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Date: Sunday, 20 Apr 2014 09:18

Não sei se quem ganhará esta guerra. Se o bom-senso de Pires de Lima se a voracidade fiscal do Ministério das Finanças aliada ao fascismo higienista do Secretário de Estado da Saúde. Mas pelo menos é bom saber que a questão está longe de ser consensual no governo.


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Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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A poeira   New window
Date: Sunday, 20 Apr 2014 08:52

Vasco Pulido Valente no Público

Quando se vê o dr. Mário Soares, com a sua energia do costume, oferecer o seu apoio aos “capitães de Abril” e à gente inominável que os segue, negando um a um os princípios que defendeu no PREC e recolhendo à sua volta os pequenos ditadores que ele nessa altura detestava, o mundo parece virado do avesso. O dr. Soares não percebe talvez que este tributo que ele presta à irracionalidade e à raiva oferece um exemplo e uma justificação a uma extrema-esquerda que provavelmente não saberá parar a tempo.

Estas desordens passaram também para o PS, onde Seguro mistura alhos com bugalhos. O “maior partido da oposição”, como ele se descreve e gosta que lhe chamem, não deu ainda por que em França Hollande, através de Manuel Valls, é obrigado a engolir, como nos sucedeu aqui, uma versão local do programa da troika, que durante anos jurou rejeitar. Do PC ao PS e à poeira de oportunismo e pura estupidez que os rodeia, a esquerda já não é racional. Ganhe ou não ganhe em 25 de Maio, a sua essencial mendacidade, consciente ou não, ficará à mostra. Os portugueses compreendem que o dinheiro que hoje nos chega da Europa e, em pequena parte, dos “mercados”, não chegaria, e não chegará, se o furor da esquerda e da extrema-esquerda se puder expandir à sua vontade. E, se por acaso não compreenderem, a realidade não desaparece por isso.


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Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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Date: Saturday, 19 Apr 2014 08:33

 

“Aquilino Morelle, conselheiro próximo do Presidente François Hollande, viu-se forçado a apresentar nesta sexta-feira a sua demissão, depois de ter sido acusado de ter beneficiado empresas farmacêuticas quando era membro da Inspecção Geral dos Assuntos Sociais, e por levar “uma vida sumptuária” com os meios do Estado, num artigo publicado quinta-feira pelo site Mediapart.”

“As revelações de “Mediapart” tiveram grande repercussão porque o site (…)  revelou estranhos hábitos burgueses, muito chocantes para o eleitorado de esquerda, do assessor presidencial. Morelle não hesitaria por exemplo em “privatizar” salões do “Hotel Marigny” – palácio localizado nas imediações do Eliseu onde geralmente a Presidência instala os mais ilustres chefes de Estado estrangeiros durante as suas visitas a França – para mandar engraxar os sapatos! Segundo “Mediapart”, o conselheiro de 51 anos terá mais de três dezenas de pares de sapatos de grande luxo e abusaria do consumo de vinhos de nomeada da cave do Palácio presidencial para acompanhar simples refeições de trabalho.”

 

Leio esta notícia e penso no “filósofo da vaidade” de Burke: um personagem típico da esquerda dita “caviar”, um canalha capaz de proclamar publicamente o seu amor pela Humanidade, de dar sermões moralistas a um público choroso muitas vezes com um discurso assente no “vai dar para toda a gente ser feliz sem se magoar nada nem ninguém e até sobra para acabar com os sem-abrigo” mas, em privado, não hesitaria em abandonar e maltratar, por exemplo, os filhos (como Rousseau, o tal filósofo da vaidade). Pessoas que se julgam salvadoras do mundo (e do país), com belas proclamações são, basicamente, de dois tipos: ou são autoritárias ou são infantis. Não é só a mentira, a desonestidade intelectual, a diferença entre o que dizem e o que fazem, entre a prática e a teoria se quisermos, mas o exercício mental de que partem: a fuga para grandes abstracções, grandes ideias (a Humanidade, a igualdade, o proletariado), puras fantasias dogmáticas, com modificações e deturpações das circunstâncias reais e com consequências, por vezes destrutivas, para a realidade de que fogem. Hipocrisia e vaidade: são as marcas registadas da esquerda caviar, sempre do lado errado na batalha das ideias. Roberto Campos fez um diagnóstico preciso da árvore genealógica desta gente ao afirmar que se “trata de filhos de Marx numa relação adúltera com a Coca-Cola”. 

