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Date: Wednesday, 11 May 2011 16:10

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Recentemente me tornei sócio-advisor de uma promissora startup de Porto Alegre chamada Organizze.

O Organizze é um serviço online de organização e controle de finanças pessoais e, em breve, empresariais. É um serviço que ajuda a controlar suas finanças para que você saiba onde gasta sua dinheiro, ajudando a estabelecer metas e melhorar sua educação financeira.

Meu interesse pelo Organizze vai muito mais além do potencial e a grande oportunidade de negócio por trás da empresa. Acredito que o Brasil possui um enorme défict de educação financeira. Não aprendemos adequadamente a lidar com dinheiro durante o ensino fundamental, logo esse aspecto da vida que é tão importante e tão poderoso, responsável por criar condições de vida tanto boas quanto ruins.

A filosofia do Organizze é justamente ajudar às pessoas a descobrirem a importância de um bom planejamento financeiro em suas vidas.

Eu chego no Organizze não para colaborar no dia a dia da empresa, mas para agregar conhecimento, networking e experiência de gestão e marketing a um grupo formado por 3 jovens apaixonados pelo que fazem: Tiago Vicente, Luis Felipe Luz e Esdras Mayrink.

Como empreendedor, percebo que cada fase de um empreendimento tem suas desafios e prazeres. Voltar a participar de uma startup promissora será divertido e desafiador. O Camiseteria continua sendo meu negócio principal. Mas ajudarei o Organizze a crescer nos próximos anos.

Aproveitem que hoje e amanhã rola uma promoção no Peixe Urbano para a versão premium do serviço, o Organizze Mais.

Conheça o Organizze
www.organizze.com.br
@organizzeme
facebook.com/meuorganizze

Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Friday, 07 Jan 2011 15:57

Meu último artigo explora as ideias de visão e sorte na vida do empreendedor, como essas duas características devem ser abordadas para quem está buscando o sucesso com sua empresa.

Para o sucesso do empreendedor, o que conta mais? Sua capacidade de visão do futuro e consequente capacidade de execução ou o simples fator sorte? Poderia a boa sorte ser opcional no sucesso do negócio, algo apenas bem vindo mas não necessário? Será que a boa sorte permeia todas as histórias de sucesso?

Veja o artigo completo no TechTudo.

Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Friday, 07 Jan 2011 15:54

Semana passada publiquei um artigo no TechTudo com algumas dicas de livros que li em 2010 e que recomendo para 2011 pra quem ainda não leu.

São apenas os livros que mais gostei de ler no ano, ou seja, uma bela seleção.

Veja aqui a lista.

Espero que curtam!

Author: "--" Tags: "TechTudo"
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Date: Thursday, 23 Dec 2010 01:08

Meu novo artigo no TechTudo acabou de sair. Bilhões de dólares. Uma análise sobre os valores de mercado atingidos por empresas como Facebook e Twitter.

Os dois expoentes ... são o Twitter e o Facebook. O primeiro recebeu recentemente um aporte de US$250 milhões com valuation em US$3.7 bilhões. Já o Facebook vale cerca de US$33.7 bilhões, com estimativa de receita anual de US$2 bilhões.

Fica claro para mim que ambas as empresas estão caminhando para um IPO (Initial Public Offering – oferta pública de ações), que normalmente é o maior pote de ouro que os investidores podem encontrar. É a melhor estratégia de saída para seus investimentos em função da liquidez e do potencial de ganhos.

E ainda uma visão pré e pós IPO.

...vejo as duas empresas que mais se destacam nessa área caminhando para um cenário onde seu valor de mercado parece ser maior do que o compatível, ainda mais numa época pré-IPO já que a tendência é desse cenário ficar ainda maior após a abertura de capital.

Leia o artigo completo

Author: "--" Tags: "Negócios Entusiásticos"
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Date: Wednesday, 15 Dec 2010 15:44

Em 1972, Wood Allen escreveu e dirigiu o filme “Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar“. O sucesso do filme inspirou vários artigos, com o clichê “Tudo o que você sempre quis saber sobre (__________) e tinha medo de perguntar”.

Deixando o clichê de lado, porque não responder perguntas que nunca realmente faríamos para um consumidor da sua marca? Vejamos algumas:

Empresa: Porque você não compra o meu produto?


Leia o artigo completo


Author: "--" Tags: "Algo a mais"
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Date: Thursday, 09 Dec 2010 15:02

A internet tupiniquim presenciou nos últimos meses uma verdadeira corrida ao ouro. Algo nunca antes visto na historia dos negócios online brasileiros. Em poucos meses um novo segmento de mercado surgiu, cresceu e, mais impressionante, inchou. Estou falando dos agora tão famosos sites de compras coletivas.

De abril de 2010, quando estreou o primeiro site de compras coletivas no Brasil, até a data em que esse artigo foi escrito sugiram pelo menos 40 sites com o mesmo objetivo. Desde o início da internet comercial por aqui, nunca houve um segmento que tenha atingido tal quantidade de envolvidos em tão pouco tempo, com números tão expressivos.

Leia o artigo completo


"Nunca antes na história da internet brasileira" é o artigo inaugural da minha coluna semanal no portal TechTudo da Globo.com.

Author: "--" Tags: "Uau! Isso é Internet"
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Date: Wednesday, 24 Nov 2010 16:36
Author: "--" Tags: "#FastPost"
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Date: Saturday, 24 Apr 2010 07:20

Outro dia tive uma ideia de como reaproveitar uma garrafa PET. Não sei se é viável, pois não sou especialista no assunto mas resolvi publicar aqui. Talvez alguém diga que é inviável devido a alguma questão técnica ou talvez alguém da área possa testa-la. De um jeito ou de outro, vale a tentativa de espalhar a ideia (se é que alguém já não teve essa ideia).

Bem, as garrafas PET são feitas através de uma técnica de modelagem por sobro, ou blow molding. É um processo simples.

preforma.jpg

Coloca-se um tubo de plástico chamado pré-forma (foto) numa máquina que o esquenta. Em seguida, ele é colocado num molde no formato da garrafa e depois um sopro de ar gera pressão dentro do tupo o que faz com que ele tome a forma do molde da garrafa.

