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WASHINGTON, EUA - Um avião movido inteiramente a energia solar aterrissou no Aeroporto Internacional Dulles, em Washington. Com este voo bem sucedido, a aeronave se aproxima do fim de uma travessia sobre o território americano, que começou em maio. Falta agora apenas mais uma última escala, marcada para o mês que vem, até Nova York.
Trata-se do primeiro avião solar a tentar a voar tanto durante o dia quanto à noite numa viagem deste tipo, a uma velocidade de cerca de 65 km/h. O avião partiu dia 3 de maio de São Francisco, na Califórnia, via Arizona, Texas, Missouri e Ohio antes de chegar a Dulles com paradas de vários dias em cidades ao longo do caminho.
De acordo com o site do projeto, a Solar Impulse, a aeronave com suas asas enormes e milhares de células fotovoltaicas "pousou graciosamente" às 14h15m (horário de Brasília) de domingo, depois de 14 horas e quatro minutos da escala entre Cincinnati, Ohio, e Dulles, numa viagem que durou cerca de 30 horas desde o Missouri.
O piloto Bertrand Piccard disse que seu colega, o suiço Andre Borschberg, deve fazer o último trecho de Washington para Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, no início do mês que vem, segundo o site.
A aeronave, considerada a mais avançada do mundo movida a energia solar, é alimentada por cerca de 12 mil células fotovoltaicas que cobrem suas enormes asas para carregar suas baterias durante o dia. O monoposto Solar Impulse não pode passar por nuvens, pesa tanto quanto um carro, mas levou mais tempo do que um automóvel para completar a viagem de Ohio em direção à Costa Leste.
Em cada parada ao longo do caminho, o avião permaneceu vários dias em exposição, encantando os visitantes. Como criadores do avião, Piccard e Borschberg disseram ter esperança de que a viagem irá aguçar mais interesse em tecnologias limpas e energia renovável. Eles também anunciaram que o objetivo final do projeto é dar a volta ao mundo em um avião movido a luz do sol em 2015.
O projeto começou em 2003 com um orçamento de 90 milhões de euros (112 milhões dólares) e envolve engenheiros da fabricante suíça de escadas rolantes Schindler e da belga Solvay, de produtos químicos.
Londres A guerra de informações nunca foi tão ostensiva no planeta. Enquanto os Estados Unidos explicam o que os serviços secretos faziam com dados de e-mails de milhões de cidadãos; os governos americano e britânico, em meio a denúncias, mantêm a campanha para justificar a seus respectivos eleitores suas ações no Oriente Médio. A primeira década do século XXI marca o uso sem precedentes da propaganda por governos e grupos de protestos. A tecnologia digital — como comprovou o WikiLeaks — criou novos caminhos para que as pessoas desafiem e critiquem as mensagens do Estado. Esse é um dos recados da exposição “Propaganda: poder e persuasão”, que acaba de ser inaugurada pela British Library, na capital britânica.
A mostra reúne uma série de propagandas de Estado divulgadas do início do século XX até hoje. Boa parte vem do acervo da própria biblioteca. Segundo o curador da exposição, Ian Crooke, a exposição debate as formas como uma informação pode ser usada.
— A propaganda, como vemos na exposição, mudou ao longo dos anos. Ela foi se adaptando para atingir os diversos públicos — afirmou.
Crooke também ressaltou que, com o avanço de sites como o Twitter e o Facebook, a autoria dessas peças de publicidade, antes restrita a um pequeno setor, tornou-se muito mais aberta:
— As mídias sociais transformaram todos em potenciais propagandistas.
Este fenômeno aumentou o desafio do Estado. Antes detentor do monopólio da informação, ele, agora, precisa lidar com diversas fontes. Divulgar sua mensagem torna-se cada vez mais difícil.
Dependência dos governos
Segundo um cartaz da exibição, “a guerra de longa data contra o terror e os combates no Iraque e Afeganistão apresentaram um novo desafio para governos, organizações militares e cidadãos em busca de informações. O governo confia à mídia a função de disseminar muitas das suas mensagens, mas a credibilidade (dos meios de comunicação) se sustenta na percepção de (sua) independência”.
A tentativa de afirmação desta independência pode ser refletida, por exemplo, nas edições dos jornais britânicos “Daily Mail” e “Daily Mirror”, quando questionaram o fato de que jamais foram encontradas armas de destruição no Iraque. O governo britânico usou a suposta existência do arsenal como desculpa para invadir aquele país.
As salas interativas da exposição mostram as diferentes finalidades da propaganda, da incitação à guerra ao combate de doenças. Seja qual for a razão, os governos são os que mais tentam validar e justificar suas ações pela publicidade. Dependem dela para obter a aprovação do povo e influenciar o seu comportamento.
Logo na entrada, há cartazes gigantes de algumas personalidades que melhor souberam usar a propaganda para conquistar as massas — uma lista que abrange nomes como Mao Tsé-tung, Joseph Stalin, Evita Perón, Winston Churchill e Adolph Hitler.
Estes personagens são recentes, mas a propaganda é uma prática muito antiga — anterior, inclusive, a seu próprio nome. Ela estava na Antiguidade, em moedas cunhadas com o busto dos governantes que deveriam ser amados; em grandes monumentos e esculturas romanos; em retratos a óleo feito por artistas para eternizar a face da realeza. Mas foi apenas no século XVII que surgiu a palavra em latim “propagare”, adotada pela Igreja Católica para referir-se à disseminação de crenças e doutrinas.
Os impérios mudam de tamanho
A autoafirmação obtida pela propaganda entorta até a geografia. No livro “No rumo do Império”, escrito por Henrique Galvão em 1934, o mapa “Portugal não é um país pequeno” mostra uma imensa mancha alaranjada avançando sobre o Leste Europeu, chegando a países como Hungria e Bulgária. O motivo: a nação lusitana teria este tamanho se também fossem consideradas suas colônias africanas: Angola e Moçambique.
O livro foi produzido para apoiar a Primeira Exposição Colonial Portuguesa, comemorar o expansionismo do país e estimular o orgulho nacional. Depois do evento, o mapa passou a ser usado nas escolas pelo país, mostrando que Portugal era tão grande ou mesmo maior que outros países europeus.
Poucos anos antes, o Reino Unido havia adotado uma tática semelhante. Em 1927, um cartaz destacou o volume recorde de exportações do país para a Índia: “Apoie seu melhor consumidor pedindo sempre produtos do Império.”
As grandes exposições e feiras mundiais são exemplos recorrentes de como os governos podem se promover tanto nos seus mercados internos quanto no cenário global. Mas a reafirmação dos Estados também pode ser feita de maneiras menos comuns, como a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria.
