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Date: Monday, 20 May 2013 15:33

RIO - O ano começou mal para as empresas brasileiras de capital aberto. A soma do lucro líquido de 320 empresas de capital aberto brasileiras teve queda de 12,29% no primeiro trimestre de 2013 em comparação ao mesmo período de 2012, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria Economática.

O estudo mostra que a soma dos lucros no primeiro trimestre das 320 empresas analisadas chegou a R$ 40,2 bilhões no primeiro trimestre, 45,8 bilhões no primeiro trimestre de 2012. A diferença é de R$ 5,6 bilhões.

Dos 21 setores analisados pela Economática, 10 tiveram alta nos lucros. O destaque foi o comércio que teve expansão de 46,24% no lucro no período. O segundo setor com maior elevação no lucro foi o de transportes e serviços, em que houve crescimento de 33,07%.

Por outro lado, siderurgia foi o segmento com maior tombo nos lucros, que chegou a 84,12% no período.

Em valores nominais, o setor bancário, com 24 instituições financeiras, ainda registrou o maior volume de lucros entre os 21 segmentos analisados. Isso porque a soma dos lucros chegou a R$ 11,55 bilhões no primeiro trimestre deste ano, contra R$ 11,53 bilhões no mesmo período de 2012.

Na especificação por empresa, a Petrobras teve o mior lucro no 1º trimestre, de R$ 9,21 bilhões.

Na ponta oposta, as duas empresas que sofreram o maior prejuízo são do empresário Eike Batista. A MPX Energia teve perda de R$ 250,90 milhões no primeiro trimestre. Mas a lanterninha das 320 empresas ficou com a OGX Petróleo, que teve prejuízo de R$ 798,77 milhões, o maior entre as companhias analisadas.

Author: "--"
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Date: Monday, 20 May 2013 15:26

RIO — A Polícia Civil de Morrinhos, no Sul de Goiás, prendeu sete pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha de roubo e adulteração de leite em vários municípios da região, a maior bacia leiteira do estado. As prisões ocorreram na madrugada de domingo e os suspeitos foram apresentados na manhã desta segunda-feira na delegacia da cidade. Segundo as investigações, o grupo roubava parte da carga transportada para grandes laticínios e a levava para uma fazenda próxima ao trevo que dá acesso à cidade de Buriti Alegre, a 192 km de Goiânia. Após ser adulterado com água, sal e açúcar para aumento do volume, o leite era armazenado em péssimas condições de higiene, em meio a insetos, como baratas, e vendido para pequenos laticínios clandestinos também em Goiás.

O crime era cometido há vários anos e toda semana pelo menos 10 mil litros do produto eram desviados pela quadrilha. O prejuízo, só em Morrinhos, chegaria a R$ 60 mil, segundo a Polícia Civil de Goiás. Foram presos Humberto Pereira Oliveira, de 48 anos e que seria o chefe da quadrilha, Liomar Fernandes Rodrigues, de 39 anos, Leandro José de Souza, de 37 anos, Julio Cesar Silva, de 22 anos, Weider Aleixo Silva, de 25 anos, José Roberto Paulo de Souza, de 22 anos, e Gilciene Elias da Costa, de 38 anos.

A quadrilha começou a ser monitorada em novembro do ano passado pela polícia, após denúncias feitas pelo Sindicato das Indústrias de Laticínios de Goiás (Sindleite). Em apenas uma das rotas feitas pelos criminosos, a polícia encontrou três caminhões que já tinham transportado cerca de 700 mil litros de leite em uma semana. Na fazenda do suposto chefe da quadrilha, foram apreendidos 345 sacos de dois quilos de açúcar e três sacos de 25 quilos de sal, que seriam utilizados na adulteração. No local, também foram apreendidas centenas de litros da mistura usada na adulteração do leite, que era negociado com laticínios piratas.

A ação foi chefiada pelo delegado de Morrinhos Rilmo Braga, com apoio da unidade de inteligência da 6ª Delegacia Regional de Polícia de Itumbiara, após denúncias feitas pelo Sindleite, que mencionavam quadrilhas em toda região Sul do estado, furtando leite de vários laticínios. Segundo a denúncia, Complem, laticínio Bela Vista, Marajoara, Italac - que também foi envolvida no caso de fraude do leite gaúcho - e outras empresas eram vítimas dessas quadrilhas.

De acordo com o delegado regional de Itumbiara, Ricardo Chueire, a solução adicionada ao leite cru tinha apenas o objetivo de ganhar volume para que líquido adulterado fosse vendido a pequenos laticínios da região. A qualidade era muito ruim e o problema seria facilmente identificado por empresas grandes.

- A quadrilha desvia parte do leite que transportava para grandes laticínios durante a madrugada. E concentrava o que era roubado na fazenda de Buriti Alegre. Lá, adulterava o produto, armazenava em péssimas condições de higiene e depois vendia para pequenos laticínios - explica o delegado. - Em grandes laticínios, a fraude rapidamente seria descoberta, devido aos testes realizados no leite. Os pequenos laticínios não fazem exames. E a solução usada servia para dar volume ao leite furtado das grandes empresas durante o transporte.

Este é o segundo caso de contaminação de leite registrado este ano no país. No último dia 8, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) prendeu oito pessoas em cinco cidades gaúchas suspeitas de terem adulterado e contaminado com a substância cancerígena formol entre 10 milhões e 15 milhões de litros de leite das marcas Líder, Latvida, Mu-mu e Italac. Oito lotes foram identificados e retirados das gôndolas dos supermercados. Cinco pessoas foram presas e encaminhadas a presídio por envolvimento na fraude. Quatorze pessoas já foram indiciadas por participação na fraude do leite no RS.

Author: "Andrea Freitas"
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Date: Monday, 20 May 2013 14:45

BRASÍLIA - O 9º Feirão Caixa da Casa Própria, realizado de sexta-feira a domingo em Brasília, movimentou R$ 1,131 bilhão, entre contratos assinados (6.933) e encaminhados. Mais de 34 mil pessoas passaram pelo feirão.

Segundo a Caixa, no evento foram oferecidos mais de 10.400 imóveis, distribuídos no Distrito Federal e Entorno. Neste ano, o visitante teve como opção de compra mais de 7.200 imóveis novos ou na planta e mais de 3.200 usados.

O feirão vai passar por mais seis capitais até o dia 16 de junho. De 24 a 26 de maio, será realizado em Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis. De 14 a 16 de junho, será a vez de Belém, Campinas e do Recife.

Author: "Agência Brasil"
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Date: Monday, 20 May 2013 14:34

RIO — A LG foi condenada pela justiça cearense a pagar R$ 5 mil em danos morais para um auxiliar de serviços gerais que teve o conserto de um celular da marca negado, ao apresentar defeito. Além disso, a empresa deve devolver ao consumidor os R$ 315 pagos pelo aparelho. Segundo o processo, no dia 12 de maio do ano passado o auxiliar comprou o celular e, após alguns dias, notou que a bateria não carregava. Menos de um mês depois ele enviou o aparelho para a autorizada, onde ficou por 30 dias. Quando recebeu o equipamento, verificou que o teclado não estava funcionado. O consumidor, novamente, enviou o produto para a assistência, que não realizou o serviço alegando violação indevida.