Os dois vídeos abaixo mostram o procedimento:


Eis a ideia:

Se o plástico pode ser moldado dessa forma, porque não criar um novo molde, dessa vez maior, no formato de uma bolsa de compras onde, ao invés de ser usado um tupo pré-forma, fosse utilizada a própria garrafa PET. Ou seja, bastaria "soprar" novamente a garrafa já moldada em um novo molde em formato de bolsa.

O resultado seria uma bolsa de plástico mais fino que de uma garrafa PET, mas ainda assim mas grossa que uma sacola normal de supermercado. Essa bolsa seria resistente o suficiente para carregar compras, seria reutilizável e os supermercados poderiam distribui-las gratuitamente ao invés das atuais sacolas plásticas que por sua vez também são um grande problema para o meio ambiente.

Como disse, não sei se é viável. Se for, ótimo. Que alguém pegue essa ideia a torne realidade. :)

Author: "--" Tags: "Algo a mais"
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Date: Tuesday, 20 Apr 2010 01:28

delivering_happiness.jpg

Recebi um belo pacote surpresa do pessoal da Zappos hoje. Fui escolhido por Tony Hsieh e sua equipe para ser um dos blogueiros que irá fazer um early review de seu novo livro "Delivering Happiness", cujo lançamento será dia 7 de junho de 2010.

Ganhei dois exemplares "Advance Reading Copy" vistos ai na foto acima. Um é meu e ninguém tasca. O outro vou sortear entre meus seguidores no Twitter no dia 7 de junho de 2010, dia do lançamento.

Farei um review do livro aqui no blog. Aguardem.

Enquanto isso, saiba um pouco mais sobre o livro

Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Tuesday, 13 Apr 2010 01:52

Admiro quando boas iniciativas saem do papel. Semana passada tive a oportunidade de participar de uma dessas iniciativas. Fui, com o Camiseteria, um dos primeiros a anunciar no site Peixe Urbano.

Tive a oportunidade de conhecer o Julio Vasconcellos, co-fundador do Peixe Urbano, ano passado durante uma vinda dele ao Brasil, de férias do seu trabalho em uma start-up do Vale do Silício. Na época, já estava colocando em prática seu novo empreendimento.

Júlio, além sócio do Peixe Urbano, é também o country manager do Facebook no Brasil, fruto de seus contatos no Vale.

Desse papo nasceu a oportunidade de anunciar o Camiseteria no Peixe Urbano. O site traz diariamente descontos em produtos e serviços locais que são viabilizados através da compra coletiva. Ok, explico melhor. Todo dia o Peixe Urbano traz uma oferta para cada cidade em que atua. Hoje por exemplo, na versão do Rio de Janeiro, é possível comprar 2 diárias numa pousada em Búzios pela metade do preço. O grande desconto é viabilizado pela compra coletiva onde um mínimo de itens vendidos garante o desconto.

peixe_urbano.gif

Mas estou aqui mesmo é para contar como foi a experiência de anunciar o Camiseteria no Peixe Urbano. Foram disponibilizados 120 vale-compras de R$ 55,00 do Camiseteria com desconto de 51%, por apenas R$ 27,00.

Mas interessante mesmo foi o resultado. Em menos de 10 horas, TODOS os vales foram vendidos. Não conheço serviço de publicidade na Internet que consiga oferecer tal resultado tão rápido, ainda mais em se tratando de uma empresa recém lançada. Para o Camiseteria foi uma excelente oportunidade de aparecer para novos clientes e ainda assim vender em grande quantidade, num único dia.

O modelo de negócio do Peixe Urbano foi baseado no GroupOn, site que está virando febre nos EUA, com crescimento quase tão rápido quanto o FourSquare, outra febre. (Veja o comparativo)

A grande sacada na replicação de um modelo de negócio é quando existe algum gancho local. No caso do GroupOn, o fator local é parte integrante do modelo de negócio, o que traz sentido para a replicação deste modelo, diferente de negócios onde o fator local pode muito facilmente ser controlado pelo principal player, como exemplo o FourSquare que tem como oferecer check-ins em spots ao redor do mundo sem grande dificuldade.

Para os empresários brasileiros, fica uma oportunidade de bem interessante de divulgar seus negócios, para os usuários, bem, fica um bom desconto. :)

Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Monday, 29 Mar 2010 14:42

O Nerdcast da semana passada foi, acreditem, sobre empreendedorismo.

Eu, Marco Gomes (Boo-Box) e Rogério Bonfim (VirtualNet) fomos sabatinados por Azaghal e Alottoni.

Foi um dos podcasts mais divertidos que já participei. Também, a turma do JovemNerd não deixa o humor de lado nunca!

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Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Monday, 29 Mar 2010 03:49

Tirando a poeira do blog e tentando retomar os trabalhos, vejam uma entrevista que fiz para o programa Lições de Empreendedor da TV Alerj.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

Parte 4:

Author: "--" Tags: "Empreendedorismo"
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Date: Monday, 14 Dec 2009 16:48

As cenas são fortes, eu sei. Eram para ser mesmo.

Via Brainstorm #9

Author: "--" Tags: "#FastPost"
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Date: Wednesday, 28 Oct 2009 04:58

Está difícil convencer seu chefe ou cliente a investir em mídias sociais? Você só pensa em eyeballs, clicks, Likes, ReTweets e seu chefe só pensa em ROI (Return On Investiment / Retorno Sobre Investimento)?

Isso vai te ajudar.

Via @jeffpaiva

PS.: Adorei esse formato de apresentação.

Author: "--" Tags: "#FastPost"
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Date: Sunday, 25 Oct 2009 06:07

263 slides de puro raciocínio coerente sobre o atual momento da Internet. Vale cada minuto investido em compreender a linha de raciocínio de David Gillespie.

This is a collection of thoughts around where we are right now in the history of the Internet. I believe we're getting ahead of ourselves, confusing the growth of the Internet with it growing up, but I also believe we're doing some amazing things, and can draw a few lines in the sand, making some solid guesses on where we are going.
Author: "--" Tags: "#FastPost"
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Date: Monday, 05 Oct 2009 16:04

Hoje foi lançado o ReadWriteWeb Brasil. O RWW é um dos principais blogs do mundo quando se trata de tecnologia Web e startups.

