Date: Wed, 22 May 2013 23:11:11 +0200
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- O GLOBO » Cultura
Distribuidores e exibidores criticam diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel
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Rio - A entrevista do diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine) publicada no GLOBO anteontem teve forte repercussão entre exibidores e distribuidores. O ponto questionado é a afirmação de que a indústria estaria trabalhando com “ocupações fulminantes das salas”, de lançamentos cada vez maiores. Na medida em que a tendência persistir, Rangel disse que a Ancine irá “procurar caminhos para equilibrar” a saturação: “Não queremos um único filme em metade das salas brasileiras”, disse ele.
Para Jorge Peregrino, ex-vice-presidente sênior de distribuição para a América Latina da Paramount e atual presidente do Sindicato dos Distribuidores do Rio de Janeiro, as declarações de Rangel indicam que a Ancine não estaria consciente do impacto mercadológico de uma possível regulação.
— De tempos em tempos, sempre aparece alguém com ideias de regulação desconectadas da realidade — diz Peregrino. — Qualquer tentativa de limitar o número de cópias causaria um choque grande no mercado. E quem mais sofreria com isso seriam os exibidores médios e pequenos, porque a tendência das distribuidores é colocar no cinema as cópias mais rentáveis. O exibidor é empresa privada e pode escolher o que faz.
A assessoria de imprensa da Ancine, contudo, lembra que há uma previsão legal na MP 2228-1/2001, que criou a agência. O Artigo 2º inclui entre os princípios da política nacional do cinema, que é competência da Ancine executar a “garantia da presença de obras cinematográficas e videofonográficas nacionais nos diversos segmentos de mercado”.
Por sua vez, Luiz Severiano Ribeiro Neto, presidente do Grupo Kinoplex, afirma que a ocupação fulminante de “Homem de Ferro 3” não atrapalhou a performance de outro filme, o nacional “Somos tão jovens”.
— A ocupação de um grande número de salas por blockbusters, como aconteceu com “Homem de Ferro 3”, não é recorrente e está de acordo com a demanda do próprio público, levantada através dos canais de relacionamento e resultados históricos — informa. — Essa estreia não prejudicou os filmes nacionais. “Somos tão jovens”, que entrou em cartaz imediatamente após “Homem de Ferro 3”, conquistou a marca de mais de 500 cópias, tendo vendido mais de 465 mil ingressos no primeiro fim de semana.
— Regular é sempre delicado — avalia Paulo Sérgio Almeida, fundador do Filme B, portal na internet especializado em análise e números do mercado cinematográfico no Brasil. — Os governos existem para defender os fracos dos fortes, mas não para simplesmente prejudicar o forte. “Homem de Ferro 3” esteve em cerca de 1.200 salas, mas nenhum longa nacional deixou de entrar em cartaz. Para se aventurar neste tipo de lançamento, filmes precisam ter interesse coletivo e muita comunicação com o público.
Almeida acredita que o número total de salas no Brasil está ainda muito aquém do mercado:
— Em cinco anos, a arrecadação no Brasil simplesmente dobrou. Devemos juntar forças para fazer o mercado melhorar, e não reduzi-lo.
Via FeedShow.com