Imagem manipulada de líderes
A mostra destaca materiais que exaltam líderes como Hitler, normalmente presente sozinho nas peças publicitárias — uma demonstração de que ele é o chefe absoluto. Outro devoto da propaganda era Joseph Stalin. Em uma ilustração, o ríspido ditador soviético aparece em uma montanha da Geórgia, sua terra natal, lendo um livro de poesias. Desta forma, tentava-se convencer a população de que, à sua frente, estava um comandante esclarecido e preparado.
Stalin, aliás, era tão ciente da importância de sua imagem que, para sustentar o seu mito, apagou as peças publicitárias que exaltavam seu rival e contemporâneo, Leon Trotski. O ditador soviético se considerava o herdeiro natural de Vladimir Lênin, líder da Revolução Russa. Lênin e Stalin aparecem juntos, em uma ilustração da revista “A União Soviética”, publicada em meados dos anos 1950. Era mais uma forma de exaltá-los como arquitetos do comunismo e a continuidade do regime.
Também foi pela propaganda que os americanos venderam títulos da guerra para levantar fundos com as mensagens “Garanta liberdade de expressão, compre bônus da guerra”. Durante a Primeira Guerra Mundial, um cartaz e seu slogan ficaram famosos mundialmente. Nele, o “Tio Sam” aponta para frente, mirando os jovens do país, e intimando: “Eu quero você no Exército dos Estados Unidos”.
PRAGA (AP) - É uma bicicleta? É um avião? Três empresas tchecas se uniram para fazer um protótipo de uma bicicleta elétrica que decolou com sucesso nesta quarta-feira dentro de um salão de exposição em Praga, e pousou em segurança depois de um vôo de controle remoto, de cinco minutos.
Parecida com uma montainbike, pesa 95 quilos. Tem duas hélices movidas a bateria na frente, duas nas costas e uma em cada um dos lados.
Um boneco serviu de cobaia. Milan Duchek, diretor técnico do Duratec, um fabricante de quadros de bicicleta, diz que serão necessárias as baterias mais poderosas antes que um ser humano faça o voo de duas rodas.
LONDRES - A mais recente adição à anatomia humana mede apenas 15 mícrons de espessura, mas a sua descoberta vai fazer com que a cirurgia ocular fique mais segura e simples. O professor Harminder Dua, da Universidade de Nottingham, recentemente descobriu uma nova camada na córnea humana, que ele batizou como Camada de Dua. O estudo foi publicado na revista “Ophthalmology”.
A Camada de Dua fica na parte de trás da córnea, que anteriormente tinha apenas cinco camadas conhecidas. Dua e seus colegas descobriram a nova parte do corpo através da injeção de ar nas córneas dos olhos que haviam sido doados para pesquisa e usando um microscópio eletrônico de varredura de cada camada separada.
Os pesquisadores agora acreditam que uma lágrima na camada de Dua é a causa de hidropsia da córnea, uma doença que leva ao acúmulo de líquido na córnea. De acordo com Dua, o conhecimento da nova camada pode melhorar drasticamente os resultados para os pacientes submetidos a transplantes.
- Esta é uma grande descoberta que significará que oftalmologia dos livros didáticos vai literalmente precisar ser reescrita - disse Dua modestamente ao site “PopScience”.
A vantagem financeira do projeto de decodificação do genoma humano cresce constantemente, de acordo com um relatório polêmico divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Memorial Battelle, afirmou a “Nature”. Um década depois do fim do projeto, o benefício passa agora perto de US$ 1 trilhão.
O Projeto Genoma Humano, um esforço internacional coordenado pelos Estados Unidos de 1988 a 2003, chegou a produzir US$ 178 para a economia do país para cada dólar gasto do governo, apontou o relatório. Isto é 26% mais do que os US$ 141 do retorno por dólar estimado numa pesquisa que o mesmo instituto tinha feito em 2011.
- Os impactos econômicos gerados pelo pelo sequenciamento humano do genoma são grandes, disseminados e continuam a crescer - disse Martin Grueber, autor do documento.
O relatório foi usado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, organização que liderou o projeto do genoma, para argumetnar contra a redução federal de investimentos da pesquisa.
- Agora não é o momento de voltar atrás na pesquisa biomédica, num momento em que as evidências mostram que este é um investimento profundamente importante para o futuro da América - disse Francis Collins, diretor do instituto.
Mas economistas não envolvidos no estudo dizem que estes números não são confiáveis. Críticos acrescentam que a abordagem básica é falha, porque quantifica a atividade econômica gerada pelo Projeto Genoma Humano em vez do seu impacto na saúde humana, o qual pode ser avaliado por métricas, como a melhora de pacientes e a produção de drogas e diagnóstico.
Economista da Escola de Negócios de Booth, da Universidade de Chicago, Robert Topel diz que os benefícios para a saúde não são medidos em efeitos no produto interno bruto, na produtividade ou nos empregos.
- A pergunta é: quais são os benefícios para a saúde que o projeto trouxe, e quais serão eles no futuro? - questiona.
RIO - A Suprema Corte dos EUA decidiu nesta quinta-feira por unanimidade que genes humanos não podem ser patenteados. O julgamento, relativo a processo liderado pela ONG União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) e a Associação para a Patologia Molecular contra a empresa Myriad Genetics, põe fim à exclusividade que a companhia detinha no país para o sequenciamento com fins comerciais dos genes BRCA 1 e BRCA 2, que podem ter mutações associadas a uma maior propensão para desenvolver câncer de mama e ovário. Atualmente, há milhares de genes patenteados e, com a decisão, a tendência é que outras exclusividades caiam.
No mês passado, a atriz Angelina Jolie surpreendeu o mundo ao anunciar ter passado por uma mastectomia dupla preventiva depois de um teste mostrar que ela tinha alterações no BRCA 1 que indicavam 87% de chance de sofrer de câncer de mama e 50% de ovário. Jolie defendeu um maior acesso das mulheres a este tipo de exame, que custa por volta de US$ 3 mil nos Estados Unidos e deve ficar mais barato depois da decisão do tribunal. No Brasil, no entanto, os laboratórios que fazem este tipo de avaliação não estavam limitados pelas patentes da Myriad e pouco deve mudar.