Fico feliz com a chegada dessa nova fonte de conteúdo, ainda mais por ser um dos colunistas colaboradores.

Vejam aqui o meu primeiro post no RWW Brasil: Revisitando as Top Aplicações Web no Brasil

Siga o RWW Brasil no Twitter

Author: "--" Tags: "Web 2.0"
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Date: Saturday, 03 Oct 2009 03:08

Hoje a cidade do Rio de Janeiro foi eleita sede dos XXXI Jogos Olímpicos e XV Jogos Para-Olímpicos. Uma grande vitória para a cidade maravilhosa, sem dúvida.

Mas hoje foi um dia de vários sentimentos. Primeiro muita angústia, aquela angústia boa, muito bem ilustrada pela minha amiga Ana Pow como sentimento de disputa de pênalti em final de campeonato, enquanto esperava o resultado da eleição da cidade-sede. Segundo um sentimento de alegria ao saber da vitória do Rio. Mas também um terceiro sentimento, de indignação ao ler no Twitter tantas críticas sobre a realização dos jogos no Rio. Bem, pelo menos a torcida pela vitória me pareceu bem maior que a torcida contra.

O que penso? Penso que esta é uma grande oportunidade. Um grande oportunidade para trazer melhorias significativas para a cidade do Rio, para desenvolver o turismo brasileiro, para aumentar as divisas do Brasil no mundo globalizado, para ampliar a economia nacional e carioca, para empresários alavancarem seus negócios, para que novas empresas surjam, para que mais emprego seja gerado.

Infelizmente também é uma grande oportunidade para falharmos naquilo que nós, como nação, estamos acostumados a falhar. É uma grande oportunidade para políticos corruptos levarem vantagem pessoal, para empresários anti-éticos levarem vantagens em contratos super-faturados, para furarmos o cronograma de planejamento dos jogos, para extrapolarmos o orçamento como aconteceu com a Cidade da Música, para não implementarmos as mudanças necessárias na infra-estrutura da cidade conforme prometido.

Quanto a isso, como cidadãos, devemos fazer o nosso papel de investigar e apontar irregularidades, cobrar resultados e, mais importante, eleger bons candidatos nas eleições presidenciais e estaduais de 2010 e 2014, além das eleições municipais de 2012. É essa turma que vai viabilizar e organizar financeiramente os jogos.

Também não entendo o argumento de que é melhor investir em outras coisas como por exemplo saúde e educação. Esse não é um jogo de poucas fichas. O desenvolvimento econômico brasileiro está aumentando o cacife, colocando mais fichas na mesa. Devemos colocar fichas na saúde, na educação e em todo o resto necessário para um bom desenvolvimento de um país E TAMBÉM colocar as fichas nos jogos olímpicos. Não é um jogo de "OU". É um jogo de "E".

Mas o ponto principal deste artigo não são as possíveis falhas ou glórias na realização dos jogos. É mostrar a verdadeira grande oportunidade que a realização de um evento como esse pode proporcionar.

Nada de bom ou ruim do que listei acima é tão grande quanto a capacidade de um evento dessa magnitude de mudar a mentalidade das pessoas e de ajustar os aspectos negativos da cultura social.

Mentalidade e cultura são aspectos muito difíceis de serem mudados. Somente um grande movimento popular tem essa capacidade. E esses jogos, como também a Copa do Mundo de 2014, trazem essa oportunidade.

É a oportunidade que temos de mostrar para os governantes que temos capacidade de cobrar resultados e legalidade nos processos. É a oportunidade de mostrarmos aos visitantes que somos capazes de sermos mais civilizados e educados no trânsito, de que violência pode ser combatida e minimizada. É a oportunidade de nos unirmos como cariocas, como brasileiros e cobrarmos mudanças e de executarmos nós mesmos outras tantas, na nossa própria atitude, no lixo jogado na rua, na gentileza do trânsito, no ceder lugar ao idoso no metrô, no "bom dia" camarada e bem humorado para o ascensorista na segunda-feira de manhã.

É a oportunidade de mostrar ao mundo que somos capazes de sermos melhores. Desde já.

Fecho esse artigo com o vídeo que todo mundo já viu mas que não cansa de me fazer arripar.

Se você quiser ser voluntário nos Jogos Rio 2016, cadastre-se aqui.

Author: "--" Tags: "Algo a mais"
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Date: Sunday, 20 Sep 2009 05:39

Em maio desse ano eu dei uma palestra onde eu apresentei algumas idéias de como o crowdsourcing poderia mudar a democracia e a participação dos cidadãos na gestão pública.

Uma das idéias é a de incorporar o cidadão comum como parceiro na gestão pública, mais notoriamente a detecção de problemas públicos.

Semana passada, aconteceu em São Francisco o TechCrunch50, um evento onde 50 startups são apresentadas a potenciais investidores. Uma das empresas, a CitySourced, que alias foi uma das finalistas, me chamou a atenção justamente pela proposta de permitir que cidadãos participem da gestão pública indicando problemas na sua cidade.

A seguir, o vídeo da apresentação da CitySourced no TechCrunch50:


Update: Uma iniciativa brasileira que também atua na mesma área e não deixa a desejar para as iniciativas citadas acima é a Cidade Democrática. Vejam o vídeo de apresentação do projeto.

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Date: Sunday, 20 Sep 2009 04:30

O pessoal da The Digital Royalty montou uma fórmula simples de medir retorno em mídias sociais.

Fui procurar saber sobre essa ferramenta usada para medir sentimento e tamanho do eco-sistema em mídias sociais. É o Spark da Spiral16. Parece muito interessante, principalmente esse Virtualization Engine, mas não me parece um serviço simples de contratar e usar.

Author: "--" Tags: "Mídia Social"
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Date: Friday, 18 Sep 2009 00:23

Essa é uma daquelas entrevistas que todos os brasileiros deveriam ler. Na íntegra. Independente qual seja seu candidato preferido para as próximas eleições presidenciais.