Insatisfeito com a situação, o cliente ajuizou ação na Justiça requerendo a restituição do valor pago pelo aparelho e indenização por danos morais. Na contestação, a LG Eletronics defendeu não ter cometido infração ao Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Na sentença da juíza Gerana Celly Dantas da Cunha Veríssimo, titular da 2ª Vara da Comarca de Morada Nova, cidade distante 161 km de Fortaleza, a magistrada considerou que não ficou comprovado que o defeito do aparelho, dentro do prazo de garantia, decorreu de culpa exclusiva do consumidor ou de violação por terceiros. Por isso, fixou as indenizações.

A LG foi procurada pelo GLOBO, mas não tinha representante imediatamente disponível para comentar o assunto.

Equipamentos serão produtos essenciais

Os aparelhos celulares devem ser um dos itens da lista de produtos essenciais que o governo prepara para obrigar o comércio a ressarcir o consumidor imediatamente, em caso de reclamação. Apesar de a lista ainda estar sendo elaborada, sem data para ficar pronta, a sinalização foi dada pelo ministro do Justiça José Eduardo Cardozo, no início do mês passado. A listagem fará parte do Plano Nacional de Consumo e Cidadania (Plandec), lançado pela presidente da república Dilma Rousseff em 15 de março, quando do Dia Mundial do Consumidor.

Author: "o globo"
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Date: Monday, 20 May 2013 14:06

RIO — Estão abertas as inscrições para a pós-graduação em Psicologia Positiva, no CPAF-RJ, em Ipanema. O curso, que tem coordenação geral da psicóloga Monica Portella, visa a capacitar profissionais de saúde, educação e negócios para trabalhar de forma integrada com a psicologia positiva e coach, a fim de ajudar pessoas e instituições a lidarem com situações adversas. Além disso, nas aulas, os alunos irão aprender a desenvolver e implementar programas com objetivo de potencializar o bem estar individidual e organizacional.

As aulas serão ministradas a partir do dia 29 deste mês, todas as quartas, de 18h30m às 22h, no CPAF, na Rua Visconde de Pirajá 303, salas 403 e 404. O custo é de R$ 580 (que pode ser pago em 14 parcelas), além de matrícula de R$ 280. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3813-4037.

Author: "--"
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Date: Monday, 20 May 2013 13:57

RIO - A demanda das empresas por crédito cresceu 3,9% em abril, após haver aumentado 7,7% em março, de acordo com indicador da Serasa Experian. Na comparação com abril do ano passado, o aumento foi de 1,4%.

É o primeiro crescimento neste tipo de comparação após 11 meses consecutivos de queda. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2013, a procura das empresas por crédito teve queda de 4,9% ante o mesmo período do ano passado. O recuo foi menor que o acumulado no primeiro trimestre, de 7%.

O aumento na demanda por crédito é sinal de que as empresas estão recuperando gradualmente seu ritmo de produção, avaliou a Serasa, em nota.Todos os setores registraram aumento na demanda por crédito em abril, liderados pelos serviços (4,4%).

Na indústria, houve alta de 4,3%. No comércio, o aumento foi de 3,4%.Mas no período de janeiro a abril de 2013, todos os setores ainda registram queda na busca por crédito: serviços (-1,1%), comércio (-7,5%) indústria (-6,8%).A exemplo do que ocorreu em março, as micro e pequenas empresas também se destacaram em abril, com avanço de 4,2% ante março.

A demanda nas médias caiu 0,3% e, nas grandes, subiu 0,6%. No acumulado do ano, as micro e pequenas empresas registram queda de 5,9%. Médias e grandes expandiram a busca por crédito em 9,4% e de 19%, respectivamente.Regiões

As empresas da região Nordeste exibiram a maior alta da procura por crédito em abril: 8%, seguidas pelas do Centro-Oeste (6,3%), Norte (3,5%), Sul (3%) e Sudeste (2,7%). No acumulado do ano, todas registram queda: Norte (-3,2%) e Sudeste (-4,2%), Centro-Oeste (-4,5%), Nordeste (-5%) e Sul (-7,1%).

Author: "Valor Online"
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Date: Monday, 20 May 2013 13:42

RIO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda nesta segunda-feira, dia de vencimento de opções que costuma trazer mais volatilidade ao pregão. Também contribuíam negativamente novas declarações de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que é provável começar a reduzir os estímulos econômicos à economia americana. O Ibovespa, principal referência brasileira, tinha queda de 0,33%, aos 54.981 pontos, por volta de 12h03m. Em Wall Street, Dow Jones perdia 0,06%, enquanto S&P; 500 e Nasdaq ficavam estáveis.

— O mercado está trabalhando com a possibilidade de diminuição do estímulo econômico do Fed. Mas ainda acham que o BC americano deveria continuar a injetar dinheiro. Aqui no Brasil ainda tem preocupações com relação à alta das taxa de juros e à interferência do governo na economia. A Medida Provisória dos Portos foi feita a toque de caixa por pressão que a presidente Dilma Rousseff fez no Legislativo e o mercado não gostou disso — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

O dólar comercial tinha o primeiro dia de desvalorização após quatro sessões de alta. A moeda americana era negociada em baixa de 0,09% ante o real, a R$ 2,036 para venda. Operadores mencionam que a cotação da divisa já estava perto do nível em que o mercado considera um teto informal de valorização (R$ 2,05), o que favorece a aposta no sentido oposto, um piso próximo a R$ 1,95.

— Como o dólar estava perto do teto, o mercado deu uma segurada na alta — disse Hideaki Iha, operador de câmbio da corretora Fair.

No Brasil, o pessimismo com o crescimento foi reforçado pela divulgação do boletim Focus, do Banco Central, que capta a média das previsões de economistas para os indicadores mais relevantes. Pela primeira vez a projeção média de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços da região) ficou abaixo de 3% neste ano, chegando a 2,98%. Enquanto isso, a inflação permanece elevada, projetada em 5,80% para o acumulado de 2013.

O mau humor voltou a predominar nos negócios nesta segunda-feira depois que o presidente da sucursal de Dallas do Fed, Richard Fisher, disse em entrevista à rede de televisão CNBC que era mais provável reduzir os estímulos monetários a partir de agora.

As ações mais negociadas da Bolsa sofriam baixa, o que puxava o índice para baixo. Preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras recuavam 1,00%, a R$ 19,75, enquanto Vale PNA perdia 0,70%, a R$ 30,12.

Ordinárias (ON, com voto) da OGX Petróleo tinham recuo de 1,69%, a R$ 1,74.

Na Europa, as principais bolsas operavam em sentidos opostos. O DAX, de Frankfurt, tinha alta de 0,39%, assim como o FTSE 100, de Londres, subia 0,30% e o CAC 40, de Paris, avançava 0,18%. Por outro lado, o IBEX 35, de Madri, retrocedia 1,13%, enquanto o FTSE MIB, de Milão, perdia 0,87%.

Author: "Daniel Haidar"
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Date: Monday, 20 May 2013 13:25

SÃO PAULO - O Banco do Brasil informou que terá um impacto de R$ 4,703 bilhões no lucro líquido do segundo trimestre do ano em decorrência da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da BB Seguridade.

Segundo o fato relevante divulgado nesta segunda-feira, com o encerramento da operação e o exercício integral do lote suplementar da oferta, o ganho bruto será de R$ 9,877 bilhões.