A briga na Justiça americana teve início em 2009, quando a ACLU, apoiada por pacientes, pesquisadores e outros grupos, contestou as patentes concedidas à Myriad pelo Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos EUA, na década de 90, por ter isolado e identificado os genes — em essência, sequências específicas de DNA que controlam a fabricação de proteínas pelas células do corpo. Com os registros de propriedade em mãos, em 1996 a empresa lançou no mercado um kit batizado BRACAnalysis para detectar certas mutações no BRCA 1 e BRCA 2 que elevam o risco de desenvolver câncer e passou a ameaçar com processos outros laboratórios no país que oferecessem testes semelhantes. Segundo a Myriad, mais de 250 mil pacientes fazem o teste anualmente.
“Consideramos que segmentos de DNA que ocorrem naturalmente são um produto da natureza e não elegíveis para patentes meramente por terem sido isolados”, explicou o juiz da Suprema Corte Clarence Thomas na decisão. “Não há dúvidas de que a Myriad não criou ou modificou qualquer informação genética codificada nos genes BRCA 1 e BRCA 2. A localização e ordem dos nucleotídeos (as ‘letras’ que compõem o alfabeto do DNA) existiam na natureza antes de a Myriad encontrá-las. Neste caso, a Myriad não criou nada. É certo que ela (a empresa) encontrou importantes e úteis genes, mas separar estes genes do material genético em torno deles não é um ato de invenção”, continuou Thomas, acrescentando que mesmo “descobertas inovadoras e brilhantes” como as feitas pelos cientistas da Myriad “não satisfazem em si” os requisitos da lei americana para registro de patentes.
Perfil genético de tumores
Para Mariano Zalis, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Progenética Diagnósticos Moleculares, laboratório carioca que oferece testes para o BRCA 1 e 2 entre outros tipos de levantamentos genéticos, a decisão da Suprema Corte dos EUA abre caminho para que outras empresas americanas criem seus próprios kits de detecção de mutações perigosas nos dois genes, o que de fato deverá baratear e tornar mais acessíveis os exames no país.
- Os kits sim podem ser patenteados, já que sua metodologia, isto é, como amplificar e sequenciar o gene e depois identificar as mutações, é uma propriedade intelectual, mas isso não deve impedir que um pessoa ou empresa desenvolva outro teste para detectar aquele mesmo gene ou mutação - defende ele, cujo laboratório cobra por volta de R$ 3 mil para fazer a análise de cada um dos dois genes que eram objeto das patentes da Myriad nos EUA.
Na opinião de Zalis, o julgamento também não deverá afetar os investimentos em pesquisas para a identificação de outros genes e mutações perigosas para a saúde humana. Segundo ele, a tendência é que a medicina personalizada ganhe mais força, focada em duas vertentes. A primeira é a avaliação do genoma completo dos pacientes, cujo sequenciamento está cada vez mais barato e vai muito além da análise de apenas um ou outro gene, como no caso dos BRCA 1 e 2. Já a segunda é a montagem do perfil genético de tumores para a escolha de tratamentos.
RIO - Dezenas de fragmentos de Mata Atlântica fluminense serão unidos em corredores verdes, que passarão por 36 das 92 cidades do Rio, onde moram 11,5 milhões de pessoas (72% da população do estado). O passo inicial para a formação dos cinco mosaicos - como é chamada a ligação de unidades de conservação municipais, estaduais e nacionais - foi dado ontem, no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Este órgão formará os conselhos responsáveis pela gestão de cada área protegida.
Os mosaicos consumirão uma parte ainda não definida do Fundo Mata Atlântica, um cofre de R$ 100 milhões em que são reunidos os recursos de compensação ambiental - a verba destinada pela iniciativa privada ao poder público, devido ao impacto causado na natureza por grandes empreendimentos, como o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).
A lista de operações necessárias para a administração dos mosaicos é ampla. Vai da formação de trilhas à sua manutenção e fiscalização, passando pela criação de centro de visitantes e outros serviços voltados ao turismo.
O Rio é o estado que menos desmata a Mata Atlântica, mantendo 13% de sua cobertura original. Nos últimos três anos, a área protegida por unidades de conservação municipais dobrou - de 105 mil para 210 mil hectares -, um resultado da transferência de recursos estaduais para prefeituras que investem em saneamento básico e no controle de incêndio de matas, entre outras funções. Ainda assim, boa parte destas ações existe apenas no papel. Não há administração ou programas de incentivo ao turismo.
- Nossas espécies de fauna não são conhecidas pelo carioca. Ninguém sabe o que é um mosaico de áreas de conservação - lamenta Minc. - Para divulgar estas regiões, precisamos de recursos da iniciativa privada.
Parques e reservas biológicas são ameaçados pela especulação imobiliária, queimadas e ação de palmiteiros e caçadores. A falta de interação destas áreas verdes com a sociedade também contribuiu para o aumento da pressão sobre as unidades protegidas.
- No passado, predominava a ideia do parque-fortaleza: a melhor defesa seria não usá-lo - critica Minc. - Era uma farsa, porque a ação ilegal continuava. É preciso mudar este conceito. Queremos, por exemplo, quadruplicar a visitação dos parques estaduais. E também mostrar à população como este pode ser um polo de geração de empregos, porque próximo às trilhas podem surgir restaurantes, pousadas e serviços para guiar os turistas.
O Ibase terá até setembro de 2014 para elaborar projetos para os mosaicos Carioca, cujas unidades de conservação estão inteiramente no município do Rio; e Central Fluminense, na Região Serrana. Depois, será a vez dos mosaicos do Mico-Leão-Dourado, no Noroeste Fluminense; e da Mantiqueira e da Serra da Bocaina, ambos na divisa de Rio e São Paulo.
Para a coordenadora-executiva do Projeto Mosaicos da Mata Atlântica, Nahyda Franca, do Ibase, a maior dificuldade será integrar áreas verdes em que cada administração está em uma etapa diferente.
- O desafio é compor, no mesmo mosaico, unidades que já têm uma infraestrutura consolidada com outras que basicamente só existem por sugestão de um vereador - avalia. - Estas diferenças são vistas até nos maiores projetos. O Mosaico Central-Fluminense, por exemplo, foi fundado em 2006 e já tem um conselho consultivo. O Mosaico Carioca, na capital, é cinco anos mais novo e só formulou alguns projetos até agora.