Do Valor

Lula propõe uma “Consolidação das Leis Sociais”
Claudia Safatle, Maria Cristina Fernandes, Cristiano Romero e Raymundo Costa, de Brasília
17/09/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mandar ao Congresso ainda este ano um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo. A ideia é amarrar no texto da lei uma “Consolidação das Leis Sociais”, a exemplo do que, na década de 50, Getúlio Vargas fez com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Diz que, para este projeto, não vai pedir urgência. “É bom mesmo que seja discutido no ano eleitoral”.

Faz parte dos planos do presidente também para este ano encaminhar ao Congresso um projeto de inclusão digital. “Será para integrar o país todinho com fibras óticas”, adiantou.

Na primeira entrevista concedida após a grande crise global, Lula criticou as empresas que, por medo ou incertezas, se precipitaram tomando medidas desnecessárias e defendeu a ação do Estado. “Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária”.

Ele explicou porque está insatisfeito especialmente com a Vale do Rio Doce, a quem tem pressionado a agregar valor à extração de minério, construir usinas siderúrgicas e fazer suas encomendas dentro do país, em vez de recorrer à importação, como tem feito. “A Vale não pode ficar se dando ao luxo de ficar exportando apenas minério de ferro”, diz ele. Hoje, disse, os chineses já produzem 535 milhões de toneladas de aço por ano, enquanto o Brasil, o maior produtor de minério do mundo, produz apenas 35 milhões de toneladas. “Isso não faz nenhum sentido.”

O presidente defendeu a expansão de gastos promovida por seu governo, alegando que o Estado forte ajudou o país a enfrentar a recente crise econômica. “A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população.”

Rechaçou a eventualidade do “risco Serra”, aludido por algumas autoridades de seu governo face às veementes críticas do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) à política monetária. “É uma cretinice política. É tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem, vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que a inflação volte”.

A falta de carisma da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata à sua sucessão em 2010 não é , para ele, um obstáculo eleitoral. “Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido eleito e Serra não seria nem candidato. Jânio Quadros tinha carisma e ficou só seis meses”. O principal ativo de Dilma, na opinião de Lula, é a “capacidade gerencial” da ministra. “E mulher tem que ser dura mesmo, para se impor entre os homens.”

Lula contou que já desaconselhou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a se candidatar ao governo de Goiás. “Eu já disse pro Meirelles. Eu sinceramente acho que o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. Mas esse negócio tem um comichão…”

O risco de os esqueletos deixados por planos de estabilização de governos passados se transformarem em pesado fardo para o Tesouro Nacional preocupa o presidente. Segundo ele, se o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar as ações contra bancos baseadas em supostos prejuízos causados por planos econômicos, uma conta que supera os R$ 100 bilhões, os bancos vão acionar judicialmente a União para bancar que ela banque essa despesa.

Na entrevista ao Valor, concedida na manhã de ontem em seu gabinete no Centro Cultural do Banco do Brasil, o presidente falou por uma hora e meia. Fumou cigarrilha na última meia hora da entrevista e não se recusou a falar de seu futuro político quando deixar a Presidência. “Gostaria de usar o que aprendi na Presidência para ajudar tanto a América Latina quanto a África a implementar políticas sociais, mas primeiro preciso saber se eles querem, porque de palpiteiro todo mundo está cansado”. Sobre uma nova candidatura em 2014, o presidente foi direto: “Se Dilma for eleita, ela tem todo direito de chegar em 2014 e falar ‘eu quero a reeleição’. Se isso não acontecer, obviamente a história política pode ter outro rumo”.

Valor: Passado um ano da grande crise global, a economia brasileira começa a se recuperar. Além do pré-sal, qual a agenda do governo para o pós crise?

Luiz Inácio Lula da Silva: Ainda este ano vou apresentar uma proposta sobre inclusão digital. E, também, uma proposta consolidando todas as políticas sociais do governo.

Valor: Inclusive, o Bolsa Família, o salário mínimo?

Lula: Todas. Vai ter uma lei que vai legalizar tudo, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Será uma consolidação das políticas públicas para sustentar os avanços conquistados. Tudo o que foi feito, até as conferências nacionais, porque nós só temos legalizada a da saúde.

Valor: Mas o governo ainda não conseguiu sequer aprovar a política de valorização do salário mínimo?

Lula: A culpa não é minha. Mandei (para o Congresso) já faz um ano e meio. Sou de um tempo de dirigente sindical que, quando a gente falava de salário mínimo, as pessoas já falavam logo de inflação. Nós demos, desde que cheguei aqui, 67% de aumento real para o salário mínimo e ninguém mais fala de inflação. O projeto que nós mandamos é uma coisa bonita. É a reposição da inflação mais o aumento do PIB de dois anos atrás. Quero consolidar isso porque acho que o Brasil tem que mudar de patamar.

Valor: O senhor vai pedir urgência?

Lula: Não. É ótimo que dê debate no ano eleitoral. Quando eu voltar de viagem, vou ter uma reunião com todos os ministros da área social e vamos começar a trabalhar nisso.

Valor: E a inclusão digital?

Lula: Esta eu quero mandar também este ano. Será para integrar o país com fibras óticas. O Brasil precisa disso. Eu dei 45 dias de prazo, ontem, para que me apresentem o projeto de integração de todo o sistema ótico do Brasil.

Valor: O que mais será feito?

Lula: Uma proposta de um novo PAC para 2011-2015, que anunciarei em janeiro ou fevereiro. Porque precisamos colocar, no Orçamento de 2011, dinheiro para a Copa do Mundo, sobretudo na questão de mobilização urbana. E, se a gente ganhar a sede das Olimpíadas, já tem que ter uma coisa mais poderosa nisso.

Valor: Só para a parte que lhe cabe no pré-sal, o BNDES diz que vai precisar de uma capitalização de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional. O senhor já autorizou a operação?

Lula: Acabamos de dar R$ 100 bilhões ao BNDES e nem utilizamos ainda todo esse dinheiro. Para nós, o pré-sal começa ontem. Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, pedi aos empresários que constituíssem um grupo de trabalho para que possamos ter dimensão do que vamos precisar nos próximos 15 anos entre infraestrutura, equipamentos para construção de sondas, plataformas, toda a cadeia. Não podemos deixar tudo para a última hora e isso vai exigir muito dinheiro. Esse problema do BNDES ainda não chegou aqui, mas posso garantir que não faltará dinheiro para o pré-sal.