Adicionalmente, "será constituída provisão para demandas contingentes no valor de R$ 1,267 bilhão", de acordo com o documento assinado por Ivan Monteiro, vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores.

A BB Seguridade, empresa de seguros, previdência e capitalização do Banco do Brasil, estreou na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no fim de abril, após uma oferta de ações que movimentou R$ 11,5 bilhões.

Author: "Valor Online"
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Date: Monday, 20 May 2013 12:58

RIO — O aumento do número de reclamações contra planos junto à Agência Nacional de Saúde (ANS) em razão de problemas como a dificuldade para os usuários marcarem consultas e procedimentos médicos é um dos temas de palestra gratuita que ocorre nesta quarta-feira, no Rio. O evento marcado para iniciar às 18h30min, em Copacabana, vai reunir três advogados especialistas em Direito à Saúde. Eles vão mostrar o panorama atual do setor e buscar respostas e soluções para os problemas que atingem os beneficiários. Atualmente, há 47,9 milhões de beneficiários com planos de assistência médica e 18,6 milhões de beneficiários com planos exclusivamente odontológicos no país.

— Um das questões é que aumentou muito o número de beneficiários e os planos não investiram na ampliação da capacidade de atendimento. E tem ainda a ANS que autorizou muitos planos novos sem condições de oferecer um bom serviço — ressalta Renata Vilhena Silva, uma das advogadas palestrantes.

Problemas que acabam, segundo a advogada, levando pacientes a custear o próprio tratamento contra doenças como o câncer, ou acabam sendo repassados para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a advogada, a solução depende de uma combinação de maior fiscalização da ANS e melhoria dos serviços ofertados pelos planos:

— A ANS precisa aplicar multas e colocar gente para fiscalizar.

As reclamações são tamanhas que a ANS iniciou, no ano passado, um ciclo de monitoramento dos planos. Somente em 2012, foram 75.916 queixas de beneficiários. Desse total, 75,7% referem-se a negativas de cobertura. Dos 210,5 mil pedidos de informação, 42% também foram relativos ao tema.

Desde o último dia sete, as operadoras que se recusarem a autorizar a realização de procedimentos médicos também deverão fazer a comunicação por escrito, sempre que o cliente pedir, com informações claras e indicação da cláusula contratual ou da legislação que a justifique. A nova regra foi estabelecida pela reguladora no começo de março, e os planos tiveram dois meses para se adaptar.

E, apartir de julho, reclamações contra planos que negarem cobertura poderão resultar em multas e até suspensões dos serviços. Desde 2011, o governo monitora as operadoras e, a cada três meses, anuncia os planos que têm a venda suspensa. A próxima avaliação será divulgada em julho.

Serviço

O que: Palestra gratuita Questões Atuais dos Planos de Saúde

Palestrantes: Advogados especializados em Direito à Saúde Armênio Clóvis Jouvin Neto e Estela Alcântara Tolezani, com abertura de Renata Vilhena Silva

Quando: 22 de maio, quarta-feira, às 18h30min

Onde: Hotel Atlântico Copacabana, Rua Siqueira Campos, 90, Copacabana

Inscrições: vagas limitadas, pelo telefone 21 2586-6215 ou e-mail vilhenasilva@vilhenasilva.com.br

Author: "Daiane Costa"
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Date: Monday, 20 May 2013 12:40

BRASÍLIA - O Brasil criou quase 200 mil novos postos de trabalho em abril, superando a casa de 4 milhões de empregos com carteira assinada desde o início do governo Dilma, disse a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira.

A presidente fez o anúncio antes da divulgação esperada para esta semana pelo Ministério do Trabalho dos dados de abril do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

— No meu governo, nós já criamos mais de 4 milhões de novos empregos, todos com carteira assinada. Chegamos a essa marca histórica agora no mês passado, em abril, quando foram gerados quase 200 mil novos postos de trabalho — disse Dilma em seu programa de rádio semanal "Café com a Presidenta".

Segundo Dilma, o Brasil criou 4,139 milhões de empregos com carteira assinada entre janeiro de 2011 e abril deste ano.

— O número é extraordinário e a sua importância fica ainda maior quando comparamos a nossa situação com a dos países desenvolvidos, em especial os países da Europa, onde o desemprego tem crescido para níveis estratosféricos.

O setor de serviços foi responsável pela geração de quase metade dos mais de 4 milhões de postos de trabalho gerados no governo Dilma, enquanto cerca de 470 mil postos foram abertos na indústria e mais de 500 mil na construção civil, disse a presidente.

— Esse aumento do número de vagas de trabalho é importantíssimo, porque um dos objetivos estratégicos do meu governo é manter o emprego em crescimento. Mais emprego e salário em expansão são os fatores essenciais para a diminuição da desigualdade no nosso país — afirmou Dilma.

O mercado de trabalho abriu 112.450 vagas formais em março no Brasil, mas o desempenho não foi suficiente para conter a forte queda de 31% do emprego no primeiro trimestre, no pior desempenho em quatro anos.

Já o desemprego brasileiro aumentou ligeiramente em março, a 5,7% ante 5,6% em fevereiro, mas trata-se da menor nível histórico para março, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Author: "Reuters"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:57

TORITAMA e SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE) - Inchada, a população de Toritama cresceu 63,1% entre 2000 e 2010, segundo o Sebrae, mas a cidade até hoje não possui nem praça. Segundo o secretário de Indústria e Comércio de Toritama, José Marcelo Silva, o número dobra com a população flutuante da cidade, principalmente nos dias de maior movimento, de domingo a terça. O parque das feiras, com 900 boxes e 220 lojas já está insuficiente para a demanda. Do lado externo, mais de 1.700 bancos de feira vendem produtos informais. Em Santa Cruz, os bancos chegam a 3 mil ao lado do Moda Center.

— Em Santa Cruz do Capibaribe, se estivéssemos dependendo da agricultura, a situação seria desastrosa. Felizmente, a atividade de confecção não requer muita água, porque no perímetro urbano o racionamento é grande, e só chega água a cada 15 dias na torneira — ressalta o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Bruno Bezerra Souza Pereira. Somando os empregos indiretos, Edilson de Lima, proprietário da Zagnetron, calcula em mais de 300 mil a quantidade de pessoas ocupadas com confecções nas dez cidades estudadas.

Ele e o irmão Edson de Lima, proprietário da lavanderia Mamute, por onde passam mais de 80 mil peças de jeans por mês, reclamam, no entanto, da falta de água, da demora na duplicação da rodovia (BR-104) que dá acesso à cidade e de necessidade de políticas públicas para a qualificação de trabalhadores. Na confecção administrada por Edson, 90% dos funcionários vieram de fora. O mesmo acontece com 70% dos empregados da lavanderia. Com empresas formalizadas, ambos reclamam do peso da carga tributária e afirmam que o produto local é competitivo não só pelos preços, como também pela qualidade.

— O problema maior na região é a oferta de mão de obra. Toda fábrica tem plaquinha precisando de trabalhador qualificado. Falta gente não só para costura, corte, modelagem, como até mesmo encarregado de produção ou líder de equipe. A gente procura e não tem — afirma o proprietário da Zagnetron. O irmão Edilson costuma convocar funcionários em anúncios em emissoras de rádio de cidades vizinhas. Edson revela que já teve até funcionário do Rio de Janeiro, por falta de modelista na região. Segundo o Sebrae, as empresas lançam, de uma a cinco coleções por ano, sendo que a maior parte (32%) faz duas anuais, enquanto as que fazem até quatro coleções chegam a 29%.