 


Filed under: Diversos Tagged: Burke, França, Socialismo, Vaidade
Author: "gracacantomoniz" Tags: "Diversos, Burke, França, Socialismo, Va..."
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Date: Friday, 18 Apr 2014 20:45
Author: "Ricardo Campelo de Magalhães" Tags: "Brasil, Henry Maksoud"
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Date: Friday, 18 Apr 2014 09:57

Vasco Pulido Valente no Público

O coronel Vasco Lourenço e os seus consócios querem agora falar na Assembleia da República, presumivelmente para defender aquilo a que chamam “ideais” de Abril, que, na sua douta opinião, o Governo anda por aí a trair. Sucede que o Governo foi eleito e que nenhum título assiste aos militares, que se consideram depositários de uma herança hoje desacreditada e morta, para expender no Parlamento as suas frustrações


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Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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Date: Friday, 18 Apr 2014 09:04

Pode ler aqui o texto integral das declarações do André Azevedo Alves à Radio Renascença.

Se fosse ministro das Finanças, como seria o seu DEO?
Neste momento a posição de ministro das Finanças não é muito invejável e é sempre mais fácil falar quando não se tem a responsabilidade de exercer as funções. Eu creio que, neste momento, o país, a economia, ainda mais quando há alguns sinais de retoma depois de uma situação muito difícil, não pode acarretar, não deveria acarretar, novos aumentos de impostos. Eu excluiria, à partida, a possibilidade de aumentar impostos. Sobra a possibilidade de reduções da despesa e parece-me difícil que essas reduções, para além de tornarem permanentes as medidas temporárias mais significativas, necessariamente teriam que passar, ainda que sob uma forma diferente, por alterações em termos do financiamento da Educação, da Saúde e da Segurança Social. A prazo, creio que qualquer solução que não implique alterações nessas áreas não será uma alteração verdadeiramente sustentável.


Filed under: Diversos
Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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Date: Thursday, 17 Apr 2014 22:09
Author: "ruicarmo" Tags: "Agenda, Ambiente, Cultura, Energia, Insu..."
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Denial   New window
Date: Thursday, 17 Apr 2014 21:24

kafkaEu, no Diário Económico de hoje

Apesar da negação, as pensões de reforma já estão indexadas à demografia e ao crescimento económico em toda a Europa, sendo que, se em alguns países já o perceberam e agiram em conformidade, em Portugal, mantemo-nos orgulhosamente no primeiro estágio do Modelo de Kübler-Ross. Parecemos não querer saber que a Segurança Social é um sistema de redistribuição e não se distribui o que não existe. Se há dois pães e duas pessoas a quem os distribuir há um pão para cada uma. Se houver três pães e quatro pessoas, não se distribui um pão a cada pela razão simples que só há três.

 


Filed under: Diversos, Insurgentes nos media, Portugal
Author: "Helder Ferreira" Tags: "Diversos, Insurgentes nos media, Portuga..."
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Date: Thursday, 17 Apr 2014 17:31

NinjaO Ministro da Defesa, Aguiar-Branco, foi ontem brindado em Alfeite pelo lançamento de um avião não tripulado que em breve fará a vigilância da costa. A experiência no entanto correu mal, tendo o drone caído ao mar logo após o lançamento. Este drone, desenvolvido por uma empresa portuguesa que desenvolveu os drones da PSP tem a particularidade de ter que ser lançado à mão, sendo o principal risco do lançamento o drone bater na cabeça ou nas costas do lançador. Apesar de tudo, o lançamento acabou por ser bem sucedido à segunda tentativa.


Filed under: Diversos Tagged: Humor
Author: "João Cortez" Tags: "Diversos, Humor"
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Date: Thursday, 17 Apr 2014 14:09

Nas últimas semanas, tenho vindo a acompanhar o agravamento da tensão na Ucrânia com crescente preocupação. Trata-se de um conflito que na minha opinião tem sido desvalorizado pela opinião pública internacional, e que poderá evoluir para uma situação dramática a qualquer momento.

Há algum tempo que andava a pensar escrever este post, mas hoje, depois de ouvir a entrevista que Putin concedeu à televisão russa, decidi que o post não podia esperar mais. Tenho para mim que todas as guerras, independentemente das tropelias que sempre são cometidas de parte a parte – daí o velho ditado “quem vai à guerra dá e leva” -, têm sempre de um lado aqueles que moralmente têm razão e do outro aqueles que moralmente não a têm. Além disso, tenho também como convicção que nenhuma guerra deve ser desencadeada de forma preventiva; apenas deve ser movida como resposta a uma agressão explícita. Foi por estas razões que no passado apoiei a intervenção da NATO na Sérvia, e também por essas razões que sempre me opus à 2ª invasão do Iraque.