Valor: O governo pensa numa política industrial para o pré-sal, voltada para as grandes empresas nacionais. Fala-se em ter empresas “campeãs nacionais”. Isso vai renovar o parque industrial e as lideranças empresariais do país?

Lula: Certamente aumentará muito o setor empresarial brasileiro. Precisamos aproveitar o pré-sal e criar, também, um grande polo petroquímico. Não podemos ficar no sexto, sétimo lugar nesse setor. Pedi para o Luciano Coutinho (presidente do BNDES) coordenar um grupo de trabalho para que a gente possa anunciar em breve um plano de fomento à indústria petroquímica no Brasil. E pedi para os empresários brasileiros se prepararem para coisas maiores. Vamos precisar de mais estaleiros, diques secos, e isso tem que começar agora para estar pronto em três a quatro anos. Sobretudo, temos que convencer os empresários estrangeiros a investir no Brasil, construindo parcerias.

Valor: É por essa razão que o senhor está irritado com a Vale?

Lula: Não estou irritado com a Vale. Tenho cobrado sistematicamente da Vale a construção de usinas siderúrgicas no país. Todo mundo sabe o que a Vale representa para o Brasil. É uma empresa excepcional, mas não pode se dar ao luxo de exportar apenas minério de ferro. Os chineses já estão produzindo 535 milhões de toneladas de aço e nós continuamos com 35 milhões de toneladas. Daqui a pouco vamos ter que importar aço da China. Isso não faz nenhum sentido. Quando a gente vende minério de ferro, custa um tiquinho.

Valor: E não paga imposto porque o produto não é industrializado…

Lula: Não paga imposto. Tudo isso eu tenho discutido muito com a Vale porque eu a respeito. Quando ela contrata navios de 400 mil toneladas na China, é de se perguntar: ´e o esforço imenso que estou fazendo para recuperar a indústria naval brasileira?´

Valor: Mas a Vale não é uma empresa privada?

Lula: Pode ser privada ou pública. O interesse do país está em primeiro lugar. As empresas privadas têm tantas obrigações com o país como eu tenho. Não é porque sou presidente que só eu tenho responsabilidade. Se quisermos construir uma indústria competitiva no mundo, vamos ter que fortalecer o país.

Valor: Os custos não são importantes?

Lula: Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu! Estou fazendo uma discussão com a Vale, já fiz com outras empresas, porque quando queremos importar aço da China, os empresários brasileiros não querem. Mas quando eles aumentam seus preços, eu sou obrigado a reduzir a alíquota (de importação) para poder equilibrar. Eu sei a importância das empresas brasileiras, ninguém mais do que eu brigou neste país para elas virarem multinacionais. Porque, cada vez que uma empresa se torna uma multinacional, ela é uma bandeira do país fincada em outro país.

Valor: As empresas não importam porque lá fora é mais barato e tecnologicamente mais avançado?

Lula: Não sei se tecnologicamente é mais avançado. Pode ser mais barato. Quando começamos a discutir com a Petrobras a construção de plataformas, ela falava ´nós economizamos não sei quantos milhões´. Eu falava ´tudo bem, e os desempregados brasileiros? E o avanço tecnológico do país? E a possibilidade de fazemos plataformas aqui e exportar?´ Em vez de apenas importar, vamos convencer as empresas de fora que nós temos demanda e que elas venham construir no Brasil. Não estamos pedindo favor. Talvez o Brasil seja, daqui para a frente, o país a consumir mais implementos para a construção de sondas e plataformas.

Valor: O governo pensa em reduzir os custos de produção no Brasil?

Lula: Temos, no momento, uma crise econômica em que o custo financeiro subiu no mundo inteiro. Desde que entrei, e considerando a extinção da CPMF, foram mais de R$ 100 bilhões em desonerações. Eu já mandei duas reformas tributárias ao Congresso. As duas tiveram a concordância dos 27 governadores e dos empresários. Mas as propostas chegam no Senado e, como diria o Jânio Quadros, tem o ´inimigo oculto´ que não deixa que sejam aprovadas.

Valor: Como o senhor vê o papel do Estado pós crise?

Lula: O Estado não pode ser o gerenciador, o administrador. O Estado tem que ter apenas o papel de indutor e fiscalizador. Então, (o Estado) leva uma refinaria para o Ceará, um estaleiro para Pernambuco. Se dependesse da Petrobras, ela não gostaria de fazer refinarias.

Valor: Por que há ociosidade?

Lula: Na lógica da Petrobras, as suas refinarias já atendem a demanda. Há 20 anos a empresa não fazia uma nova refinaria. Agora, o que significa uma nova refinaria num Estado? A primeira coisa que vai ter é um polo petroquímico para aquela região. Este é o papel do governo. O governo não pode se omitir. A fragilidade dos governantes, hoje, é que eles acreditaram nos últimos dez anos que os mercados resolviam os problemas. E agora, quando chegou a crise, todos perceberam que, se os Estados não fizessem o que fizeram, a crise seria mais profunda. Se o Bush (George, ex-presidente dos Estados Unidos) tivesse a dimensão da crise e tivesse colocado US$ 60 bilhões no Lehman Brothers antes de ele quebrar, possivelmente não teríamos a crise de crédito que tivemos. Então, a Vale entra nessa minha lógica.

Valor: Depois da conversa com o senhor, a Vale vai construir as siderúrgicas?

Lula: Ela precisa agregar valor às suas exportações. Se ela exportar uma tonelada de bauxita, vai receber entre US$ 30 e US$ 50. Se for um tonelada de alumínio pronto, vai vender por US$ 3 mil. Além disso, vai gerar emprego aqui, vai ter que construir hidrelétrica para ter energia. Não pode ter só o interesse imediato pelo lucro porque a matéria prima um dia acaba e, antes de acabar, temos que ganhar dinheiro com isso. A Vale entende isso.

Valor: Então ela se comprometeu?

Lula: Basta ver a propaganda dela nos jornais. Faz três anos que venho conversando com a Vale. O Estado do Pará reclama o tempo inteiro, Minas Gerais e o Espírito Santo também. A siderúrgica do Ceará não foi proposta por mim. Foi proposta em 1992. Há condições de fazer? Há. Há mercado? Há. Temos tecnologia? Temos. Então, vamos fazer.