Author: "Letícia Lins, enviada especial"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:30

RIO - O Brasil vive um paradoxo no setor portuário. Em terminais para movimentação de minério de ferro, o país está na liderança do ranking mundial, ocupando o primeiro, o segundo e o quinto lugares. Entre os portos que movimentam contêineres, desce a ladeira para ocupar a 35ª posição, na lanterna dos 40 portos e terminais listados em levantamento feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Investimentos em ampliação de capacidade, modernização de equipamentos e melhorias no sistema de gerenciamento eletrônico de carga poderiam elevar o Brasil à 17ª posição em três anos. Um salto que, segundo especialistas, pode ser favorecido com a MP dos Portos, aprovada semana passada no Congresso.

Para Riley de Oliveira, especialista em portos da Firjan e autor do estudo, essa situação reflete a crescente especialização do Brasil na exportação de commodities, o que acabou privilegiando investimentos nos terminais que movimentam minério e grãos, em detrimento dos que movimentam contêineres, com cargas de maior valor agregado, como automóveis.

— É fundamental para o negócio de algumas empresas exportadoras ter portos eficientes. Isso as motivou a investir. No caso dos contêineres, cuja movimentação se concentra em portos públicos, o país ainda precisa melhorar para elevar sua competitividade — diz Oliveira.

O levantamento da Firjan considera apenas a infraestrutura portuária, excluindo acesso ao porto e burocracia, dois dos principais problemas do setor hoje. Foram analisados nove itens, como equipamentos, sistema de monitoramento de cargas e agendamento de caminhões, tamanho do pátio e calado, entre outros. As informações foram compiladas a partir de órgãos internacionais como Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Mundial.

Quem aparece no 35º lugar no ranking de portos de contêineres é o Porto de Santos (SP), o único brasileiro da lista. Segundo Riley, embora os equipamentos estejam entre os melhores da América do Sul, ficam aquém dos usados em Europa, EUA e Ásia. Conseguem empilhar, em média, seis contêineres. No Porto de Hong Kong (3º colocado), as pilhas chegam a 13. Além disso, a movimentação de carga é modesta se comparada aos primeiros colocados. Santos movimentou 3,2 milhões de TEUs (medida usada para os contêineres) em 2012. O Porto de Cingapura e o Porto de Xangai, os dois primeiros da lista, têm capacidade para cerca de 25 milhões de TEUs.

Nos cálculos do especialista, investimentos em tecnologia e os já anunciados investimentos nos terminais da Embraport (da Odebretch) e da BTP, ambos em Santos e que vão ampliar a capacidade do porto para oito milhões de TEUs em 2015, seriam suficientes para fazer o país galgar quase 20 posições, alcançando a 17ª. Os especialistas destacam, porém, que o Brasil jamais figurará entre os primeiros colocados nesse ranking, pois tem limitações físicas. Os portos de Cingapura e Xangai têm calado de até 30 metros, o dobro do de Santos, o que lhes permite receber os maiores navios do mundo.

A Codesp, que administra o Porto de Santos, diz que cabe a ela apenas gerenciar o tráfego interno de caminhões, cabendo às empresas que exploram os terminais, como a Santos Brasil, de Daniel Dantas, o agendamento e o controle da movimentação das cargas. A empresa responde por 55% da movimentação de contêineres do porto, mas não quis comentar o estudo.

MP pode destravar investimentos

Para Claudio Loureiro, diretor da Centronave, que reúne companhias de navegação responsáveis por 75% do comércio exterior brasileiro, a MP dos Portos, ao abrir a possibilidade de terminais privados movimentarem cargas de terceiros, vai descentralizar a movimentação de contêineres:

— Com a MP, acredito que projetos parados saiam do papel, como o terminal privado da Log-in em Manaus. Há demandas no Norte.

O presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão, frisa, no entanto, que o texto da MP é dúbio quanto à antecipação da renovação dos contratos em vigor, defendida pela associação como garantia para realizar investimentos.

Os dois terminais de minério que são considerados os melhores do mundo são Ponta da Madeira (MA) e Tubarão (ES), ambos da Vale. O quinto é o porto de Itaguaí (RJ), onde a mineradora também atua. O estudo da Firjan dividiu os portos e terminais em cinco categorias, além de minério de ferro e contêiner. No caso do carvão, Itaguaí aparece em quinto. Em grãos, Rio Grande (RS) está em sétimo, Tubarão (ES) em oitavo e o de Santos (SP), em 19º. Na categoria petróleo, o Brasil sequer aparece.

Se considerada a burocracia, outro levantamento da Firjan mostra que o Brasil fica em 106 º entre 118 países, com tempo médio de liberação de carga de 5,5 dias. A média mundial é de três dias.

Author: "Danielle Nogueira"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:30

RIO - O melhor porto brasileiro na opinião dos usuários é um porto público: o de São Francisco do Sul, localizado na Baía de Bitonga, no litoral catarinense. Ele aparece na melhor colocação entre 12 portos nacionais listados em pesquisa do Instituto Ilos, que ouviu 189 profissionais de logística de 157 empresas. Com nota 7,82, São Francisco do Sul chama a atenção pela rápida evolução. Saiu da quarta colocação para a liderança do ranking em cinco anos, período em que recebeu investimentos públicos e privados de cerca de R$ 250 milhões. A parceria entre o governo estadual — que administra o porto — e as empresas que o exploram, bem como a profissionalização da gestão são apontadas como fatores chave para seu desempenho.

Entre os investimentos mais importantes estão a reestruturação dos berços de atracação de navios e a dragagem, que ampliou o calado de 12 metros para 14 metros. Enquanto o poder público melhora a infraestrutura, as empresas investem em tecnologia e modernização de equipamentos. As principais companhias que atuam no porto, Bunge e Terlogs, mantêm um sistema de escoamento que evita o tráfego de caminhões dentro do terminal. Os grãos são transportados dos silos até o cais em correias.

— Além do investimento substancial nos últimos anos, a gestão não é politizada — diz Paulo Fleury, presidente do Ilos, que faz a pesquisa a cada dois anos, com indústrias que estão entre as mil maiores em faturamento. — Mesmo sendo um porto pequeno, consegue ser competitivo.

São Francisco do Sul é o oitavo em movimentação de cargas no país, com 11 milhões de toneladas por ano. Ele movimenta tanto granéis como contêineres.

Ferrovias: melhor é da Vale

O presidente da Administradora do Porto de São Francisco do Sul, Paulo César Côrtes Korsi, enfatiza que tem reuniões mensais com órgãos como Receita Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para equacionar problemas burocráticos, uma das principais queixas. Acesso e capacidade de armazenagem também são falhas, segundo o Ilos.

Na pesquisa do Ilos, o porto que aparece em segundo lugar é o de Itaguaí (RJ), seguido por Suape (PE) e Porto do Rio. O Porto de Santos fica em 11º lugar, na penúltima posição. Em último lugar, o de Salvador.