RIO - Atual homem mais rápido do mundo, Usain Bolt comeria poeira se tivesse que competir com um guepardo (Acinonyx jubatus). Com velocidade máxima de cerca de 44 km/h na corrida que lhe rendeu o recorde mundial dos 100 metros rasos de 9,58 segundos em 2009, o jamaicano atingiu uma aceleração de aproximadamente 1,83 metros por segundo ao quadrado (m/s2). Já o felino das savanas africanas tem velocidade máxima registrada de mais de 104 km/h, mas seus grandes trunfos como predador são as altas capacidades de aceleração e de mudar de direção durante a caçada, mostra estudo publicado na revista “Nature” desta semana que acompanhou seu comportamento na natureza com detalhes inéditos. Segundo os pesquisadores liderados por Alan Wilson, professor do Real Colégio de Veterinária da Universidade de Londres, os guepardos alcançam acelerações de 3 m/s2 e fazem curvas em que enfrentam forças superiores à da gravidade graças principalmente à grande geração de energia por seus músculos, calculada em mais de 100 watts por quilo (W/kg), quatro vezes os 25 W/kg estimados para o recorde de Bolt.
- Embora os guepardos sejam reconhecidamente os animais terrestres mais rápidos, muito pouco se sabia sobre outros aspectos de sua notável capacidade atlética, particularmente quando caçando na natureza – conta Wilson.
Para preencher esta lacuna, Wilson e sua equipe desenvolveram coleiras especiais equipadas com GPS, acelerômetros, magnetômetros e giroscópios que foram colocadas em cinco guepardos em uma reserva em Botswana, no Sul da África. Com isso, eles puderam acompanhar o comportamento e a movimentação de três fêmeas e dois machos adultos durante aproximadamente um ano e meio. Neste período, os aparelhos registraram os detalhes de 367 corridas, com os dados revelando que os felinos dão início à caçada com uma grande aceleração, rapidamente atingindo altas velocidades, para então desacelerarem e manobrarem durante a perseguição.
Cerca de um terço destas corridas, no entanto, envolveram mais de um período de aceleração, e nas caçadas bem-sucedidas frequentemente os acelerômetros registraram uma forte movimentação apesar de a velocidade ter caído a zero, dado interpretado como o momento em que os guepardos capturam suas presas, neste caso geralmente impalas (Aepyceros melampus), espécie de antílope que responde por aproximadamente 75% da dieta destes felinos.
RIO - Os olhos da previsão do tempo no Brasil passaram a enxergar melhor. Com quatro vezes mais nitidez, mais precisamente. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) lançou uma atualização do modelo Brams de previsão, turbinado agora pela alta capacidade de processamento do supercomputador Tupã, instalado em Cachoeira Paulista. Antes, o Brams fazia previsões de até uma semana com nitidez de 20 quilômetros quadrados. Agora, a resolução é de 5 quilômetros quadrados para os mesmos sete dias.
Com a nova versão, o nível de detalhe da previsão, que antes se limitava a uma cidade ou região, desta vez consegue diferenciar um bairro do outro. Para cobrir toda a América do Sul, o Brams dividiu o território como num grande jogo de batalha naval, com 1360 por 1480 células de área. Como é um modelo em três dimensões, há também 55 níveis verticais para cada uma destas células. No total, são 110 milhões de pontos, processados simultaneamente nos 9.600 processadores do Tupã.
Segundo o CPTEC, a versão 5.0 do Brams coloca o Brasil em posição de competitividade com os principais centros operacionais do mundo. O centro de previsão do National Centers for Environmental Prediction (NCEP), por exemplo, gera previsões a partir de um modelo similar – o National Mesoscale Model – de 4 quilômetros, 70 níveis verticais e grade de 1371 x 1100 células, que cobre toda a região continental dos Estados Unidos.
Para desenvolver esta nova versão do modelo BRAMS, também utilizado para a previsão e monitoramento da poluição do ar, são usados dados de estações meteorológicas de todo o país, de satélites, boias oceânicas e imagens de avião.
O serviço de proteção a peixes e animais selvagens dos EUA propôs colocar os chimpanzés no patamar de espécies em extinção, um movimento que colocaria exigências para o futuro uso destes animais em pesquisas médicas invasivas. Chimpanzés salvagens estão nesta lista desde a década de 1990.
O movimento surgiu em resposta a uma petição realizada em 2010 pela Sociedade Humana dos Estados Unidos, em que vários grupos se mostraram preocupados com as pesquisas biomédicas usando chimpanzés, além de seu uso como animais de estimação e em anúncios.
A regra proposta não pediria licença para manter chimpanzés como animais de estimação, nem faz referência ao uso do animal em entretenimento, apesar de que o uso seria considerado durante o período de 60 dias para avaliação, afirmou o diretor do serviços de proteção a peixes e animais selvagens, Daniel M. Ashe, ao “New York Times”.
A proposta vem, no contexto de outras medidas, tentar limitar a pesquisa invasiva em chimpanzés. A decisão depende de uma recomendação por um dos comitês dos institutos de saúde nacional do país de aposentar os mais de 350 chimpanzés que são mantidos em laboratórios.
RIO - Nos últimos anos, os cientistas têm se concentrado nos chamados metamaterias, compostos artificiais com características óticas não encontradas na natureza, na busca por tecnologias capazes de tornar invisíveis objetos e pessoas, tal qual o manto usado pelo personagem Harry Potter na série de livros da escritora britânica J.K. Rowling. Mas enquanto os estudos com novos materiais avançam lentamente, exigindo ao mesmo tempo altos investimentos, alguns pesquisadores decidiram revisitar princípios tradicionalmente usados em truques mágicos de desaparecimento para desenvolver soluções práticas, baratas e rápidas neste campo. Assim, nos últimos dias duas equipes de cientistas, uma nos EUA e outra em Cingapura e na China, divulgaram esquemas que, com a ajuda de espelhos, vidros especiais, prismas e até água, são capazes de esconder da vista os mais variados objetos, com potenciais aplicações como a camuflagem de satélites em órbita ou de carros de polícia em ruas e estradas.
Dando um sumiço no filho
No primeiro caso, John Howell, professor de física da Universidade de Rochester, em Nova York, convocou o filho Benjamin, de 14 anos, para construir três simples, porém eficientes, sistemas de camuflagem com matérias-primas disponíveis no comércio local. No primeiro, tanques de plexiglas, um tipo de plástico transparente, foram preenchidos com água e arrumados de forma a desviar a luz em torno do objeto que queriam fazer desaparecer. Já no segundo, lentes colocadas em arranjos específicos trazem à frente do observador o cenário de fundo, efetivamente escondendo os objetos colocados entre elas. E, por fim, um sistema de espelhos dispostos em ângulos retos criou uma região de invisibilidade grande o bastante para um criança sumir, como fez com outro de seus cinco filhos, Isaac, de seis anos, em vídeo publicado na internet. Howell admite que nenhum dos seus sistemas traz grandes novidades, mas servem como prova de que é possível refinar e melhorar os velhos truques mágicos e usá-los de uma maneira prática.