Valor: Entre reduzir a carga tributária, desonerando a folha de pagamentos das empresas, e aumentar o salário do funcionalismo, o senhor ficou com a segunda opção. Por quê?

Lula: Primeiro porque a desoneração é baseada no nervosismo econômico, no aperto de determinado segmento. O Estado tem que ter força. No Brasil, durante os anos 80, se criou a ideia de Estado mínimo. O Estado mínimo não vale para nada. O Estado tem que ter força para fazer as políticas que fizemos agora, na crise, com a compreensão do Congresso. Não pense que foi fácil tomar a decisão de fazer o Banco do Brasil (BB) comprar a Nossa Caixa em São Paulo.

Valor: Por quê?

Lula: As pessoas diziam: ´Ah, o presidente vai dar dinheiro ao Serra e o Serra é candidato´. Mas não dei dinheiro para o Serra. Comprei um banco que tinha caixa e para permitir que o BB tivesse mais capacidade de alavancar o crédito. Quando fui comprar (via BB) 50% do Banco Votorantim, tive que me lixar para a especulação. Nós precisávamos financiar o mercado de carro usado e o Banco do Brasil não tinha ´expertise´. Então, compramos 50% do Votorantim, que tem uma carteira de carro usado de R$ 90 bilhões. Vocês têm dimensão do que foi ter uma Caixa Econômica Federal, um BNDES ou um BB na crise? Foi extremamente importante. A Petrobras apresentou estudo mostrando que deveria adiar o cronograma dos investimentos dela de 2013 para 2017.

Valor: Durante a crise?

Lula: É. Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ´Olha, este é um momento em que não se pode recuar´. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.

Valor: E funcionou?

Lula: Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária. Aquele famoso cavalo de pau que o (Antonio) Palocci (ex-ministro da Fazenda) dizia que a gente não podia dar na economia, alguns setores empresariais deram por puro medo, incerteza. Essas coisas nós conversamos muito com os empresários, no comitê acompanhamento da crise. Agora não vai ter mais comitê de crise, mas sim de produção, investimento e inovação tecnológica. Estou otimista porque este é o momento do Brasil.

Valor: Por exemplo?

Lula: As pessoas estão compreendendo que fazer com que o pobre seja menos pobre é bom para a economia. Ele vira consumidor. Eles vão para o shopping e compram coisas que até pouco tempo só a classe média tinha acesso. Os empresários brasileiros precisam se modernizar.

Valor: A política de valorização do funcionalismo dificilmente poderá ser mantida por seu sucessor e nenhum dos candidatos tem ascendência sobre o movimento sindical que o senhor tem. Não é uma bomba relógio que o senhor deixa armada para o próximo governo?

Lula: Vocês acham que o Estado brasileiro paga bem?

Valor: O senhor acha que ainda ganha mal?

Lula: Você tem que medir o valor de determinadas funções no mercado e dentro do governo. Sempre achei que o pessoal da Petrobras ganhava muito. O Rodolfo Landim, quando era presidente da BR, há uns quatro anos, ganhava R$ 26 mil. Ele entrou na minha sala e disse: ´Presidente, tive convite de um empresário, estou de coração partido, mas não posso perder a oportunidade da minha vida´. Então, ele deixa de ganhar R$ 26 mil por mês e vai ganhar R$ 200 mil com dois anos de pagamento adiantado. Quanto vale um bom funcionário da Receita Federal, do Banco Central, no mercado? O que garante as pessoas ficarem no Estado é a estabilidade, não o salário.

Valor: Mas essa política de valorização salarial do funcionalismo é sustentável?

Lula: Como é que a gente vai deixar de contratar professores? Vou passar à história como o presidente que mais fez universidades neste país. Ontem, completamos a 11ª (das quais, duas foram iniciativa do governo anterior). Ganhamos do Juscelino Kubitschek, que fez dez. Teve governo que não fez nenhuma. E ainda há três no Congresso para serem aprovadas.

Valor: O senhor considera que o Estado hoje está arrumado?

Lula: A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população. E ainda falta muito para chegar à perfeição.

Valor: O senhor foi vítima em 2002 do chamado “risco Lula”. Hoje, já há quem fale em “risco Serra”. Existe mais risco para o país com o Serra do que com a Dilma?

Lula: Nunca ouvi falar de ´risco Serra´ (risos). Posso falar de cátedra. Sofri com o ´risco Lula´ desde 1989. Em 1994, eu tinha 43% nas pesquisas em março e o que eles fizeram? Diminuíram o mandato para quatro anos e proibiram mostrar imagem externa no programa eleitoral. As pessoas pensam que esqueci isso. Quando chegaram as eleições para a prefeitura (em 1996), revogou-se a lei e todo mundo pôde mostrar imagens externas. Quando eles ganharam, aprovaram a reeleição. Então, essa coisa de ´risco Lula´ eu conheço bem.

Valor: É possível voltar a acorrer?

Lula: Espero que minha vitória e meu governo sirvam de lição para essas pessoas que ficam dizendo: ´o Lula era risco, agora o Serra é risco, a Dilma é risco, a Marina é risco, o Aécio é risco´. É uma cretinice política! Porque é tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem. Quem fez bobagem não ficou. Todo mundo sabe da minha afinidade com os trabalhadores, da minha preferência pelos mais pobres. Entretanto, sou governante dos ricos também. E tenho certeza de que eles estão muito satisfeitos porque ganharam muito dinheiro no meu governo. Mais do que no governo ´deles´. Como pode um companheiro como a Dilma, o Serra, a Marina, todos que têm história, ficar sujeito a essa história de risco? E sabe por que não tem risco? Porque, se depois fizer bobagem, paga. Você pode ter visão diferente sobre as coisas, isso é normal. E agora mais ainda porque quem vier depois de mim.

Valor: Por quê?

Lula: Porque há um outro paradigma. Em cem anos a elite brasileira fez 140 escolas técnicas. Como é que esse torneiro mecânico faz 114? Estamos criando um paradigma. Fui ao Rio Maranguapinho (no Ceará) um dia desses. Estamos colocando lá R$ 390 milhões para fazer saneamento básico. Em Roraima são R$ 496 milhões para fazer saneamento e dragagem. Você sabe quanto o Brasil inteiro gastou em 2002 em saneamento?