Entre as ferrovias, outro gargalo na logística, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), operada pela Vale, é apontada como a mais eficiente, tanto na opinião dos usuários como na análise de indicadores de eficiência do Ilos, que considera itens como produtividade e índice de acidentes. A EFC registrou quatro acidentes por milhão de quilômetros percorridos em 2012 e teve uma produtividade de 103 bilhões de toneladas transportadas por quilômetro útil. O diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Vale, Fábio Brasileiro, atribui o desempenho ao investimento da empresa em capacitação e em tecnologia, bem como ao modelo de gestão da cadeia logística de forma integrada.

Author: "Danielle Nogueira"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:21

RIO - A reprodução em série de um perfil da jovem rainha Vitória, em 1840, no Reino Unido, pela módica quantia de um centavo deu início ao que hoje se tornou um mercado que movimenta a cada ano US$ 10 bilhões: a compra e venda de selos. Se o lançamento do Penny Black com a imagem da monarca britânica tinha o objetivo de baratear o custo da correspondência para os trabalhadores — com valores que podiam exceder ao de um dia de trabalho —, hoje a filatelia atrai mais do que aficionados e já chama a atenção de quem busca uma nova opção para diversificar investimentos.

É de olho neste filão que a Stanley Gibbons, gigante do setor, fundada em Londres em 1856 e que se dedica a comercializar e custodiar moedas e selos raros, decidiu abrir uma representação comercial no Rio de Janeiro. Com a tarefa de transformar colecionadores em investidores, a empresa quer se tornar uma alternativa para escritórios de gestão de fortunas e bancos e vê espaço para conquistar até dez mil clientes no país.

Mas o investimento que atrai colecionadores célebres como a rainha Elizabeth II e Bill Gross, sócio da Pimco, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, tem características singulares e avaliações de preço repletas de controvérsia. Nesse mercado, a combinação de preservação centenária e erro de impressão costuma ser sinônimo de itens raros de valor estratosférico. É o caso do Treskilling Yellow, de 1854, famoso pelo erro de coloração. A estampa deveria ser verde como a dos demais selos suecos de mesmo valor, mas se tornou o único exemplar disponível em amarelo. Um investidor anônimo arrematou o selo “customizado” pela bagatela de US$ 2,1 milhões.

Valorização de 7,8%

Não é um caso isolado. Um selo de rosas com um erro incomum e apenas três exemplares conhecidos no mundo — dos quais dois pertencem à coleção da rainha Elizabeth II — está avaliado em R$ 414 mil. Nessa área, a valorização costuma ocorrer em “degraus”. De acordo com a Stanley Gibbons, um selo pode ter uma cotação estável durante anos e dar um salto quando ocorre o leilão de uma peça semelhante. O índice da empresa com 30 selos raros, o GB 30, evidencia a valorização: no fim de 2012, as peças tinham registrado elevação média de 7,8% nos preços em um ano.

— Investir em selos para algumas pessoas não é correto. Se o investidor quiser renda e negociação, não é o investimento apropriado. Mas se quiser diversificar e buscar um investimento a longo prazo, ativos como moedas e selos são apropriados — afirma Keith Heddle, diretor de Investimentos da Stanley Gibbons.

A própria gestora reconhece que o colecionador pode levar cerca de três meses para concluir a venda e embolsar os ganhos. O investimento inicial também é alto: cerca de R$ 30 mil. A coleção pode até ser mantida pelo dono, mas a maioria dos clientes prefere manter sob custódia da comerciante, de olho na garantia contra roubo e falsificação. Sem uma estrutura de armazenagem brasileira, as raridades dos futuros investidores vão direto para o subterrâneo do centenário edifício da Stanley Gibbons em Londres, onde ficam os cofres dos clientes.

Ex-diretor da Sociedade Philatélica Paulista e professor de Finanças da Universidade Mackenzie, Denis Forte afirma que a filatelia pode ser considerada uma forma alternativa de investimento, mas requer cuidados.

— Trata-se de um bem de alta volatilidade, frágil, de difícil conservação, precificação e limitada liquidez. É necessário que se faça um acompanhamento de governança corporativa — recomenda.

Apesar do interesse no mercado local, artigos brasileiros ainda são raridade no acervo da empresa, que se diz disposta a expandir o portfólio. Ainda não há um único selo “Olho de boi”, impresso em 1843, durante o reinado de Dom Pedro II.

Ao contrário da monarquia britânica, as autoridades da época concluíram que era melhor deixar o imperador longe da estampa, com o argumento que os carimbos poderiam vilipendiar sua imagem. Os selos exibem apenas algarismos. Cobiçado por nove em cada dez filatelistas no país e negociado com qualidade duvidosa em sites de leilões virtuais com preços mais em conta, ele não sai por menos de US$ 5 mil em catálogo, destaca o presidente do Clube Filatélico do Brasil, Rubem Porto Júnior.

— Uma sextilha do Olho de boi chegou a ser vendida por US$ 12,5 mil. Com o mesmo valor, você pode comprar um belo pingente de diamantes — brincou Porto Junior. — Ainda há possibilidade de ganhar dinheiro nesse mercado, mas não é para iniciante.

Author: "Daniel Haidar"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:03

TORITIMA e SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE) - Nem royalties nem riqueza natural e muito menos alguma versão cabocla do Vale do Silício nos EUA. Foi de retalho em retalho, com fabriquetas no início só de fundo de quintal e sem qualquer interferência do estado, que Toritama — localizado a 167 quilômetros de Recife — construiu sua economia. A cidade, que possui o menor território de Pernambuco (33 quilômetros quadrados), não tem desemprego, importa trabalhadores, e seu crescimento é para lá de chinês. A cidade é considerada “a capital do jeans” e consome 14% de toda a produção brasileira do tecido. Levantamento do Sebrae revela que, só em 2011, a atividade gerou faturamento de R$ 1,1 bilhão na cidade, dinheiro bastante para uma área que antes dependia da agricultura, enfrentava fome provocada por secas constantes e que, ainda hoje, carece de água.

Ao longo de quase uma década, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 101,2%, enquanto a população aumentou 63,1%. O fenômeno, embora em números menores, se repete pelo chamado Polo das Confecções, um conjunto de dez municípios localizados no agreste do estado que no mesmo período registrou crescimento de 56,1%, maior, portanto, do que o de Pernambuco (44,3%), do Nordeste (47,9%) e o do próprio país (36,2%). Isso é o que revela Estudo Econômico do Arranjo Produtivo Local (APL) de Confecções do Agreste Pernambucano, divulgado pelo Sebrae. A pesquisa foi efetuada nos dez municípios mais conhecidos pela atividade, mas comerciantes e fabricantes da área admitem que o polo está se expandindo por pelo menos 18 cidades.

Economia cresce mais do que população

O estudo mostrou que em todos municípios pesquisados o crescimento econômico foi bem maior do que o populacional, e que o polo soma hoje 18.803 unidades produtivas, sendo 10.743 consideradas empresas enquanto 8.060 são unidades complementares, as chamadas “facções”, nome utilizado para definir prestadoras de serviço, normalmente domésticas, que ganham por produção. Ao todo, são 107.177 empregos gerados no APL, respondendo por 19,8% da participação de ocupados em confecções.

Segundo o Sebrae, nos últimos cinco anos, 72% das empresas não pediram dinheiro emprestado a bancos, o mesmo ocorrendo com 9% dos empreendimentos complementares. Mesmo assim, a cada ano, as dez cidades produzem 842,5 milhões de peças que escoam em sua maior parte para o Nordeste (74,9%). Mas elas chegam a todo o país, inclusive ao Sudeste (12,8%), Norte (6,9%), Centro-Oeste (3,4%) e Sul (2%).