- Todas as camuflagens, sejam com espelhos, sejam com metamateriais, são essencialmente ilusões de ótica, maneiras de desviar o caminho da luz dos objetos de forma a torná-los invisíveis para um observador - explica Howell, que publicou artigo descrevendo seus sistemas no repositório de textos científicos online ArXiv. - Assim, o ponto que eu queria destacar é que é possível montar sistemas baratos e práticos que podem camuflar grandes objetos no amplo espectro da luz visível, diferentemente dos metamateriais, ainda restritos a tamanhos quase microscópicos e a algumas frequências de radiação.
Todos os esquemas montados por Howell, no entanto, têm um defeito grave: são unidirecionais, isto é, só tornam “invisíveis” os objetos ou pessoas se observados de uma direção determinada. Ele defende, porém, que esta limitação não impede aplicações práticas imediatas.
- O volume da região de invisibilidade que produzimos com espelhos é suficiente para camuflar uma pessoa, embora não seja tão conveniente quanto o manto de Harry Potter - reconhece. - Mas satélites em órbita geoestacionária, por exemplo, estão a grandes distâncias e só podem ser vistos da Terra de alguns poucos ângulos, isto é, de um ponto de vista basicamente unidirecional, podendo assim se beneficiar deste tipo de camuflagem. Outro exemplo são as estradas em que os motoristas têm um ângulo de visão limitado. Assim, um carro de polícia na beira de uma estrada poderia ser camuflado com espelhos para multar quem ultrapassa a velocidade permitida com radares, pois quando o motorista chegasse a um ângulo que pudesse ver os policiais, já seria tarde demais.
O desafio da camuflagem multidirecional
Howell conta que agora está trabalhando para criar esquemas de camuflagem que funcionem de várias direções, ponto em que os dois sistemas apresentados pela equipe liderada por Baile Zhang, da Universidade de Tecnologia Nanyang, em Cingapura, e Hongsheng Chen, da Universidade de Zhejiang, na China, também em artigo disponível no ArXiv, representam um avanço. No primeiro, os cientistas colocaram seis pequenos prismas de vidro em uma câmara hexagonal transparente e oca. Com isso, eles criaram uma “caixa de invisibilidade” que camufla um objeto de seis direções diferentes. Como demonstração, eles mergulharam a caixa em um aquário e viram um peixinho dourado desaparecer ao nadar através dela enquanto as plantas do fundo continuaram visíveis. Já no segundo esquema os pesquisadores arrumaram oito dos prismas em um quadrado com uma cavidade central, onde esconderam um gato. Em ambos casos, os prismas desviaram a luz em torno das áreas internas dos sistemas, fazendo com que o que quer que fosse colocado nelas ficasse “invisível” para observadores em determinadas posições.
Mas, como os sistemas de Howell, os de Zhang e Chen têm seus defeitos. Além de também só funcionarem em algumas direções, suas “caixas de invisibilidade” são em si parcialmente visíveis. Um observador mais atento pode perceber a cola usada para unir os prismas, assim como as sombras que as caixas projetam nas imagens de fundo.
RIO. O planeta atingiu, no ano passado, um nível recorde de emissões de CO2 na atmosfera - 31,6 gigatoneladas, um crescimento de 1,4% em relação a 2011. O alerta veio de um novo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). A diretora-executiva da IEA, Maria van der Hoeven, lamentou a falta de dedicação da comunidade internacional ao combate às mudanças climáticas.
- Este fenômeno caiu para o segundo plano da política internacional - lembrou. - Estamos a caminho de um aumento da temperatura global entre 3,6 graus e 5,3 graus Celsius (até 2100).
Dois terços das emissões globais vêm do setor energético. Segundo o novo relatório da IEA, é possível conter as emissões de CO2 na atmosfera sem prejudicar o crescimento econômico. Para isso, é preciso adotar medidas como limitar a construção e o uso de usinas de carvão; estimular o uso de fontes renováveis de energia; e reduzir pela metade a liberação de metano, proveniente da indústria petrolífera.
Em 2012, a mudança do carvão para o gás na geração de energia ajudou os EUA a reduzirem em 200 milhões de toneladas (Mt) as emissões de CO2 - levando o país de volta a um nível visto em meados dos anos 90.
A China, por sua vez, protagonizou o maior crescimento na liberação de gases-estufa: 300 Mt. O índice, no entanto, foi um dos menores registrados pelo país na última década, resultado da implementação de fontes de energia renováveis.
Embora o uso de carvão tenha aumentado em muitos países, as emissões europeias caíram em 50 Mt. As emissões japonesas, por sua vez, cresceram 70 Mt.
RIO - A agência nacional espacial da China confirmou nesta segunda-feira o lançamento da quinta missão tripulada do país para o início da manhã desta terça, quase dez anos depois de colocar o primeiro chinês no espaço, Yang Liwei, em outubro de 2003. O voo da cápsula Shenzou 10, carregada por um foguete do tipo Longa Marcha 2F, está previsto para partir às 17h38 no horário local, 6h38 em Brasília. A nave leva a bordo três “taikonautas”, termo usado para designar os astronautas chineses, entre eles Wang Yaping, de 33 anos, ex-pilota da Força Aérea do país e a segunda chinesa a ir ao espaço.
Segundo Wu Ping, porta-voz da agência, a missão está prevista para durar 15 dias, a mais longa da história do programa espacial chinês. Uma vez em órbita, a cápsula deverá se acoplar com o laboratório espacial Tiangong 1, módulo de teste para construção de uma estação permanente própria pela China, que não participa do consórcio de países, entre eles o Brasil, responsável pela operação da Estação Espacial Internacional (ISS). Lá, Yaping e os colegas taikonautas Nie Haisheng e Zhang Xiaoguang conduzirão vários experimentos e farão uma palestra ao vivo para estudantes chineses em terra.
- Por meio deste evento, esperamos trazer o programa espacial para mais perto das gerações mais jovens, aumentando sua compreensão e atraindo seu interesse para nosso trabalho – comentou Ping no anúncio da missão, transmitido pela rede estatal de TV.
Segundo o porta-voz, o módulo Tiangong 1, há 620 dias no espaço, está em boas condições e pronto para receber os taikonautas. Ele reconheceu, no entanto, que alguns sistemas e componentes podem não estar funcionando devidamente, já que o laboratório foi projetado para ficar em órbita durante dois anos, prazo que termina daqui a apenas três meses. Apesar disso, a missão também tem entre seus objetivos principais novos testes dos procedimentos de acoplagem, tanto manual quanto automática.