Ora, neste conflito entre a Ucrânia e a Rússia temos de um lado a Ucrânia, um país onde a população forçou à deposição de um regime corrupto, conduzindo à nomeação parlamentar de um Governo de transição com vista a eleições democráticas perfeitamente datadas, e datadas em tempo útil. E temos do outro lado a Rússia que, não tendo gostado da queda do tal regime corrupto, e sob o mesmo tipo de discurso que outrora ouvimos de um sujeito chamado Adolf Hitler, decidiu invadir as fronteiras internacionalmente reconhecidas do seu vizinho, anexando parte desse mesmo território. Assim, não existem para mim quaisquer dúvidas acerca de quem tem a vantagem moral neste conflito, e de quem partiu a agressão.

A Guerra Fria está de volta, e a Rússia está de novo no lado errado da contenda. Mais: Vladimir Putin é um grandessíssimo pulha, e a Europa está ela própria a cometer os mesmos erros do passado. Angela Merkel faz agora de Neville Chamberlain. Quanto a Obama, não obstante a retórica inicial, e umas pequenas medidas dissuasoras contra o regime de Moscovo, também não foi capaz de conter o avanço russo. O Ocidente falhou rotundamente. A sua atitude complacente e permissiva, permitindo que Putin anexasse a Crimeia num fechar de olhos, foi um enorme erro.

Bem sei que ninguém deseja um conflito militar com a Rússia. Mas atendendo à natureza revivalista da liderança do homem forte de Moscovo, mais cedo ou mais tarde será necessário por travões a Putin. E quanto mais tarde isso acontecer, tanto pior será. Galvanizado, parece evidente que Putin continuará a desestabilizar a Ucrânia. Assim, a melhor resposta, a fim de evitar males maiores, seria colocar de imediato as tropas da NATO no terreno, isto é, no leste ucraniano, salvaguardando a integridade territorial da Ucrânia, e impondo essa fronteira a Putin. A ideia é simples: à agressão não se responde com palavras; responde-se com actos, e se necessário com beligerância também. É para isso que existem exércitos: para travar os pulhas deste mundo, que não são travados pelas palavras, e com isso evitar guerras maiores. Tenho dito.


Filed under: Diversos
Author: "Ricardo Arroja" Tags: "Diversos"
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Date: Thursday, 17 Apr 2014 14:00

krugman

Paul Krugman foi recentemente contratado pelo “Income Inequality Institute” com um salário de $250.000/ano, feito que o coloca no top 2% da distribuição de rendimentos nos EUA.

Presume-se, então, que Paul Krugman foi contratado para se estudar a ele próprio. O que, em parlance Keynesiana, é o análogo a colocar notas em garrafas, cavar um buraco, enterrá-las para logo depois desenterrá-las, concluindo finalmente que isso aumentaria a riqueza real.

“If the Treasury were to fill old bottles with banknotes, bury them at suitable depths in disused coalmines which are then filled up to the surface with town rubbish, and leave it to private enterprise on well-tried principles of laissez-faire to dig the notes up again (the right to do so being obtained, of course, by tendering for leases of the note-bearing territory), there need be no more unemployment and, with the help of the repercussions, the real income of the community, and its capital wealth also, would probably become a good deal greater than it actually is. It would, indeed, be more sensible to build houses and the like; but if there are political and practical difficulties in the way of this, the above would be better than nothing.”

– John Maynard Keynes


Filed under: Double standards, Humor, Política, Socialismo Tagged: Paul Krugman
Author: "Mário Amorim Lopes" Tags: "Double standards, Humor, Política, Soci..."
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Date: Thursday, 17 Apr 2014 13:46

Em França, o austeritarismo-neoliberalista-libertarianista parece ter tomado definitivamente conta do Partido Socialista.

Ou isso, ou acabou o dinheiro: França congela pensões e salários e reduz gastos sociais

O novo primeiro-ministro francês avançou algumas das medidas que permitirão poupar 50 mil milhões de euros entre 2015 e 2017. O plano antecipa cortes repartidos pelo Estado, municípios e contribuintes. “Não podemos viver acima das nossas possibilidades”, avisou Valls.