Conhecida em meados do século passado pela sua produção de artigos de couro, principalmente sapatos, Toritama entrou em decadência a partir dos anos 80, com o desenvolvimento de outros polos calçadistas na região. Mirou-se no exemplo de Santa Cruz do Capibaribe, onde sua população ia em busca de tecidos para transformar em confecções, e assim, sobreviver. O que mais sobrava nas feiras eram os retalhos de jeans.

— Íamos a Santa Cruz do Capibaribe, pois naquela época as confecções só se interessavam pelas malhas. Toritama aproveitou esse vácuo e descobriu um novo nicho no mercado — revela Edilson Tavares de Lima, empresário e presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e Confecções do Agreste. Hoje ele e os irmãos administram fábrica de confecções, loja e lavanderia. A indústria, a Zagnetron, produz mais de 25 mil peças por mês de jeans em sua grande maioria.

Outra empresária que começou de forma tão informal foi Maria de Fátima do Nascimento, proprietária da Yanomami. Apesar de ter curso de administração e depois de passar um ano trabalhando em empresas, decidiu entrar no ramo de confecções. Formalizou a empresa, criou a Samkara, produz três mil peças por mês e escoa 40% da produção para outros estados.

Vanessa Galdino da Silva, 28, é de uma família pernambucana que morava em São Paulo há 30 anos. Há sete anos, a família inverteu o tradicional fluxo migratório e se mudaram para Caruaru, a 130 quilômetros da capital, e uma das dez cidades integrantes do Polo de Confecções do Agreste. O chefe da família, porém, não se adaptou e voltou. Já mãe preferiu ficar e montou uma confecção.

Azenatry Alian Leite de Souza, 22, morava com os pais no litoral sul de Pernambuco, de onde saíram, também para Caruaru, onde estudaram e hoje são designers contratadas pela Zagnetron, de Toritama. Elas criam coleções para três marcas da empresa, com características voltadas para consumidores de outros estados e da região.

Gilvaneide Clementina de Lima, 39, morava no sertão da Paraíba, no município de Água Branca, mas desistiu de tentar a lavoura, devido às secas. Ela escolheu Santa Cruz do Capibaribe. Ela começou limpando o chão da Yanomami, e hoje ganha a vida como costureira na mesma empresa. Gilvaneide trouxe a irmã, Gaudência Maria da Silva, 24, que há seis anos trabalha na mesma empresa.

Author: "Letícia Lins, enviada especial"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:00

WASHINGTON - Arrasado com o estouro da bolha em 2007, que derrubou preços de residências em 40% e levou à retomada de cinco milhões delas, o mercado imobiliário dos EUA dá sinais de recuperação. Os preços estão subindo há mais de 12 meses e o número de execuções de hipotecas caiu 52% desde setembro de 2010. Os dois indicadores estão em seus melhores níveis desde 2006.

Mas analistas advertem: o movimento ainda não é sólido, e reformas são necessárias para que a crise fique no passado.

Imóveis e investimentos financeiros são as principais fontes de riqueza das famílias americanas, que, com a crise, tiveram perda patrimonial de US$ 16 trilhões entre o pico de US$ 67 trilhões em 2007 e a queda livre de 2009. Desde então, há ganhos, lastreados primeiro na recuperação das Bolsas e, mais recentemente, na alta dos preços residenciais. Este indicador, hoje em US$ 66 trilhões, é essencial para o grau de confiança das famílias, que giram mais de 60% do PIB americano.

O preço médio das casas nas 20 principais regiões metropolitanas, embora 30% abaixo do auge, teve em fevereiro a maior alta anual desde maio de 2006, com valor quase 10% maior que no piso de janeiro de 2012. Cidades muito afetadas pela crise das hipotecas, como Las Vegas e San Francisco, têm puxadas maiores, que podem superar 20%.

Já o número de casas retomadas por execução de hipotecas recuou 23% só no último ano. Isso significa valorização das propriedades, e que os americanos estão com mais condições de honrar pagamentos. Ainda assim, 22% dos mutuários dos EUA têm hipotecas de valor maior do que o de suas casas. Ou seja, devem mais do que conseguiriam levantar com a venda do imóvel.

— Os preços estão firmemente em alta. O mercado imobiliário continua sendo um dos destaques da economia e já contribui para o crescimento, como mostram os dados de aceleração do investimento residencial do PIB desde o fim de 2012 — avalia David Blitzer, diretor do comitê de Índices da S&P Dow Jones.

Fundamental na onda de recuperação do mercado é a busca por diversificação nos investimentos por parte dos aplicadores. Com a forte subida das Bolsas, o dinheiro voltou a circular com mais abundância e a estratégia de comprar uma casa quando o mercado está se aquecendo para alugá-la, com a perspectiva de vender no próximo pico, ganhou tração. Ainda mais quando o juro fixo nos financiamentos imobiliários de 30 anos, a modalidade mais popular, está em 3,4% anuais, piso histórico.

Esta é a equação do consultor Nour Tira, de 51 anos. Dono de uma casa no subúrbio da Virgínia, ele está procurando outra maior devido às condições de empréstimo e aos preços razoáveis. A ideia é alugar a atual residência e vendê-la quando estiver valorizada. Ele espera ter lucro duas pontas da operação:

— Estou confiante, espero ganhar 10% a 20% na venda.

Author: "Flávia Barbosa, correspondente"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:00

RIO - A confiança das famílias americanas destoa da visão da maior parte dos economistas, que se diz reticente quanto ao fôlego de longo prazo da recuperação do mercado imobiliário. Eles ponderam que o humor dos investidores pode mudar quando as taxas de juros voltarem a subir — o que já aparece no horizonte do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) —, se o negócio de aluguéis não se provar tão lucrativo quanto se espera ou quando a atual fase de alta de preços das residências passar.

E ela tende a passar, argumentam, porque a economia americana ainda não está em velocidade de cruzeiro, devido ao ajuste fiscal em curso no país, o fim de desonerações a trabalhadores, o comércio global fraco e a demanda interna hesitante. Sem um ritmo mais robusto de expansão do PIB (Produto Interno Bruto, o conjunto de bens e serviços produzidos no país), a confiança das famílias americanas pode murchar e a queda do desemprego — por si só um problema, por ser muito lenta — não se traduzirá em aumento de salários, que estão estagnados desde o estouro da crise.

— Os fundamentos, em alguns mercados, não justificam a alta sólida dos preços das residências. O que sustenta um mercado imobiliário saudável a longo prazo é o crescimento da renda. É isso que leva as pessoas a se tornarem mutuários pela primeira vez —movimento que ainda é fraco —, que gira novas construções. Não estamos mais em crise, e nem acho que vivemos a formação de uma nova bolha. Mas ainda não chegamos no ponto de virada — afirma Mark Calabria, do Instituto Cato, think tank com sede em Washington.

Há também entraves no mercado. Além da baixa presença de mutuários de primeira viagem, a oferta de imóveis não acelerou na mesma velocidade que a procura por residências. Um dos motivos, segundo Lawrence Yun, economista-chefe da Associação Nacional dos Agentes Imobiliários (NAR, na sigla em inglês), é que os canais de financiamento aos construtores ainda não estão totalmente abertos.