LONDRES - Os ossos de Filippo de Médici, conhecido como Don Filippino, e outros jovens membros de sua família revelaram deficiência de vitamina D, causa de raquitismo e inchaço no crânio de Don Filippino. Governantes ricos da Toscana e patronos de Leonardo da Vinci e Galileu, os Médici foram a “primeira família” da Renascença italiana, mas toda a sua fortuna não foi capaz de comprar boa saúde para seus filhos.
Um estudo dos esqueletos de nove crianças da família nascidas no século XVI mostra que elas foram vítima de raquitismo, uma deficiência de vitamina D que causa fraqueza e deformação nos ossos — doença decorrente do privilégio da família, que mantinha as crianças ao abrigo do sol.
O raquitismo é frequentemente associado à pobreza e à vida em cidades com pouca exposição à luz do sol (já que a síntese de vitamina D é desencadeada pela luz natural), mas as crianças Médici, em idades de 0 a 5 anos, “pertenciam à alta classe, esperávamos que elas fossem bem nutridas”, diz a paleontóloga Valentina Giuffra da Universidade de Pisa, coautora do estudo que foi publicado na “International Journal of Osteoarcheology”.
O local onde estavam enterradas as crianças, na Basílica de São Lorenzo, em Florença, reflete seu status social. Em 2004, os pesquisadores abriram o que pensavam ser um disco ornamental de mármore do lado de fora do chão da catedral e descobriram que era, na verdade, uma passagem secreta que levava à cripta com oito dos nove esqueletos. O nono foi encontrado em uma tumba lá perto.
Um exame dos ossos, visualmente e por raio-X, mostrou que seis das nove crianças tinham sinais convincentes de raquitismo, incluindo ossos dos braços e das pernas curvos como resultado de tentar engatinhar ou andar em ossos bastante moles. Don Filippino (1577-1582), por exemplo, tinha um crânio ligeiramente deformado e o estudo aponta o raquitismo como causa de sua condição.
Para entender a razão de crianças de uma família tão abastada terem desenvolvido esta doença, os pesquisadores analisaram os isótopos encontrados nos ossos, que refletem a fonte principal de proteína da dieta. Eles decobriram que a maioria das crianças não desmamava até os dois anos e textos históricos sugerem que, naquele tempo, leite materno era suplementado com papas de maçã e pão. Nem cereais nem leite materno contêm muita vitamina D e frutas não têm nada de vitamina D.
CHINA - Mais de 400 toneladas de peixes mortos tiveram que ser retiradas, com urgência, de 55 viveiros de aquicultura em Sichuan, na China. O caso aconteceu no sábado, mas os fazendeiros ainda trabalham na remoção dos animais, que eram criados em tanques no Condado de Xinjin.
Cientistas chineses que trabalham na proteção ao meio ambiente afirmaram que não foi identificada poluição industrial nem mesmo algum tipo de resíduo tóxico nas águas dos viveiros. Segundo informações da mídia local, os peixes morreram devido à insuficiência de oxigênio no rio que banha os viveiros.
Desequilíbrio
Outro fenômeno ambiental também chamou a atenção, desta vez em Qingdao, província de Shandong. Nesta região, centenas de metros da costa amanheceram cobertas por algas verdes (foto). A quantidade impressionou até mesmo pescadores, que tiveram dificuldades de retirar os barcos da praia.
Outros objetos, como chinelos, flutuaram com as algas. E acabaram parando nesta região costeira.
RIO - Para reforçar o dia mundial dos oceanos, 8 de junho, o Fórum Econômico Mundial com sede em Genebra, na Suíça, lançou a campanha mundial “Ideas for Change” (Ideias para mudança). Com a ajuda dos principais oceanógrafos do mundo, um curta foi criado para reforçar a importância dos oceanos e de sua preservação.
A campanha prega que seres humanos são criaturas do mar, que dependem dos oceanos, tanto como baleias, arenque ou recifes de coral, apesar de tentar destruí-los. “Ninguém está pedindo um fim à pesca em alto mar, mas algumas técnicas, como por exemplo a pesca de arrastão, devem ser banidas, enquanto outras, como a mineração submarina, cada vez mais comum, deve ser estritamente controlada”, diz um dos textos.
CABO CANAVERAL, Flórida - Uma rocha marciana analisada pelo veículo explorador de Marte Opportunity, contém amostras de barro formado em água não-ácida, um ambiente potencialmente adequado para que a química da vida tenha se desenvolvido no passado.
O Opportunity, movido a energia solar, pousou em Marte em janeiro de 2004, para o que se esperava que fosse uma missão de 90 dias, em busca de sinais de que já houve água no planeta. Ele e um segundo veículo de exploração, o Spirit, que sucumbiu ao inóspito ambiente marciano há três anos, tinham encontrado rochas modificadas por água altamente ácida.
LONDRES - Ninguém jamais ousaria imaginar, em 1509, que o então recém-inaugurado navio de guerra inglês, Mary Rose, um dos mais importantes da frota do rei Henrique VIII, um dia viajaria longe o suficiente para chegar ao século XXI. Esta poderosa máquina de guerra lutou e venceu várias batalhas contra os mais diversos inimigos de seu país por pouco mais de três décadas. Mas não sobreviveu para ver os 30 mil soldados franceses e seus 200 navios se renderem aos 19 mil ingleses, com suas 20 embarcações, na batalha de Solent (quando a França tentou, sem sucesso, invadir a Inglaterra): naufragou na véspera, no dia 19 de julho de 1545.
Mais de 500 anos depois, de volta a Portsmouth, na Inglaterra, de onde saiu para o oceano pela primeira vez, tornou-se uma espécie de cápsula do tempo e, depois de décadas de pesquisas, ganhou um museu que acaba de ser inaugurado. Resgatados do fundo do mar, a partir de escavações arqueológicas consideradas as mais profundas de que se tem notícia, ele e os 19 mil objetos que afundaram séculos atrás com a embarcação têm a missão de reconstituir a história de uma era.
— É algo totalmente inédito. O Mary Rose e os objetos que viajavam com ele nos dão uma visão única da vida cotidiana no período dos Tudors. Não há nada similar. É único não só pela abrangência da coleção, mas pela sua capacidade de retratar uma era — disse ao GLOBO, o arqueólogo Christopher Dodds, diretor de Interpretação do museu Mary Rose, à frente do projeto desde o seu inicio.
O minucioso quebra-cabeça montado pelos cientistas permitiu não apenas reproduzir hábitos, mas rostos de parte dos cerca de 500 tripulantes que morreram a bordo do navio, além de um cachorro. O trabalho foi feito por médicos forenses, habituados a lidar com vítimas de assassinatos. Não há listas nem nomes dessas pessoas, mas sete delas ganharam corpos e passaram a representar a cara do naufrágio na exposição permanente. Estudos arqueológicos indicam que eram homens e meninos entre 12 e 40 anos. Não há indícios da presença de mulheres, nem de objetos que fizessem os navegadores de se lembrar delas.
