Date: Sun, 19 May 2013 10:36:04 +0200
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- Críticas e Reflexões
Não temos um presidente
http://italogeografia.wordpress.com/2007/09/12/nao-temos-um-presidente/
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Já chegamos a uma situação extrema! Como podemos crescer se os nossos representantes estão contra nós. Eles se escondem atrás do montante do nosso dinheiro e apenas respondem com mentiras. Todas as mudanças definitivas vão se tornando sonho dos honestos. Todas embaladas com aquele gosto de falsidade típica de quem deveria nos conduzir à verdade.
Perdi a esperança. Perdi a vontade de acreditar no país. Aquele nacionalismo apedrejado, que mora num fundinho encardido do nosso peito, tem cada vez mais vergonha de sair à tona. A humilhação é tanta que parece que o ideal é ser, de fato, um cético rude.
Quem manda neste país? Não temos um presidente, temos vários. Elegemos uma meia dúzia de canalhas. O resto fica por conta deles. Temos um governador federal (vulgarmente chamado de Presidente da República), uns governadores estaduais, os juízes, os advogados, os grandes empresários, os banqueiros e até os líderes de quadrilha.
São eles que decidem que horas devemos voltar para casa, como é nossa casa, se teremos ou não casa. Eles que decidem nosso estilo de vida, nossos custos, nosso salário. Escolhem o nosso voto, a nossa consciência, a nossa voz. Os nossos desejos.
Eles, que em uma mão mantém sua vida pessoal bem remunerada, em outra, a vida de uma pessoa, de uma sociedade, de um estado, de uma nação. Mas, ao invés de cumprirem seu papel de bons papais e bons trabalhadores, preferem enganar toda a massa, seu eternos servidores otários. Eles querem ser mais do que humanos, querem ser cafetões da política, onde as instituições seriam suas prostitutas e nós, a população, um velho cliente de prazeres efêmeros.
Eles não têm dinheiro. Eles usam o nosso dinheiro. O dinheiro do povo, da ‘plebe ignara’, que trabalha com base na utopia de noites infindáveis. Povo e político fazem uso do ‘jeitinho’. O povo rouba, mas faz! O político usa o lema de que “rouba, mas faz”. Um rouba do outro.
O Brasil têm vários presidentes, mas não têm governo. E nem povo. Falta seriedade, tanto para quem paga quanto para quem recebe, tanto para quem bate quanto para quem apanha. O político pobre e esperto vive do dinheiro do povo rico e burro. E o político gosta. O povo também. Um recebe um enorme salário, diversos auxílios e ainda um adicional oculto no fim do mês; o outro recebe uma miséria, paga uma grana e se sente satisfeito enquanto existir os poucos direitos que conhece.
Um fica se lamentando, o outro rindo. O que dá o dinheiro, chora. Pouco se importa para quem vai o seu dinheiro. O que recebe, comemora. Pouca se importa para quem lhe pagou. Assim vamos caminhando: com uma “governocrassia” – na prática, pura anarquia – de diversos presidentes, cuja pluralidade não soma em nada. E se não for cobrada, então parece que ‘nada’ é uma boa resposta.
Adriano Senkevics escreve para o Letras Despidas.
Via FeedShow.com