia”, entre outras obrigações. Aqueles que não cumprissem com as regras estariam sujeitos a punições. Brandas, como uma advertência. Ou severas, como uma declaração de inidoneidade. A Secretaria municipal de Transportes informou que aplicou até hoje 11 multas contratuais, já transitadas e julgadas na prefeitura, que somam cerca de R$ 1 milhão. Outras cinco estão em fase de recurso, no valor de R$ 251 mil.
Relatórios resumidos
A quinta reportagem da série “Máquinas mortíferas” mostra que, ao menos no papel, o sistema de ônibus no Rio deveria funcionar. A lista de regras que as empresas precisariam cumprir é cheia de itens genéricos, que beiram a perfeição. Em outra cláusula do contrato — conseguido através de requerimento de informação do vereador Cesar Maia (DEM) —, está previsto que a empresa deve “garantir a segurança do transporte, bem como a integridade física e o conforto dos usuários”. Um dos artigos diz que ela deve “tratar o público com urbanidade e educação”.
Além dos trechos genéricos, há outros pontos específicos que poderiam ser bastante úteis, mas, na prática, parecem longe do ideal. O contrato determina, por exemplo, que os consórcios deveriam relatar mensalmente à prefeitura não só as reclamações que recebem de passageiros, como todas as providências tomadas em relação às queixas. Embora a Federação das Empresas de Transportes (Fetranspor) tenha informações detalhadas, a Secretaria municipal de Transportes só recebe um relatório resumido, que não indica as medidas tomadas em relação às denúncias. Em fevereiro e março deste ano, por exemplo, usuários relataram até nove agressões físicas. A secretaria alegou que dispõe ainda de central própria e do serviço 1746 para auxiliar nos seus trabalhos de fiscalização.
Um exemplo de informação que ficou pelo caminho pode ser visto no relatório da Fetranspor de abril. Ali, é possível perceber que 295 reclamações estavam sem resposta desde janeiro. Do total, 75% referem-se a apenas duas empresas: Redentor (53%) e Futuro (22%). Segundo a entidade, o problema foi provocado pela substituição do funcionário responsável por atender às queixas. O novo responsável pelo setor passou por reciclagem e ontem já não haveria reclamações em aberto.
Sem banheiros
Outro ponto curioso do contrato é o que previa que, em um ano, todos os pontos finais de ônibus teriam que ter instalações sanitárias para o uso de funcionários. Em locais de muita movimentação, como a Central do Brasil, porém, não se avistam banheiros. Ontem à tarde, um funcionário inclusive urinava encostado num coletivo. Tanto a Fetranspor quanto a Secretaria de Transportes alegam que, quando não há sanitários instalados nos pontos ou terminais, os funcionários vão a estabelecimentos comerciais conveniados.
Apesar de toda a polêmica recente em torno da identificação de motoristas infratores, o contrato original já previa que o consórcio deveria “permitir livre acesso de fiscalização”. A Secretaria de Transportes informou que não há registro de caso de acesso negado. Mesmo assim, publicou resolução no mês passado “para obrigar que todos os reais infratores sejam identificados, determinando que a não informação passa a ser falta contratual”.
RIO — Das 187 ilhas da Baía da Ilha Grande, apenas 29 — com entorno marinho no raio de um quilômetro — fazem parte da Estação Ecológica de Tamoios. Ele abrange o correspondente a apenas 13% da área de 65.258 hectares da região. É neste pequeno espaço, se comparado a área total, que existem as restrições a qualquer tipo de pesca, incluindo-se a artesanal e de sobrevivência, além do trânsito de embarcações. Até mesmo o banho nas cinco praias localizadas na área protegida é proibido. São elas a do Sul, a do Engenho, a do Coelho (as três ficam na Ilha de Sandri) e duas pequenas formadas apenas na maré baixa na Ilha Comprida de Tarituba e a outra na Ilha do Pingo d’Água.
A estação foi criada pelo governo federal com o objetivo principal de proteger, pesquisar e monitorar parte dos ambientes marinhos e de Mata Atlântica da ilhas da Baía da Ilha Grande, localizada entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty. Não à toa a região é considerada exuberante em beleza, principalmente por ser rica em espécies. Lá acaba sendo o refúgio de badejos, garoupas, robalos, meros e chernes, por conta da pesca e caça esportiva indiscriminada fora da área de atuação da estação. Também estão protegidos no local: pinguins, focas, lobos-marinhos, golfinhos e baleias. A ideia da unidade de conservação integral é justamente a de preservar e restaurar a diversidade biológica dentro de suas ilhas e ambientes marinhos.
Segundo o chefe da Estação Ecológica de Tamoios, Régis Pinto, a unidade é basicamente marinha, o equivalente a 93% da reserva. A outra parte é de Mata Atlântica insular formada há 10 mil anos, quando da última vez que o mar inundou a região. Na realidade, as ilhas são os picos dos vales, contendo espécies que ainda não foram pesquisadas. A previsão é de que o inventário das ilhas e de toda a parte submersa da estação comece no segundo semestre deste ano. O trabalho será feito pelo Museu Nacional.
É a preservação que proporciona, segundo nota técnica emitida pelos analistas ambientais da estação contestando os projetos de lei dos deputados para a liberação da pesca, em trâmite na Câmara dos Deputados, que os estoques pesqueiros se mantenham e ocorra a renovação de espécies, que ultrapassam os limites da área de preservação para as zonas onde a pesca é permitida. No documento assinado por Régis Pinto e pela analista ambiental Adriana Nascimento Gomes argumentam que qualquer alteração no ambiente irá gerar "forte impacto negativo no ecossistema local, impossibilitando que a Unidade de Conservação execute suas obrigações constitucionais", causando dano coletivo.
Além do decreto 98.864/1990, que criou a Estação Ecológica de Tamoios, em 2000, foi instituído o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei 9.985/2000), estabelecendo que a estação é unidade de proteção integral.