Valor: Quanto?

Lula: R$ 262 milhões. Então, estamos colocando num bairro de Fortaleza o que foi colocado no Brasil inteiro naquele ano.

Valor: O senhor diria que pelo menos nos três fundamentos básicos da economia – superávit primário, câmbio flutuante e regime de metas – ninguém vai mexer porque foram testados na crise?

Lula: Para mim, inflação controlada é condição básica para o resto dar certo. Porque na hora que a inflação começar a crescer, os trabalhadores vão querer muito mais reajuste, os empresários também e a coisa desanda. Então, é manter a inflação controlada, a economia crescendo, permitir o crescimento do crédito. O Banco do Brasil sozinho hoje talvez tenha todo o crédito que o Brasil tinha em 2003.

Valor: Isso é bom ou ruim? Entre os anos 80 e 90, houve péssima gestão nos bancos estaduais, que acabaram quebrando…

Lula: Mas aí a culpa não é do banco. É irresponsabilidade da classe política. Os governantes transformaram os bancos públicos em caixa 2 de campanha. Emprestar dinheiro para amigo? Isso acabou. Não acho que ninguém que entre aqui vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que volte a inflação. Porque, se isso acontecer, o mandato é de apenas quatro anos.

Valor: A capacidade administrativa da ministra Dilma Rousseff, apesar do seu pouco carisma, e a confiança que o senhor tem em seu trabalho são suficientes para fazer dela uma candidata?

Lula: Quantos políticos têm carisma no Brasil? Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido presidente. Se dependesse de carisma, José Serra não poderia nem ser candidato. Carisma é uma coisa inata. Você pode aperfeiçoar ou não. Sempre é bom ter um pouco de carisma. O Jânio Quadros tinha carisma. Ficou só seis meses aqui. Estou dizendo que para governar este país é preciso um conjunto de qualidades. E a primeira qualidade é ganhar eleição. Tem que ter muita humildade, determinação do projeto que vai apresentar. Tem que provar que é capaz de gerenciar. Hoje, com sete anos de convivência, não conheço ninguém que tenha essa capacidade gerencial da Dilma. Às vezes as pessoas falam ´ela é dura´. Mas é que a mulher tem que ser mais dura mesmo.

Valor: Por quê?

Lula: Porque numa discussão política, para você se impor no meio de 30 ou 40 homens, é assim. A Dilma é muito competente. Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Heloísa Helena, Aécio. Houve no país um avanço qualitativo nas disputas eleitorais. O Fernando Henrique e eu já fomos um avanço extraordinário. Fico olhando e vejo que não tem um único candidato de direita. Isto é uma conquista extraordinária de um Brasil exuberante. É evidente que Serra tem discordância da Dilma e vice-versa, mas ninguém pode acusar um e outro de que não são democratas e não lutaram por este país.

Valor: Qual é a diferença entre eles?

Lula: Vai ter. Se for para fazer (um governo) igual não tem disputa. E, aí, o povo vai escolher por beleza… Não sei se serão só os dois. Mas são candidatos de qualidade.

Valor: Privatizar ou não privatizar pode ser a diferença?

Lula: Não.

Valor: Por que o senhor é contra a privatização?

Lula: Tudo aquilo que não é de interesse estratégico para o país pode ser privatizado. Agora, tudo o que é estratégico, o Estado pode fazer como fez com a Petrobras e o Banco do Brasil.

Valor: A Infraero é estratégica?

Lula: O Guido (Mantega, ministro da Fazenda) foi determinado a fazer um estudo sobre a Infraero, para ver se ela vira uma empresa de economia mista. O que nos interessa é que as coisas funcionem corretamente. Pedi ao Jobim (Nelson, ministro da Defesa) estudar o processo de concessão de um ou outro aeroporto para gente poder ter um termômetro, medir a qualidade de funcionamento. O que é estratégico no aeroporto é o controle do espaço aéreo e não ficar pegando passaporte de passageiros.

Valor: O senhor, então, não é contra a privatização por princípio?

Lula: Eu sou muito prático. Entre o meu princípio e o bom serviço prestado à população, fico com o bom serviço.

Valor: Quando o senhor falou dos candidatos, não mencionou Ciro Gomes.

Lula: O Ciro é um extraordinário candidato. De qualquer forma o PSB tem autonomia para lançar o Ciro candidato.

Valor: O senhor é o presidente mais popular da história do Brasil. No entanto, este Congresso é um dos mais desmoralizados. Por que o PT fracassou na condução do Congresso?

Lula: Você há de convir que a democracia no Brasil funciona com muito mais dinamismo que em qualquer outro lugar do mundo. O PT elegeu 81 deputados em 513 e 12 senadores em 81. A gente precisa dançar mais flamenco do que em qualquer país do mundo. Você vai ter que ter mais jogo de cintura. Exercitar a democracia é convencer as pessoas, é sempre mais difícil.

Valor: Por quê?

Lula: O Congresso é a única instituição julgada coletivamente. Se não teve sessão você fala: ´Deputado vagabundo que não trabalha´. Agora, nunca cita os que estiveram lá, de plantão, o tempo inteiro. Quando era constituinte, eu ficava doido porque ficava trabalhando até as duas, três horas da manhã. O Ulysses (Guimarães) ficava uma semana sem votar. Quando ele começava a votar, aquilo varava a noite. No dia seguinte, pegava o jornal, que dizia ´sessão não deu quórum porque os deputados não foram trabalhar´. Mas havia lá 200 em pé. Toda vez que vou a debates com estudantes, em inauguração de escolas, eu falo isso: ´Se vocês não gostam de política, acham que todo político é ladrão, que não presta, não renunciem à política. Entrem vocês na política porque, quem sabe, o perfeito que vocês querem está dentro de vocês´.

Valor: O senhor disse que o Brasil deve comemorar o fato de não ter candidatos de direita na eleição presidencial. Por que depois de tantas tentativas de aproximar PT e PSDB, isso não deu certo?

Lula: Porque na verdade nós somos os principais adversários.