(…) Para recuperar a “soberania” financeira do país, Valls reassumiu a necessidade de cortar 50 mil milhões de euros até 2017, um esforço que será “repartido por todos”, garantiu. Para o conseguir o primeiro-ministro anunciou o congelamento dos salários dos funcionários públicos e das pensões, não tendo precisado até quando a medida vigorará. (…) Por sectores, os cortes serão de 18 mil milhões de euros nas despesas com a máquina do Estado, de 11 mil milhões nos orçamentos dos municípios, de 10 mil milhões nos custos e prestações na área da Saúde e de 11 mil milhões no conjunto dos gastos sociais.


Filed under: Comentário, Double standards, Economia, Internacional, Política, Socialismo, União Europeia
Author: "André Azevedo Alves" Tags: "Comentário, Double standards, Economia,..."
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NSA   New window
Date: Thursday, 17 Apr 2014 13:02
Author: "André Azevedo Alves" Tags: "Humor, Internacional, Justiça, Polític..."
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Date: Wednesday, 16 Apr 2014 17:19

Artigo de Pedro Bráz Teixeira no i

Ao contrário do que muitíssimas pessoas desejavam que fosse verdade, os governos não podem determinar os salários na economia, que dependem sobretudo da produtividade.

No caso do salário mínimo, é preciso reconhecer que este tem um impacto assimétrico no emprego. Se for definido muito abaixo da produtividade dos trabalhadores com menor produtividade (os mais jovens, sem experiência, e aqueles que têm menores qualificações), torna-se irrelevante porque as empresas pagariam sempre salários acima do mínimo legal. Se for legislado acima daquela produtividade, proíbe a contratação dos trabalhadores em situação mais frágil, agravando o desemprego neste segmento.

Como os governos desprezam geralmente as leis económicas e procuram a maior popularidade, o risco de decidirem salários mínimos demasiado abaixo daquele limiar de produtividade é insignificante. Mas persiste o risco de tomarem decisões fantasiosas sobre o salário mínimo.

Continue a ler aqui.


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Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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Demolidor   New window
Date: Wednesday, 16 Apr 2014 15:49

“Onde está o povo?” de António Araújo (Malomil). A versão alargada da rencensão de “História do Povo na Revolução Portuguesa, 1974-75″ de Raquel Varela.

A conclusão mais óbvia a retirar desta obra é-nos dada pela própria autora que, num momento de rara sageza, observa: «a fronteira entre a política militante e o senso comum é lata e difícil de medir» (p. 68). Este livro é um infeliz exemplo de como a política militante nos pode afastar do senso comum.


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Author: "Miguel Noronha" Tags: "Diversos"
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Date: Wednesday, 16 Apr 2014 15:48

France is the new cauldron of Eurosceptic revolution. Por Ambrose Evans-Pritchard.

Britain is marginal to the great debate on Europe. France is the linchpin, fast becoming a cauldron of Eurosceptic/Poujadist views on the Right, anti-EMU reflationary Keynesian views on the Left, mixed with soul-searching over the wisdom of monetary union across the French establishment.

Marine Le Pen’s Front National leads the latest IFOP poll for the European elections next month at 24pc. Her platform calls for immediate steps to ditch the euro and restore the franc (“franc des Anglais” in origin, rid of the English oppressors), and to hold a referendum on withdrawal from the EU.

The Gaullistes are at 22.5pc. The great centre-Right party of post-War French politics is failing dismally to capitalise on the collapse in support for President François Hollande.

The Parti Socialiste is trailing at 20.5pc. The Leftist Front de Gauche is at 8.5pc and they are not exactly friends of Brussels.

(…)

In the meantime, of course, we are assured that the EMU crisis is entirely behind us. Sunlit uplands lie ahead. This moment of malaise will pass. Yes, and pink elephants will fly over Mare Nostrum.


Filed under: Política, Socialismo, Sondagens, União Europeia
Author: "André Azevedo Alves" Tags: "Política, Socialismo, Sondagens, União..."
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Date: Wednesday, 16 Apr 2014 08:15

“(…) os partidos políticos não estão hoje minimamente sensibilizados para a necessidade de se constituírem como elementos construtivos do debate de ideias. Não há governos sombra; há, sim, sombras dos governos. O oportunismo partidário é o denominador comum, e em relação aos fazedores de opinião, os cabeças de cartaz continuam a ser ex-políticos, frequentemente mais preocupados em fazer propaganda do que opinião.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.