— Carregar fotos ou outros tipos de recordação da família era mais uma coisa da nobreza. Não encontramos nada referente a mulheres, mas itens relacionados à religião — conta Dodds.
Apaixonado pelo resultado final da empreitada, o arqueólogo destaca que não há réplicas no museu. Todos os objetos são originais, o que faz do navio uma verdadeira máquina do tempo. O mais impressionante é que não se trata apenas de uma coleção completíssima de instrumentos musicais ou equipamentos de medicina da era Tudor, nem objetos de madeira e cobre, ou artigos pessoais. Recuperaram-se detalhes tão pequenos como o que estavam comendo a bordo.
Além das armas e armamentos já conhecidos do período, objetos pessoais encontrados em baús intactos ajudam a identificar as particularidades da tripulação, como se vestiam e o que faziam para se divertir.
— O Mary Rose te leva de volta ao passado. Estamos falando de objetos originais, num momento em que há tantas reproduções feitas em computador no mundo, em Hollywood — afirma. — Havia restos de espinhas de peixe, por exemplo.
Se a exposição "In fine style: the Art of Tudor e Stuart Fashion" (Em alto estilo: a arte da moda dos Tudor e dos Stuart), que acaba de estrear na Queen's Gallery do Palácio de Buckingham, em Londres, é o retrato fiel da moda da corte dos Tudors, pelas telas de artistas, de membros da nobreza, o Mary Rose vai muito além. Ele reconstituiu uma sociedade inteira. É como se o visitante pudesse entrar nos retratos da época. Esta é uma das suas grandes virtudes, na avaliação de especialistas. O historiador David Starkey o chamou de "Pompeia britânica".
Uma espécie de Titanic do século XVI, o Mary Rose era para a sua época um exemplo de modernidade. Equipamentos garantiram sua sobrevida por 34 anos, o que era muito tempo para o um navio de guerra do período. A diferença é que o Titanic foi feito para os cruzeiros de luxo. A bordo do navio cujo naufrágio foi tema de filmes e marcou o século XX, morreram centenas de tripulantes e passageiros que faziam uma viagem luxosa até o momento em que baterem contra um iceberg numa noite de lua cheia.
O Mary Rose permaneceu no fundo do mar por pelo menos 300 anos sem que se tivesse notícias do seu paradeiro. Algumas peças chegaram a ser encontradas pelos mergulhadores John e Charles Deane em 1836. Pouco depois, perdeu-se de vista novamente por mais um século. Somente a partir de 1971 as buscas voltaram a ser feitas. Mesmo assim, lentamente.
Centenas de pessoas trabalharam neste projeto que levou década para ser finalizado. Estima-se em 28 mil o número de mergulhos realizado por 500 profissionais. Não há estatísticas para os custos de pesquisa desde os primeiros mergulhos. Mas o museu custou 27 milhões de libras (ou cerca de R$ 90 milhões) e a manutenção do navio, que precisou ser umidificado com água fresca durante 30 anos para depois ser encerado, saiu a 8 milhões de libras (pouco mais de R$ 26 milhões). O contribuinte britânico não pagou um tostão. Os recursos vieram de parcerias e doações.
— Estamos falando aqui do trabalho não apenas de arqueólogos, mas de mergulhadores, museólogos, restauradores, publicitários, arquitetos, designers, engenheiros, administradores, economistas, o pessoal que levantou dinheiro, que vendeu ingressos — comemora Dodds.
O Titanic também acaba de receber um museu milionário na cidade de Belfast, na Irlanda do Norte, onde foi construído. O acervo são as histórias, estatísticas e as reproduções do ambiente a bordo do navio e da sociedade da época, além de algumas peças originais.
Pela ação do circuito do cérebro que controla o comportamento compulsivo, neurocientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostraram que é possível bloquear a reação em camundongos - um resultado que poderia ajudar pesquisadores a desenvolver novos tratamentos para doenças como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e a síndrome de Tourette.
Pacientes geralmente recebem antidepressivos e medicamentos contra ansiedade, além de terapia comportamental ou a combinação de terapia e medicação. Para aqueles que não respondem ao tratamento, uma nova alternativa é a estimulação profunda do cérebro, que provoca impulsos elétricos por meio de um marcapasso implantado no cérebro.
Para este estudo, a equipe do MIT usou optogenética (uma técnica de manipulação óptica neuronal) para controlar a atividade dos neurônios. Esta técnica ainda não está pronta para utilização em humanos, dizem os pesquisadores, mas estudos como este poderiam ajudá-los a identificar os padrões da atividade cerebral que sinaliza o início do comportamento compulsivo.
- Não é necessário provocar o estímulo o tempo todo. É possível fazer isso de uma maneira muito sutil - disse a professora do MIT, Ann Graybiel, membro do Instituto de Pesquisa do Cérebro McGovern e coautora do estudo, publicado na revista “Science”.
Controlando a compulsão
O foco do trabalho foi no gene Sapap3, que codifica uma proteína encontrada nas sinapses dos neurônios no corpo estriado - uma parte do cérebro relacionada ao vício e a problemas no comportamento repetitivo, além de funções normais, como a tomada de decisões, planejamento e resposta.
Os pesquisadores usaram uma estratégia de condicionamento pavloviano, em que um evento neutro (um sinal sonoro) é acompanhado com um estímulo que provoca o comportamento desejado - neste caso, uma gota de água no nariz do camundongo caía antes de começar um treinamento. Esta estratégia foi baseada no trabalho terapêutico de pacientes com TOC.
Depois de várias tentativas, tanto os camundongos normais quantos os com o gene eliminados foram condicionados à situação. Entretanto, depois de certo ponto os comportamentos começaram a divergir: os normais esperavam a água cair para começar o treinamento. Isto é um tipo de comportamento conhecido como otimização, porque evita um esforço desnecessário por parte do animal.
Este comportamento nunca aparecia nos camundongos com gene alterado, que continuavam a treinar assim que ouviam o som, sugerindo que a habilidade de parar o comportamento compulsivo tinha sido prejudicada.
Os pesquisadores sugerem que esta falha na comunicação do corpo estriado com o cérebro é responsável pelo comportamento. Para testar a ideia, eles estimularam as células do córtex com a luz quando o som tinha sido interrompido, e os camundongos também pararam o comportamento compulsivo. Ainda assim, podiam voltar ao treinamento se sentissem a água cair.