Valor: Em São Paulo?

Lula: Em São Paulo e em outros lugares. Há uma disputa.

Valor: A aliança PT-PSDB é impossível?

Lula: Acho que agora é impossível.

Valor: Como o senhor avalia sua relação com a oposição, sobretudo no momento em que se discute o marco regulatório do pré-sal?

Lula: Essa oposição teve menos canal com o governo. Certamente o DEM e o PSDB pouco tiveram o que construir com o governo. Possivelmente quando eles eram governo, o PT também construiu poucas possibilidades. O projeto do pré-sal tal, como ele foi mandado, não é uma coisa minha. O trabalho que fizemos foi, sem falsa modéstia, digno de respeito, tanto é que o Serra concorda com o modelo. O Congresso tem liberdade para mudar.

Valor: A oposição diz que o governo pediu urgência para usar o projeto de forma eleitoreira. A urgência era exatamente por quê?

Lula: Porque precisamos aprovar o mais rápido possível para dizer ao mundo o que está aprovado e começar a trabalhar. Acho engraçado a oposição dizer isso. A oposição votou em seis meses cinco emendas constitucionais no governo Fernando Henrique Cardoso.

Valor: O senhor volta com o pedido de urgência, se for o caso?

Lula: Depende. Atendi ao pedido do presidente da Câmara, Michel Temer. Vamos votar no dia 10 de novembro. Isso me garante. Termino o mandato daqui a um ano. Serei ex-presidente, nem vento bate nas costas. Não é para mim que estou fazendo o pré-sal. O pré-sal é para o país.

Valor: O que o senhor pretende fazer depois que deixar o governo?

Lula: Não sei. A única coisa que tenho convicção é que não vou importunar quem for eleito.

Valor: Todo mundo tem medo que o senhor volte em 2014…

Lula: Medo? Acho que deveria ter alegria, se eu voltasse. Na política a gente tem de ter sempre o bom senso. Vamos supor que a Dilma seja eleita presidente da República…

Valor: E se ela perder a eleição? O senhor vai se sentir pressionado pelo PT a disputar em 2014?

Lula: Vou trabalhar para o povo votar favoravelmente, mas, se votar contra, vou ter o mesmo respeito que tenho pelo povo. Se ela for eleita, tem todo o direito de chegar a 2014 e falar ´eu quero a reeleição´.

Valor: E se ela não for eleita?

Lula: Não trabalho com essa hipótese, mas obviamente que, se não acontecer o que eu penso que deve acontecer, a história política pode ter outro rumo.

Valor: Parece que está consolidada a percepção de que o país terá câmbio apreciado por um bom tempo. O senhor teme uma desindustrialização?

Lula: O nosso objetivo é industrializar o máximo possível. O Palocci disse uma frase que é simples e antológica: ´o problema do câmbio flutuante é que ele flutua´. Obviamente que nós já estamos discutindo isso. Trabalhamos com a hipótese de que vai entrar muito dólar no Brasil. Precisamos trabalhar isso com carinho. Em contrapartida, também estamos avançando na questão de fazer trocas comerciais nas moedas dos países. Não preciso do dólar para fazer comércio com a China, a Índia, a Rússia. Podemos fazer comércio com nossas moedas e com as garantias dos bancos centrais. Esta é uma coisa nova que já começamos a discutir. Na última reunião dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), foi constituído um grupo de trabalho para pensar sobre isso. Não é possível você tratar da economia com teoricismo, de que você acha que hoje pode tomar uma decisão para evitar que alguma coisa aconteça daqui a dez anos. Esta crise econômica mundial mostrou isso. Hoje é unanimidade mundial que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar isso. Nunca tivemos nenhum plano econômico. Cada vez que tinha uma crise vinha um e apresentava um plano. Quebrava. Os bancos hoje estão sendo processados no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma dívida de mais de R$ 150 bilhões, por causa dos planos Bresser e Verão.

Valor: Os bancos pediram ajuda ao governo?

Lula: Não é que o governo vai ajudar. O governo é o responsável. O governo fez a lei. Eles cumpriram a lei. Se eles perderem no STF, sabe o que vai acontecer?

Valor: A conta vai para o Tesouro.

Lula: Eles vão acionar a União. Obviamente que é isso. E quem fez os planos está dando palpites nas economias. Este é o dado. Também peço a Deus que eu não deixe nenhum esqueleto para meus sucessores. Por isso, estou mais tranquilo para tomar as decisões, mais meticuloso, para fazer as coisas. Eu fico imaginado, quando eu não estiver mais aqui dentro, o que é que um ex-presidente pode esperar do país. Que um venha e faça mais do que ele. Porque isso é o que vai fazer o país ir para a frente. Somente uma figura medíocre é capaz de torcer para o cara não dar certo. Porque, quando não dá certo, eu não vi nenhum político ter prejuízo. Ele pode perder a eleição, mas não tem prejuízo. Agora, o povo pobre é que paga a conta, se a política não der certo.

Valor: Qual vai ser o discurso da sua candidata?

Lula: Vamos deixar a candidata construir. Mas eu acho o seguinte: o que eram as campanhas passadas? Quem vai controlar a inflação, o salário mínimo de US$ 100, não era isso? Isso acabou. Não se fala mais em FMI, não se fala mais em salário mínimo de US$ 100, não se fala mais em inflação.

Valor: Mas no FMI o senhor vai falar?

Lula: Vou falar porque agora somos credores do FMI.

Valor: A França se tornou nosso parceiro prioritário em detrimento dos EUA?

Lula: Não sei porque não pensaram nisso antes. A França é o único país europeu que faz fronteira com o Brasil. São 700 quilômetros de fronteira. Isso é uma vantagem comparativa da relação com a França. Nós sempre teremos uma excelente relação com o EUA. Sempre teremos uma belíssima relação com a Europa. Mas isso não atrapalha que nós tenhamos relações bilaterais estratégicas com outros países. Acho que os Estados Unidos precisam ter um olhar para a América Latina mais produtivo, mais desenvolvimentista.

Valor: O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai sair para se candidatar ao governo de Goiás?

Lula: Sinceramente, o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. É que esse negócio (fazer política) tem um comichão…

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