Filed under: Diversos
Author: "Ricardo Arroja" Tags: "Diversos"
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Date: Tuesday, 15 Apr 2014 23:02

O João Villalobos reagiu à bela prosa do presidente do sindicato dos estivadores. Obviamente o João, certamente eivado de contaminações empresariais, não foi capaz de apreciar o convincente argumentário do sindicalista. Dou alguns exemplos. Logo de início se entende bem que o sindicalista tem uma legitimidade democrática muito superior à do pm, afinal foi eleito diretamente pelos votos de 400 pessoas. Também é de cristalina evidência que, de facto, o pm ‘está agarrado ao poder’. Eu, antes da epifania provocada pela correspondência sindical aberta, estava convencida que o que atribuía legitimidade democrática a um governo era ser sustentado por uma maioria na AR democraticamente eleita. E que, nas democracias normais, um governo governa durante o tempo que intermeia entre eleições e que a vontade expressa em votos pelos eleitores conta mais do que, sei lá, birras de sindicalistas eleitos por 400 estivadores. Mas não. Claro que o pm está agarrado ao poder. Também me parece muito bonita a declaração de que o autor epistolar se preocupa com ‘as pessoas’, enquanto o malvado pm se preocupa com ‘as empresas’. Eu, no meu ser anterior não-esclarecido, pensava que ‘as pessoas’ viviam bastante mal nas sociedades onde não existem ‘as empresas’ e que, nas sociedades onde benevolentemente as empresas são deixadas existir, ‘as empresas’ são constituidas por ‘as pessoas’ (e, até ver, mesmo aqueles que contribuem para as empresas com o capital são também ‘pessoas’); em suma, costumava considerar que o bem de ‘as empresas’ e ‘as pessoas’ se interligava; que, por exemplo, a falência de uma empresa não costuma deixar deleitado de felicidade quem lá trabalhava. Mas agora, at long last, vejo que as duas realidades são mutuamente exclusivas.

Confesso que (talvez seja o mesmo mal que aflige o João) ainda me resta alguma desconfiança perante o sindicalista epistolar. Não é à toa que o discurso da falta de legitimidade do governo vem de setores afetos ao PCP. Ora pois; dos setores que têm um entendimento peculiar do que é uma democracia, o bem-comum ou a liberdade de expressão – que nos países onde a ideologia do sindicalista epistolar vigorou não se costumava tolerar estas saudáveis cartas abertas aos governantes. Ainda há um pedacinho não-esclarecido de mim que tem vontade de, segundo as palavras do filósofo sócrates, dizer ao sindicalista epistolar para ir dar lições de moral à tia.


Filed under: Blogosfera, Media, Política, Portugal, Socialismo
Author: "Maria João Marques" Tags: "Blogosfera, Media, Política, Portugal, ..."
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Date: Tuesday, 15 Apr 2014 15:27

O meu artigo de hoje no i.

Reformas

O FMI divulgou há dias o seu relatório Fiscal Monitor, no qual considera que os estados das economias mais avançadas deverão proceder a reformas estruturais. Estas deverão ter em vista a redução da despesa pública, não, como tem sido feito até agora, através dos cortes horizontais, ou seja, decididos em função do seu valor, mas de acordo com a função de cada trabalhador do Estado.

Esta diferença pressupõe que se pense antes de se cortar. Supõe uma reforma estrutural do Estado, uma definição de quais devem ser as suas funções essenciais. Para que este passo seja dado, e o que agora segue é conclusão minha, são necessários três pontos: em primeiro lugar lugar, que as contas públicas estejam equilibradas, um caminho que está a ser parcialmente percorrido; em segundo lugar, que a grande maioria dos cidadãos, percebendo as vantagens de se viver sem dívidas, não aceite governos que estimulem a economia com obras públicas, por outras palavras, com despesa e dívida.

Por fim, que a classe política seja pragmática. O país não pode regressar ao despesismo e à irresponsabilidade de outrora. Assim, será preciso que os políticos se sentem à mesa e discutam as ditas funções essenciais do Estado. O que é que é imprescindível? O que é que teremos de deixar cair para que não se perca o mais importante? A fórmula seguida nos últimos 40 anos não deu os frutos que a maioria esperava. Desta vez, mais que ilusões revolucionárias seria importante que se conseguisse algo de concreto e duradouro.


Filed under: Comentário, Insurgentes nos media, Política, Portugal
Author: "André Abrantes Amaral" Tags: "Comentário, Insurgentes nos media, Pol..."
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