Mas há analistas na contramão. É o caso de Peter Kenny, da Knight Capital Markets:

— Os aspectos fundamentais que estão influenciando o mercado imobiliário são sólidos. É difícil ser cético em relação a um mercado que continua a subir com fundamentos econômicos que suportam esse movimento.

Author: "Flávia Barbosa, correspondente"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:00

BRASÍLIA - O discurso do governo de que a geração de postos de trabalho é “tão ou mais importante” do que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) não encontra respaldo na avaliação de economistas. Os dois temas estão interligados, destacam os analistas, alertando para uma mudança importante na economia brasileira, que se desloca para o eixo de serviços e comércio — setores que empregam muito, mas geram baixa produtividade, devido a pouca qualificação dos trabalhadores no Brasil. Isso põe em xeque o futuro do emprego no país e o próprio crescimento econômico, alertam os economistas.

No início deste mês, em apresentação a parlamentares do PT, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que “tão ou mais importante que o PIB é a geração de empregos formais”.

Para o professor Fernando de Holanda Filho, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a baixa produtividade dos setores de comércio e serviço compromete o crescimento do PIB e agrava a situação da indústria, diante da alta dos salários.

— A renda alta gera um problema para a indústria, que perde competitividade. E o resultado disso é um modelo de crescimento baixo — disse ele.

Na avaliação do professor do Instituto de Economia da Unicamp, Cláudio Dedecca, não é possível desvincular abertura de vagas do crescimento da economia.

— As perspectivas para o emprego encontram-se estritamente associadas ao crescimento da economia. Não creio que teremos uma performance boa a médio e longo prazos de geração de empregos se a economia não for reativada — considerou Dedecca. — Mesmo que minha expectativa (de desempenho não favorável) seja contrariada, o resultado (do emprego) não deveria ser valorizado pelo governo, mas sim analisado com cautela.

O professor destacou que o resultado do emprego tem se respaldado no setor de serviços, que, na prática, não reflete crescimento do PIB, mas sim do consumo da população. Além disso, ressaltou que o grande calcanhar de aquiles, hoje, é a indústria.

O professor Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, chama a atenção para o fato de que o comércio, setor com grande peso nos serviços, já começa a demonstrar arrefecimento, com a queda por dois meses consecutivos no volume das vendas, conforme mostrou o IBGE na semana passada. Na sua avaliação, a queda no volume de vendas, resultado da alta nos juros e do endividamento das famílias, é uma notícia ruim para o mercado de trabalho. Ele destacou que um país que cresce pouco, apenas para segurar os empregos, não consegue melhorar o padrão de vida da população.

— Ter o emprego como único objetivo é pouco auspicioso — afirmou.

Author: "Geralda Doca"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:00

RIO - Para fazer um eletrodoméstico funcionar, basta seguir as orientações do fabricante. A maior parte pode ser instalada pelo próprio consumidor. E há modelos que contam com serviço gratuito oferecido pelo fabricante. Mas, se o consumidor preferir que a ativação seja feita por um profissional, pode contratar uma assistência técnica, autorizada ou não. Todas essas opções deveriam ser apresentadas ao cliente na hora de fechar um negócio. Na prática, porém, os vendedores se concentram em, além do produto, vender também a instalação, que pode chegar a R$ 419 no caso de TV com home theater na Fast Shop. Quando o custo não é fixo por produto, fica em torno de 10% do valor do bem. Mas essa porcentagem pode representar mais — quase 20%, ou R$ 358, dos R$ 1.899 cobrados por uma coifa. E, ao venderem tal comodidade, alguns mentem ou omitem informações, propagando dificuldades.

Levantamento feito pelo GLOBO na última segunda-feira em nove lojas do Rio — duas das Casas Bahia, três do Ponto Frio, três da Ricardo Eletro e uma da Fast Shop, além de televendas — identificou que a venda da instalação está presente na estratégia de negócios dessas redes. Geralmente, o serviço é oferecido após o consumidor decidir fazer a compra ou se o vendedor é perguntado sobre a instalação. A oferta é sempre acompanhada por um discurso que exalta os benefícios do serviço — comodidade, pequeno acréscimo no valor da parcela, custo mais baixo — e uma enxurrada de dificuldades, que desencorajam a dizer não à oferta.

No caso das TVs, o serviço pode ser útil para prender o aparelho na parede, embora a fixação possa ser feita pelo consumidor. Mas os vendedores vão além da colocação no suporte e alegam que “é quase impossível configurar uma TV por conta própria” e que o serviço — R$ 159 na Ricardo Eletro, R$ 199 em Casas Bahia e Ponto Frio, e R$ 355 na Fast Shop — é necessário para todos.

Já as máquinas lava e seca são apresentadas como um bicho de sete cabeças: “o cesto vem preso”, “é preciso configurá-la”, “há a entrada de água quente” e “você pode perder a garantia”. Para instalá-las, a Fast Shop cobra R$ 266. Ponto Frio e Casas Bahia, cerca de 10% do valor . Enquanto nas autorizadas, o serviço sai por no máximo R$ 150.

E foi com base em todas as dificuldades apresentadas na hora da compra que, há quatro anos, o engenheiro Cid Valério optou por pagar à Fast Shop pela instalação de sua primeira lava e seca. Apesar de achar caro, aceitou a sugestão do vendedor. Mas, ao observar o trabalho do técnico, sentiu-se lesado:

— No fim da compra, o vendedor disse que a instalação era muito difícil e que recomendava o serviço. Como estava trocando o modelo, aceitei.

Este ano, ao comprar uma lava e seca nova, a instalação ficou por conta de Valério:

— Nem quis saber o preço. Foi muito tranquilo. Dizem, por exemplo, que é difícil soltar o cesto. Mas ele é aparafusado e a ferramenta vem junto. Há tudo no manual. Não demorei 20 minutos.

Christian Pires, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), não vê problema em as varejistas oferecerem a instalação. Mas considera prática abusiva, que pode ser punida por violação do Código de Defesa do Consumidor, não informar as reais condições de instalação e não dizer que o serviço é oferecido de graça pelo fabricante:

— A quase imposição do lojista para que se compre uma instalação, apresentando dificuldades ou omitindo informações pode ser considerada prática abusiva. O fornecedor não pode se valer da falta de conhecimento do cliente para induzi-lo.

Selma do Amaral, diretora de Atendimento do Procon-SP, também destaca o dever de informação:

— A loja vende o produto. E as informações estão no manual, que só chega com o produto. É sério omitir informação ou induzir o consumidor ao erro.

Suspensão de venda do serviço

A Viavarejo, que responde por Casas Bahia e Ponto Frio, afirma que seus vendedores são treinados para auxiliar o cliente e identificar a necessidade de instalação. E admite pagar porcentagem sobre a venda do serviço. Em resposta a e-mail do GLOBO enviado na quarta-feira, relatando as ofertas, a empresa respondeu que só oferece o serviço para informática, celular, TVs e home theater. Na sexta-feira, ao ser perguntada novamente sobre a linha branca, informou que desde quinta-feira suspendeu a instalação de lava-louças, lavadoras e lava e seca, pois a maioria dos fabricantes o faz de graça.

A Ricardo Eletro oferece instalação paga de TVs. O serviço inclui visita técnica, retirada do aparelho da embalagem, ajuste de som e imagem, teste de funcionalidade, passagem de cabos e fios, instruções sobre o uso, limpeza e organização do local.