- Pela ativação deste caminho, fomos capazes de provocar um comportamento inibidor, que parecia ser desfuncional nos animais - disse Eric Burguière, autor principal do estudo.
Graybiel e Burguière estão agora buscando marcadores da atividade cerebral que poderiam revelar quando o comportamento compulsivo está prestes a começar, ajudando assim a guiar futuros tratamentos para estimulação profunda do cérebro de pacientes com TOC.
O economista indiano Pavan Sukhdev ficou famoso por ter aceitado o desafio de calcular o valor da biodiversidade. As cifras — na ordem dos trilhões de dólares — estão expressas no documento “A Economia de Ecossistemas e da Biodiversidade” (Teeb, na sigla em inglês), estudo independente liderado por ele e organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Publicado em 2010, o trabalho lhe rendeu a alcunha de pai da economia verde.
Em 2011, o especialista voltou ao tema, participando da pesquisa “Rumo a uma economia verde”, também pelo Pnuma. Na ocasião, o documento sugeriu um modelo econômico que seria capaz de evitar riscos relacionados às mudanças climáticas.
Hoje, o desafio continua. Apesar de alguns avanços, empresas e governos adotam velhas práticas sem se preocuparem com o impacto ambiental. Esse problema o motivou a lançar o livro “Corporação 2020 — Como transformar as empresas para o mundo de amanhã”, recém-publicado no Brasil.
O tempo, porém, está passando. O indiano trabalha com um horizonte de apenas sete anos para consolidar as mudanças corporativas. Logo no prefácio, alerta: “o principal agente da economia atual — a corporação — não foi ainda persuadido ou incentivado a produzir uma economia verde. Se isso não acontecer, o relatório Teeb ficará apenas decorando prateleiras, sem nunca ser usado”.
O prazo que o senhor estabelece no livro, 2020, não é longo. Como o mercado global pode mudar em apenas sete anos?
Não se trata de querer mudar o mercado global. Estamos nos concentrando em criar algumas políticas corporativas específicas, sobretudo mecanismos de cooperação e de transparência global. E, por outro lado, estabelecer ferramentas de regulação e controle para atividades importantes, entre elas o financiamento e a tributação internacional. Também é importante ter regras relacionadas à propaganda e, finalmente, divulgar o impacto ambiental da atividade comercial. O que queremos destes diferentes setores é a cooperação para chegarmos à economia verde, na qual os custos naturais de produção também são agregados ao mercado.
Qual é o ponto principal para garantir uma economia verde?
A mudança mais importante, que precisa ocorrer urgentemente, é a maneira pela qual as corporações prestam contas à sociedade. As empresas têm que relatar as suas externalidades, o que significa levar em consideração, em toda a cadeia produtiva, o preço socioambiental que fica para a sociedade: as emissões de carbono; o uso de água doce; a geração de poluição; a criação de lixo; a conversão de terras em áreas produtivas ou desertos etc. Todos esses impactos na sociedade e na natureza não necessariamente têm sido medidos e relatados pelas corporações. Por isso, é necessário criar os mecanismos para que todos estes custos sejam mensurados e divulgados. Neste sentido, é importante estimular um novo padrão de comportamento para que o mercado passe a prestar estas contas com a sociedade.
E quanto aos governos?
Pelas mesmas razões, os governos também precisam passar a relatar melhor suas atividades. O Produto Interno Bruto (PIB, indicador da atividade econômica de um país) não consegue responder por toda essa complexidade, não mede o processo real. Ficam de fora do cálculo o valor do bem-estar e do nível educacional da população, assim como a qualidade da saúde do cidadão ou o valor ambiental. Por isso, o PIB é um indicador equivocado. Precisamos determinar o que precisa ser medido e relatado, e quais são as maneiras de fazer isso em escala global.
O mercado como um todo, porém, ainda está distante da economia verde?
Continuamos a viver na era da economia marrom. Ou seja, persistem os danos aos oceanos, à água doce, além da ameaça de escassez global de recursos naturais, assim como as desigualdades educacionais. As emissões não estão controladas. Precisamos mudar as direções da economia e do uso dos recursos naturais. Relatar o impacto socioambiental das atividades comerciais é o primeiro passo. Temos que tornar ultrapassados tanto o PIB quanto os relatórios corporativos atuais.
É possível fazer isto em apenas sete anos?
O prazo poderia ser de cinco anos ou dez. Mas 2020 é a meta, e mostra mesmo a urgência da tomada de decisão. Primeiro, e o mais importante: precisamos medir melhor o nosso impacto socioambiental. Sem saber isso, não haverá mudanças.
Por outro lado, as mudanças climáticas acabam sendo lucrativas para alguns países, como os que esperam explorar a rota do Ártico. Como lidar com essa situação?
Em muitos países, as mudanças climáticas podem trazer alguns benefícios com um pequeno aquecimento. Isso pode abrir as rotas de navios no Ártico e melhorar a agricultura de algumas localidades. Mas o problema do aquecimento global é que você não pode interromper seus efeitos em determinado nível. Por isto, mesmo os países que tiverem algum benefício num primeiro momento serão afetados mais adiante. Uma vez que o processo de aquecimento estiver fora de controle, a temperatura subirá dois, quatro, cinco, dez graus. Todos vão sofrer. Haverá impactos significativos na agricultura, os fenômenos climáticos ficarão mais intensos etc. Quem pensa em possíveis benefícios tem uma visão curta do problema, e eu diria até tola. Precisamos controlar as nossas emissões para evitar os impactos severos.
Como o senhor analisa o Brasil neste cenário?
O Brasil é parte da solução, sobretudo por causa de sua biodiversidade e de suas características climáticas. Por isso, espero ver mais liderança brasileira nestes temas. O país precisa ter uma voz mais forte internacionalmente, mostrar o caminho para o bom uso dos recursos naturais. É preciso proteger suas florestas, a água, seu sistema de chuvas, que é fundamental para a Amazônia, por exemplo. Este conhecimento do impacto socioambiental da economia de hoje precisa ser dito de forma alta e clara tanto pelos presidentes do Brasil como pelos membros do parlamento.
A Natura é um bom exemplo? O senhor pesquisou outras empresas brasileiras?
No Brasil, há companhias interessantes, mas a Natura é o melhor exemplo de criação de capital social. Seu modelo de negócios, que vende produtos principalmente para as mulheres, e conta com quase 1,4 milhão de consultoras, movimenta a economia e melhora o equilíbrio de gênero. Em segundo lugar, também dá experiência de negócios para as mulheres, que pode ser usada em outros empreendimentos.