A Fast Shop diz orientar seus profissionais a oferecer a melhor solução conforme a necessidade. Desde 2004, instala produtos de cozinha, lavanderia, vídeo e áudio por valores a partir de R$ 99. Perguntada se o vendedor informa se o serviço é oferecido de graça pelo fabricante, a rede não respondeu.

No caso das TVs, Sony, Samsung e LG afirmam que os aparelhos podem ser instalados e configurados pelo consumidor e que, além do manual, há canais on-line e telefônico de suporte.

A LG instala geladeira side by side de graça. Para lava e seca, diz que o produto pode ser ativado pelo consumidor e oferece suporte on-line e telefônico.

Segundo Renata Leão, gerente de Engenharia de Serviços da Whirlpool Latin America, das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, a instalação de coifa, side by side e lavadora de roupas com água quente é gratuita. O valor médio de instalação dos demais produtos varia de R$ 50 a R$ 70.

Segundo a Electrolux, o manual indica se a instalação é gratuita. E alerta que “não há cobertura de garantia para produtos instalados por terceiros”.

A Samsung não instala a linha branca gratuitamente e diz que o consumidor pode fazê-lo. Se optar pela assistência técnica, o serviço é cobrado.

Author: "Andrea Freitas"
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Date: Saturday, 18 May 2013 21:00

RIO - Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getulio Vargas, Pedro Cavalcanti Ferreira afirma que o país deve adotar políticas horizontais de estímulos, que deem condições iguais para os diferentes setores da economia, em contraposição à escolha de áreas estratégicas, como tem ocorrido, segundo ele, no financiamento do BNDES. O economista admite que alguns segmentos da indústria podem desaparecer e que isso é um processo duro.

— Algumas indústrias podem não sobreviver, mas o que se vai fazer? Dar subsídio a vida inteira para essa indústria? — diz, lembrando, no entanto, que há exemplos de que é possível competir, como no caso do México em relação à China.

Ferreira destaca que é importante dar mais atenção ao setor de serviços e pensar em estratégias para dinamizar esse segmento da economia.

— No setor de serviços, pode-se trabalhar como chef de restaurante francês ou vendedor de churrasquinho na praia. É a educação que faz a diferença.

Por que a indústria ainda tem desempenho fraco, a despeito de todos os estímulos e desonerações?

Desde 2008, foram introduzidas distorções que diminuem a eficiência da economia. Isso significa que fica mais custoso e mais difícil fazer negócios no Brasil. Por exemplo, há evidência que barreiras comerciais atrapalham ou diminuem a produtividade da indústria. E o governo vem desmontando reformas da época da liberalização comercial. Ainda temos uma abertura muito maior que antes, mas foram lançadas medidas de fechamento da economia que, no fundo, afetam a produtividade da indústria. Houve piora na regulação de vários setores, mudanças nas legislações de segmentos como energia e petróleo, imposição de compra de componentes domésticos, politizou-se as agências de regulação e há uma política de escolha de setores via direcionamento do crédito do BNDES. Tudo isso cria uma série de ineficiências na economia que prejudica expectativas futuras de negócios.

Qual é o problema dessa política do BNDES?

O BNDES empresta hoje um caminhão de dinheiro, e com recursos do Tesouro, o que é uma novidade ruim. O Tesouro voltou a financiar gastos públicos sem entrar na contabilidade, o que é uma distorção. A segunda distorção é como o BNDES empresta. A política de escolher vencedores nunca funcionou. O banco tem escolhido setores e financia com crédito subsidiado. Já vimos esse filme: no fim o mocinho morre e a inflação sobe. Não tem ganho nessa política. O custo de tomar emprestado está baixo, mas se cria tanta ineficiência na economia que está mais custoso fazer negócio.

Qual é hoje o peso da indústria?

A indústria no Brasil é importantíssima, mas não chega a 20% do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de bens e serviços produzidos no país). Ainda temos uma cabeça setentista de proteger a indústria, mas muitas das políticas não beneficiam o resto da economia. Somos hoje uma economia de serviços, então é preciso olhar com atenção esse setor. Pensamos muito em maneiras de proteger ou incentivar a indústria, mas nossa economia será cada vez mais de serviços, então é preciso pensar como dinamizar o setor de serviços. E isso passa pela educação. Temos melhorado, mas ainda há desvantagens. No setor de serviços, pode-se trabalhar como chef de restaurante francês ou vendedor de churrasquinho na praia. É a educação que faz a diferença.

De que maneira deveriam ser os estímulos à economia?

Deveríamos fazer políticas horizontais. O BNDES devia ter uma linha de crédito, com taxa próxima do mercado, que fosse para todo mundo que batesse lá dentro. Além disso, precisamos de tarifa homogênea de importação para todos, uma estrutura tributária menos distorcida e uma economia com mais eficiência. Isso seria bom para a indústria e para os serviços. As políticas industriais verticais, de escolha de setores estratégicos, são um erro. Isso ocorreu nos anos 70 e, quando se abriu a economia, várias indústrias eram ineficientes e não conseguiram competir. No fundo, é injusto socialmente, porque se transfere recursos de todos os brasileiros para indústrias escolhidas.

Mas algumas indústrias não podem ter dificuldades de competir?

Precisamos de linhas de crédito relativamente homogêneas, ambiente de negócios e infraestrutura melhor, menos burocracia, menos regulamentação e maior estabilidade de regras. Talvez algumas indústrias não consigam competir. Mas vamos pensar assim: antes de se inventar a eletricidade, uma das maiores indústrias devia ser a de velas. Algumas indústrias podem não sobreviver, mas o que se vai fazer? Dar subsídio a vida inteira para essa indústria? Havia uma percepção de que o México não conseguiria competir com a China, mas está competindo: fez reformas e reduziu o custo da mão de obra, enquanto na China esse custo aumentou. É duro, porque não serei eu a perder o emprego, mas a longo prazo será melhor para o país. Se tem regras homogêneas ou horizontais para todos, vai produzir em setores onde tem vantagens. Se quiser de alguma maneira ajudar, deve ser temporário. Precisa ter muita certeza que essa indústria vai se reerguer. Ou então se subsidia tecnologia, que é um investimento arriscado. Mas é uma área em que se poderia ter política industrial.

O que é importante para garantir desenvolvimento a longo prazo?

Para um desenvolvimento a longo prazo, precisamos de condições iguais para todo mundo, com políticas horizontais, e precisamos melhorar muito o ambiente de negócios no Brasil. A tendência é achar que essas coisas são pequenas, mas não são: isso afasta investimentos e prejudica produtividade. Terceiro, e talvez o mais importante, precisa avançar muito em educação e em qualidade de educação. A gente avançou, mas a qualidade ainda é sofrível. Outro aspecto que é uma piada é a infraestrutura. Em meio ao debate sobre MP dos Portos, falta um planejamento mais global de infraestrutura: é uma área em que estamos atrasadíssimos. Outro componente importante é retomar uma política macroeconômica sólida, ter mais clareza nas contas públicas, perseguir o centro do regime de metas de inflação, fechar a torneira do Tesouro para os bancos públicos e dar um ambiente de estabilidade. O Brasil está voltando a ser um país em que a incerteza é muito grande.

Author: "Lucianne Carneiro"
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